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Alerta tecnológico

Publicado em 20 maio 2005

Por Yves Léon Winandy
A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Arno (eletrodomésticos) e Multibrás (eletrodomésticos) foram as instituições/empresas paulistas que mais depositaram pedidos de patentes no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI)) no período 1990/2001 com, respectivamente, 143, 123 e 91 processos.
A informação consta do trabalho "Indicadores de Ciência, Tecnologia e Inovação em São Paulo 2004", em dois volumes, editado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e divulgado este mês, em cerimônia em homenagem a seu ex-diretor presidente Francisco Romeu Landi.
Duas dessas interessadas, a Unicamp e a Arno, figuraram na segunda e terceira posições na classificação geral brasileira, liderada pela Petrobras, sediada no Rio de Janeiro, com 222 pedidos de patentes no período considerado. A Multibrás, terceira no ranking estadual, ficou em sétimo lugar no cômputo geral.
O Estado de São Paulo respondeu por 51% dos pedidos de patentes registrados no INPI no último ano da pesquisa (2001), ressalta o estudo, "e por 49% das patentes concedidas a inventores residentes no Brasil pelo United States Patent and Trademark Office (USPTO)", dos EUA, em 2002. No período de 1990 a 2001, empresas instaladas no Estado de São Paulo foram responsáveis pela apresentação de 7.143 pedidos de patentes no INPI, em um universo nacional de 13.019 pedidos.
Esses números e os demais dados da citada pesquisa — pela primeira vez vindos a público no contexto de um estudo maior sobre o desenvolvimento tecnológico paulista e brasileiro —, além de confirmar a liderança paulista no setor, põem às claras a situação de dependência do Brasil na área.
"Embora São Paulo esteja à frente do Brasil, tanto em termos de produção científica como da produção tecnológica, o estado líder do País não alcança uma posição acima de um grupo de países relativamente atrasados" no setor, esclarece.
"O Brasil está próximo do México e o Estado de São Paulo está próximo da Argentina; porém, ele está ainda distante da posição (intermediária) da Espanha" em uma comparação entre países elaborada com base em dados do USPTO, complementa o trabalho.
Nessa comparação, o destaque fica com países como os EUA e Japão, que apresentam uma produção científica em torno de 1 mil artigos por milhão de habitantes, com uma produção tecnológica acima de 150 patentes por milhão de habitantes.
Em contrapartida, países como Brasil e Argentina "ocupam posições que indicam desempenho fraco nas duas produções", situando-se abaixo de uma produção científica de 150 artigos por milhão, e de menos de três patentes por milhão de habitantes.
Trata-se, portanto, mais que de um alentado trabalho de pesquisa e compilação de dados sobre o desenvolvimento científico e tecnológico de nosso estado e do País. Trata-se de um alerta sobre o atraso registrado pelo Brasil no setor, fosso que se deve procurar reduzir o máximo possível, no menor espaço de tempo possível, se quisermos realmente fazer este País tornar-se um importante membro da comunidade econômica e política internacional.
Países como o Brasil e a Argentina produzem menos de três patentes por milhão de habitantes.