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Alemanha é destaque no Ciência sem Fronteiras e busca cooperação científica e acadêmica com o Brasil

Publicado em 03 dezembro 2012

Especialistas brasileiros e alemãs se reuniram no I Diálogo Brasil-Alemanha de Ciência, Pesquisa e Inovação em SP para discutir educação, energia e ciência. Um dos pontos altos foi o interesse de universidades e entidades alemãs em fomentar a cooperação acadêmica com o Brasil.

Pelo programa Ciência sem Fronteiras, do governo brasileiro, a Alemanha deve receber 10 mil estudantes brasileiros até 2015. Isso vem despertando um interesse ainda maior das universidades alemãs por cooperações com parceiros brasileiros, em um cenário com mais de 40 anos de cooperação acadêmica e científica bilateral. “A riqueza de aprendizado desta cooperação tem propiciado resultados incomensuráveis. E é com essa certeza que devemos continuar a caminhar juntos”, destacou Denise Neddermeyer, diretora de Relações Internacionais da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), durante o I Dialogo Brasil-Alemanha de Ciência, Pesquisa e Inovação, ocorrido no final de novembro, em São Paulo. Christian Müller, presidente do Conselho Diretor do Centro Alemão de Ciência e Inovação (DWIH-SP), complementou: “A Alemanha tem sido muito colaborativa com esse programa brasileiro e estamos muitos satisfeitos com isso”.

Para Müller, que também é diretor do DAAD (Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico), do ponto de vista acadêmico e científico, o Brasil é um pais de grande importância estratégica para a Alemanha. E o aumento, tanto qualitativo quanto quantitativo, das estruturas de ensino superior e de pesquisa no Brasil demanda mais engajamento das instituições alemãs. “A Alemanha tem interesse em estreitar relações e trabalhar cada vez mais em conjunto com o Brasil”, destacou. “Mas há vida além do programa Ciência sem Fronteiras”, brincou Denise. A Capes tem cooperação com diversas entidades, como o GIZ, Fundação Humboldt. A barreira linguística é um dos desafios e o governo e entidades brasileiras estão atentos a isso. No curto prazo, adiantou a diretora da Capes, será iniciado um programa de envio de professor de alemão para instituições na Alemanha.

O primeiro dia do evento foi aberto com a palestra “evolução da cooperação acadêmica e científica Brasil-Alemanha”, ministrado por Abílio Afonso Baeta Neves, ex-presidente da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e da FAPERGS (Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio Grande do Sul). Para Neves, o Brasil experimentou nas últimas décadas profundas transformações. Um ponto positivo é o crescimento da internacionalização da produção científica e do intercâmbio acadêmico. Abílio lembra que o Brasil figura na 6a. colocação das maiores economias mundiais e está em 13o. entre os países com maior produção científica. “A internacionalização começa a ganhar espaço. A cooperação com a Alemanha tem contribuído para fortalecer a capacidade de pesquisa conjunta e para que possamos estimular a relação direta entre boas universidades brasileiras e alemãs e, assim, estabelecer planos estratégicos institucionais de longo prazo”, destacou Abílio Neves, durante o evento do DWIH-SP.

Na busca por parcerias e estudantes, muitas universidades e entidades alemãs estão abrindo escritórios de representação no Brasil concentrados no Centro Alemão de Ciência e Inovação São Paulo (DWIH_SP). O DWIH-SP abarca atualmente três agências de promoção e fomento e cinco representações de 13 instituições de ensino superior da Alemanha. “O DWIH-SP é o resultado de uma iniciativa da política externa do governo alemão e se propõem justamente fomentar a ciência e a inovação”, destacou o cônsul da Alemanha em São Paulo, Matthias von Kummer durante o evento. “A meta é internacionalizar a ciência e desenvolver os desafios globais do século XXI”, complementou Márcio Weichert, coordenador do DWIH-SP.

