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Alertando que "eutanásia não é a solução", campanha divulga tratamento do calazar

Publicado em 23 agosto 2018

Campanha “Não Mate Trate” traz alerta sobre o avanço do calazar nas metrópoles: os cães não transmitem a doença ao ser humano. Os pets diagnosticados com Leishmaniose Visceral Canina podem, desde 2016, ter sobrevida considerável, dados os novos tratamentos disponíveis. Não aceite facilmente a orientação de eutanasiar ou sacrificar o cachorrinho. Pesquise e ouça a opinião de outros médicos veterinários registrados junto ao Conselho Regional de Medicina Veterinária.

A campanha “Não Mate Trate” é realizada pela companhia farmacêutica veterinária Virbac e tem apoio da Associação Humanitária de Proteção e Bem-Estar Animal (Arca Brasil) e do Grupo Brasileiro de Estudos sobre Leishmaniose Canina (Brasileish).

Após serem infectados pela picada do mosquito palha, muitos dos cães não morrem por conta das complicações, mas pela eutanásia. Isso ocorre devido à falta de informação. “Muitos animais ainda são levados à eutanásia sem que as pessoas sequer sejam informadas sobre a possibilidade de tratamento”, alerta o médico veterinário Ricardo Cabral.

Com o medicamento, o animal poderá ter a cura clínica e epidemiológica, reduzindo significativamente a quantidade de parasitas em seu organismo e, com isso, deixar de ser transmissor da doença.

A campanha também destaca a prevenção como a grande aliada no combate à leishmaniose visceral. “Afinal, a Leishmaniose Visceral Canina não é transmitida por mordida, arranhão, lambedura, urina ou fezes do cachorro. A transmissão ocorre quando as fêmeas do mosquito palha picam cães ou outros animais infectados e depois picam o homem”, explica Cabral.

Cidades

Em artigo publicado em junho, no portal da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp), o calazar, antes restrito à zona rural e à região Nordeste, avança para cidades como Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS), que registraram os primeiros casos em humanos no ano passado.

É importante lembrar que o tratamento dos cães é apenas uma medida necessária para a prevenção da leishmaniose dentro de um conjunto de outras ações. O combate à proliferação do mosquito palha é fundamental para reduzir a incidência da doença.

Para impedir a proliferação do inseto é necessária a adoção de medidas simples, que vão desde o uso de repelentes até a limpeza periódica dos quintais e da casa, como retirada das frutas em decomposição, do material orgânico e das folhas que caem das árvores.

Tratamento

O medicamento para tratamento do calazar, fabricado pela Virbac, tem a miltefosina em sua composição, princípio ativo que age na membrana do parasita, provocando sua morte e, consequentemente, evitando a reprodução. O produto só pode ser adquirido mediante a prescrição de médico veterinário.

“Os animais devem ser reavaliados a cada quatro meses, pois, embora não sejam infectantes, permanecem parasitados pelo resto da vida. Essa reavaliação indicará se há necessidade de um novo ciclo de tratamento”, explica Cabral.