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Jornal da Ciência online

Alerta das profundezas

Publicado em 30 junho 2021

Monitoramento da presença do novo coronavírus em redes de esgoto auxilia a vigilância epidemiológica em cidades brasileiras

No final de março de 2020, um artigo escrito por pesquisadores do KWR Water Research Institute, de Nieuwegein, nos Países Baixos, relatou a detecção de fragmentos de RNA do Sars-CoV-2 em amostras de esgoto de Amsterdã e de cinco localidades. A notícia se espalhou rapidamente e estimulou virologistas, engenheiros ambientais e bioquímicos espalhados pelo Brasil a procurar rastros do coronavírus causador da Covid-19 na rede nacional de esgotos. “A descoberta de que fragmentos do Sars-CoV-2 são eliminados nos excrementos humanos chamou a atenção de quem já monitorava outros vírus e bactérias no esgoto”, explica a biomédica Maria Inês Zanoli Sato, gerente do Departamento de Análises Ambientais da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). A empresa estatal começou a procurar pelo patógeno na primeira semana de abril do ano passado. Mais ou menos na mesma época, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) iniciou um trabalho semelhante em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) fez o mesmo em Belo Horizonte e em parte da cidade vizinha de Contagem.

Em São Paulo, bem antes da pandemia, a vigilância ambiental em busca da circulação de patógenos no esgoto já era rotina na Cetesb. Mas o acompanhamento era focado em vírus como o da poliomielite e em bactérias como Vibrio cholerae, causadora da cólera. Seu objetivo é atuar como uma sentinela e alertar as autoridades sanitárias e de saúde pública sobre a presença e os níveis de concentração de agentes infecciosos em rios, represas, córregos, na rede de esgoto e em suas estações de tratamento. O monitoramento do coronavírus foi iniciado por meio de coletas semanais nas cinco principais estações de tratamento da Região Metropolitana de São Paulo. “Assim que começamos o monitoramento, já detectamos índices elevados de Sars-CoV-2 no esgoto, mesmo com casos oficiais superbaixos, indicando uma possível subnotificação”, lembra Sato.

Veja o texto na íntegra: Revista Pesquisa Fapesp

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