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"Alexandre Tombini foi o herói de 2011", diz Luiz Bresser-Pereira

Publicado em 11 janeiro 2012

São Paulo - "O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, foi o grande herói de 2011", comentou ontem o ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira, a respeito da atuação do presidente do BC sobre a gestão da política monetária no ano passado. "Ele me surpreendeu. Só os neoclássicos ficaram indignados", afirmou, ao ressaltar que, "felizmente, o BC só tem funcionários públicos no seu colegiado".

Bresser-Pereira fez as declarações ao participar da terceira edição do Latin America Advanced Programe on Rethinking Macro and Development Economics (Laporde), realizado na Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (Eesp/FGV) em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a Ordem dos Economistas do Brasil (OEB).

Para Bresser-Pereira, Tombini e a presidente Dilma Rousseff estão empenhados em reduzir o nível de juros nominais e reais no Brasil. "A eclosão da crise externa, no ano passado, provocou uma onda desinflacionária no mundo que permitiu ao BC no Brasil atuar de forma ativa para mitigar os efeitos da desaceleração mundial sobre o País", ponderou o ex-ministro. "O governo quer levar os juros reais para 2% a 3%", afirmou Bresser-Pereira, que acredita que tal fato ocorrerá até 2014.

Na avaliação de Bresser-Pereira, a inflação no Brasil está baixando e ficará num nível menor neste ano do que em 2011, até porque a crise externa é vigorosa e não deve ser solucionada na Europa antes de 2014. Nesse contexto, ele não acredita que os preços de commodities vão ter um desempenho promissor, pelo menos neste ano.

Outro elemento importante, segundo o ex-ministro, é que o nível de atividade está moderado a ponto de ainda não dar sinais claros de que o Brasil poderá crescer 4% neste ano, como estima o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Para Bresser-Pereira, todos estes fatores dão indicações de que a taxa de juro básica, a Selic, poderá atingir um dígito neste ano. "Há espaço para o BC continuar reduzindo os juros ao longo do ano", comentou, sem detalhar qual seria a taxa final em dezembro.

Na sua avaliação, a percepção do mercado financeiro de que a Selic continuará em dois dígitos em 2012 é enviesada e não se baseia numa análise macroeconômica séria.