A Sociedade Alemã de Amparo à Pesquisa (DFG), com escritório presente do DWIH-SP, é a principal organização autônoma de fomento à ciência na Alemanha. Para possibilitar suas pesquisas, a DFG recebeu um orçamento de 2,5 bilhões de euros para 2012, vindos dos governos federal estadual da Alemanha. No Brasil, foi inaugurado em 2012 o escritório da DFG para a America Latina. Desde 2006, no entanto, já contava com um representante acadêmico na USP. Juntamente com suas organizações parceiras brasileiras CAPES, CNPq e FINEP, a DFG financia atualmente projetos como a rede de pesquisa BRAGECRIM no campo da engenharia de produção uma das maiores colaborações de pesquisa entre os dois países. Também com a FAPESP, em São Paulo, e a FAPEMIG, em Minas Gerais, a DFG mantém acordos de cooperação e promove projetos de pesquisa Brasil-Alemanha.

A Universidade Tecnológica de Munique (TUM), outro exemplo, mantém acordo de parceria com 17 universidades na America Latina. A TUM também é parceira dentro do programa “Ciência sem Fronteiras”. “Estamos investindo bastante, abrindo oportunidades para universidades de todo o Brasil”, destacou Sören Metz, diretor o escritório da TUM na América Latina. Desde 2011, a entidade coordena ainda a rede científica interdisciplinar TUMBRA em conjunto com três universidades brasileiras (UFRGS, UNICAMP, UFRN), analisando a biodiversidade e o uso sustentável do solo. A Universidade de Münster (WWU) é outro exemplo. A entidade mantém há mais de 30 anos cooperação com o Brasil. Existem atualmente cerca de 30 cooperações com 20 universidades brasileiras, ns mais diversas áreas. Isso levou em 2010 à fundação do Centro Brasileiro da Universidade de Münster. Mas além dessas, inúmeras outras instituições fazem parte e recebem suporte do DWIH-SP e se apresentaram no I Diálogo Brasil-Alemanha de Ciência e Inovação, em São Paulo.

Dialogo Brasil-Alemanha em Ciência

O Diálogo proposto pelo Centro Alemão de Ciência e Inovação (DWIH-SP) aconteceu às vésperas da Temporada da Alemanha no Brasil 2013-2014, período em que diversas atividades serão realizadas no Brasil para atualizar a visão dos brasileiros sobre a Alemanha e fortalecer as relações entre as duas nações. Sob o lema “Quando ideias se encontram” haverá vários eventos que mostrarão uma Alemanha inovadora, sustentável e urbana em 360º. O DWIH-SP será a principal instituição responsável pela coordenação e realização das atividades na área de ciências.

O congresso, ocorrido em 21 e 22 de novembro, reuniu cerca de 200 pessoas entre renomados cientistas, acadêmicos e profissionais de inovação, brasileiros e alemães, que discutiram temas científicos transdisciplinares da atualidade. O segundo dia foi dedicado ao debate científico, começando com uma conferência do físico alemão Dr. Thomas Müller, do Karlsruhe Institute of Technology (KIT). Müller falou sobre a importância, para a ciência e a humanidade, dos resultados das pesquisas no Centro Europeu de Pesquisas Nucleares (Cern) sobre o bóson de Higgs, que já foi apelidado de “partícula de Deus”, pois cientistas esperam encontrar novas explicações para a criação do Universo. Completaram o programa três painéis com abordagens transdisciplinares: desafio energético; educação e sociedade; e transferência de conhecimento e tecnologia.

Sobre o DWIH

O Centro Alemão de Ciência e Inovação (DWIH) é uma iniciativa do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha. Além dos escritórios de São Paulo, há centros similares em Moscou, Nova Délhi, Nova York e Tóquio. Nesses países, o DWIH busca intensificar o intercâmbio científico, além de servir como plataforma para o surgimento de novas cooperações de pesquisa e projetos de inovação entre pesquisadores. Outro objetivo do DWIH São Paulo é conectar instituições científicas e agentes da inovação alemães e brasileiros.

Maxpress