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O Imparcial (Presidente Prudente, SP) online

Alagamentos em Presidente Prudente precisam ser debatidos e contornados

Publicado em 14 abril 2015

As mudanças climáticas, a cada dia, são mais perceptíveis. Os fenômenos da natureza estão mais intensos e a ocupação desenfreada tem tornado a regeneração do meio ambiente mais difícil, para não dizer, impossível. Diversos estudos demonstram que é preciso, urgentemente, tomar medidas para evitar qualquer nova degradação ambiental, além de coibir práticas ilícitas que contribuam para a emissão de gases poluentes. No entanto, basta voltar a um passado não tão distante para perceber que as ações humanas são as principais causas dos problemas enfrentados atualmente no que diz respeito à situação urbanística.

Um novo levantamento divulgado por este diário revela medidas que devem ser adotadas pelo Executivo para tentar conter os alagamentos que acometem Presidente Prudente nos dias de temporais. O estudo “A construção da paisagem de fundos de vale em cidades do oeste paulista” constatou que alguns municípios do interior de São Paulo, entre eles a capital da Alta Sorocabana, esconderam seus rios, canalizando os cursos d’água que cortam os trechos urbanos, que ficaram camuflados, quase invisíveis aos olhos.

Em Prudente avaliou-se que a canalização dos córregos do Veado, Saltinho e Colônia Mineira é a razão de alagamentos que ocorrem nesses pontos em dias de chuvas volumosas, fazendo com que as galerias subterrâneas transbordem. A pesquisadora Norma Regina Truppel Constantino, chefe do Departamento de Arquitetura, Urbanismo e Paisagismo da Unesp (Universidade Estadual Paulista), campus de Bauru, conduziu a pesquisa que contou com o apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

Para ela, Prudente precisaria “reabrir” as construções que canalizaram os córregos – como é o caso do Parque do Povo – renaturalizando-os e recuperando a mata ciliar de suas margens. Frisa que, ao promover essa medida, a vegetação conseguiria absorver a chuva, de modo que as águas chegassem ao subsolo, evitando uma vazão maior do que a capacidade de armazenagem desses rios canalizados. Avalia ainda que “Prudente não valoriza seus córregos”, visto que os escondeu, no lugar de torná-los visíveis. “A cidade vai crescendo e se tornando cada vez mais impermeável e não tem como a água da chuva penetrar no solo”, pontua.

O titular da Sosp (Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos), Rodnei Rena, relata que a prefeitura tem intenção de sanar os problemas de alagamentos nos pontos da cidade, dentre eles, o Parque do Povo. Pontua, no entanto, grande dificuldade de conseguir firmar um convênio para angariar verbas para investir nas obras necessárias. O secretário ainda destaca a mudança na intensidade dos fenômenos naturais como causa de danos de maiores proporções.

Independente das medidas que serão tomadas, de imediato ou não, a discussão sobre este assunto é urgente. A cada nova tempestade, comerciantes, esportistas, ambientalistas, e todos os demais usuários do Parque do Povo, ficam apreensivos como o que pode acontecer. O mesmo ocorre com os moradores de outros pontos “críticos da cidade”. Realizar novos levantamentos, arrolar as ações que podem ser desenvolvidas e buscar recursos devem ser apenas os primeiros passos para tentar resolver um imbróglio que há anos incomoda e entristece os prudentinos.