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Dinheiro Rural

Alarme de tempestade

Publicado em 01 abril 2005

As incertezas dos agricultores com relação ao clima podem estar com os dias contados. Isso porque um novo sistema hidrometeorológico fará previsões de chuvas com três horas de antecipação. Resultado da união de diversas instituições públicas de pesquisa ligadas à meteorologia, o programa batizado como Sistema Integrado de Hidrometeorologia do Estado de São Paulo (Sihesp) tem financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e parceria com o Conselho de Hidrometeorologia do Estado de São Paulo. O programa reunirá os dados compilados por vários centros de pesquisa espalhados pelo Estado e, por meio deste material, irá gerar produtos em forma de mapas temáticos sobre temperatura, precipitação e pressão. "Com estes recursos teremos um controle da água na atmosfera, na superfície, na agricultura e no subsolo", disse Oswaldo Massambani, coordenador do Sihesp e pesquisador do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo.

Orçada em R$ 4 milhões, a primeira fase do Sihesp teve início em dezembro passado. Esta etapa envolve a instalação de 100 estações meteorológicas de superfície e um conjunto de outras tecnologias. Entre elas, a construção de um radar móvel e a modernização dos existentes em Bauru e Presidente Prudente. Ao todo, haverá quatro aparelhos distribuídos pelo Estado. Esses equipamentos captarão informações que serão transmitidas eletronicamente para a Mesonet, uma base de dados sobre meteorologia do Instituto Agronômico de Campinas (IAC). Com esses 'relatórios', será possível descrever a estrutura e física de áreas específicas. "Também está previsto a implantação do modelo de previsão de tempestades", disse Massambani, explicando que será um modelo numérico, em que os códigos utilizarão dados de plataformas operacionais para simular a atmosfera. Com isso, o Sihesp fará o diagnóstico de tempestades em escala regional com três horas de antecedência. "A cada 10 minutos, você terá informações sobre a formação de tempestades, que além de ser importante para a agricultura extrema relevância para a Defesa Civil das cidades". Todo material produzido pelo Sihesp será administrado por um programa de dados, que disponibilizará, em um portal, as informações por bacia hidrográfica e município.

De acordo com Massambani, os modelos de previsão de tempestades e previsão climática estarão prontos até agosto deste ano. Já o radar verá entrar em funcionamento novembro. "A nossa expectativa é que, no próximo verão, o Sihesp já esteja operando". Se isso de fato ocorrer, os produtores rurais terão um parceiro de peso no planejamento de  suas atividades de campo. Isso porque tom o diagnóstico antecipado das condições climáticas, os fazendeiros poderão evitar prejuízos, planejando melhor a época de plantio, de colheita, bem como o período indicado para a aplicação de fertilizantes e defensivos agrícolas. Depois da primeira fase do Sihesp, a próxima será focada na construção de plataformas de monitoramento da qualidade da água em rios e oceano. No entanto, a concretização de todas as fases do projeto está intrinsecamente ligada à captação de ver. "Vamos buscar recursos nos fundos do Ministério de Tecnologia", disse o pesquisador. Embora não tenha revelado o número exato, Massambani acredita que o projeto deva ultrapassar os R$ 40 milhões.

Na corrida pela precisão meteorológica, também há diversas empresas privadas. A Climatempo Meteorologia é um exemplo disso. Recentemente, ela firmou parceria com a Semp Toshiba, empresa do ramo de tecnologia, para melhorar a sua performance. Com o novo sistema, que teve da Universidade Federal do Rio de Janeiro e custo de R$ 50 mil, a Climatempo conseguiu reduzir para uma hora a previsão de clima para 15 dias, que antes demandava no mínimo três dias. Outro avanço é que o projeto permitirá previsões meteorológicas localizadas. Enfim, tudo indica que, daqui para frente, as condições climáticas deixarão de ser uma caixinha de surpresa.