Notícia

Meu Próprio Negócio

Ajuda para inovar

Publicado em 01 setembro 2011

Por Por Evandro Furoni

Ao empreender, inovar é sempre um importante aliado para alcançar o sucesso. Mas quem já tentou desenvolver algo inovador, por mais prático e funcional que seja, sabe o quanto pode ser difícil tirar do papel uma idéia, nunca antes pensada ou testada e colocá-la em prática. A começar pelo capital a ser empregado no novo projeto.

Para viabilizar uma idéia inovadora, uma das alternativas é o Núcleo de Inovação da Unicamp, dedicado a estimular a criação e proteger o desenvolvimento de novas empresas de base tecnológica por meio da oferta de infraestrutura e de capacitação tecnológica e gerencial para novos empreendedores.

Em entrevista à Meu Próprio Negócio, Davi Sales, gerente da Incubadora de Empresas de Base Tecnológica da Unicamp (Incamp), fala sobre como as Diretrizes para o Sistema de Gestão da Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), aprovada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), e em fase de consulta pública, devem ajudar na conquista de financiamento, quais são as principais dificuldades que um empreendedor enfrenta ao buscar o financiamento de um projeto de inovação e o que deve ser feito para que a sua idéia não se perca por falta de recursos.

Meu Próprio Negócio - O que pode ser definido como um projeto de inovação?

Davi Sales - Um projeto de inovação pode tratar de uma nova técnica ou de um modelo de negócio, radical ou incrementai, que apresente algo novo e gere maior valor econômico.

MPN - Quais são as principais dificuldades enfrentadas pelos empreendedores nesse sentido?

DS - A maior dificuldade é a inserção no mercado, pois, como se trata de inovação, nem sempre o empresário sabe como introduzir e vender algo que o cliente não entende muito bem.

MPN - Como as Diretrizes para o Sistema de Gestão da Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I), aprovada pela ABNT, e em fase de consulta pública, podem ajudar o empreendedor?

DS - O objetivo dessa diretriz é nivelar o conceito de pesquisa, desenvolvimento e inovação entre os setores interessados, como empreendedores, investidores, órgãos de fomento e de controle. Isso será bom também para os pequenos empreendedores, pois facilitará a redação dos projetos de pedido de financiamento, utilizando-se da terminologia correta.

Esse caráter de nivelamento dos conceitos em todas as instâncias é muito interessante, porque, muitas vezes, há compreensões diversas entre órgãos de conceitos relacionados à inovação, por exemplo, pelos Tribunais de Contas e pelas agências financiadoras.MPN - Quer dizer que, com as novas diretrizes, será mais fácil apresentar e avaliar se o projeto merece incentivo e é inovador?

DS - Muitos empreendedores de empresas de base tecnológica são pesquisadores que conhecem bem o projeto tecnicamente, mas, ao redigir o projeto, não conseguem traduzir adequadamente o que é pesquisa, o que é desenvolvimento e, principalmente, qual é a inovação que estão agregando. Os avaliadores, por outro lado, só têm o projeto escrito para avaliar, eles não têm contato com o empreendedor, tampouco conhecem o potencial técnico envolvido no projeto. Por isso, é importante que tanto o avaliador quanto o proponente tenham bem definidos os conceitos de pesquisa, desenvolvimento e inovação. Com as diretrizes, ambos poderão recorrer ao mesmo conceito.

MPN - Você pode apontar as alternativas que um empreendedor tem para obter financiamento para algum processo de inovação?

DS - Atualmente, as alternativas mais difundidas no Brasil vêm da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), das Fundações e Entidades de Amparo à Pesquisa (por exemplo, em São Paulo, a FA-PESP), além do BNDES.

MPN - Quais as principais dificuldades para ter êxito em obter recursos?

DS - Para o empreendedor, as principais dificuldades estão relacionadas a entender as regras da linha de financiamento, escrever" bem o projeto e buscar as parcerias necessárias.

MPN - Que conselho você daria para um pequeno empreendedor que busca financiamento?

DS - A melhor alternativa é procurar a orientação de outras empresas que já obtiveram o financiamento.

MPN - Hoje, quais são os setores que mais recebem financiamento?

DS - São os de Biotecnologia e Tecnologia da Informação (TI).

MPN - O quanto o apoio de financiamento é importante para o desenvolvimento do empreen-dedorismo brasileiro?

DS - É fundamental, principalmente o não-reembolsável, que é

utilizado para demonstrar a viabilidade técnica do produto.

MPN - Na sua opinião, existem programas de apoio à inovação suficientes no País? Poderia dar exemplo de alguns?

DS - Existem suficientes, mas eles têm que melhorar sua eficiência. A FINEP e as FAPs (Fundações de Amparo às pesquisas) têm vários programas, e os governos estaduais e municipais apoiam a formação de pólos e parques tecnológicos. O grande problema é que não há continuidade e nem um calendário fixo para as ações.

MPN - Como o empreendedor deve fazer para se informar sobre as oportunidades de financiamento?

DS - Para conhecer as oportunidades de financiamento, o melhor veículo é a internet. O empreendedor deve sempre visitar os sites, * como o da FINEP, FAPESP, SEBRAE,* Governo Estadual, CNPq, BNDES, e o boletim da ABIPTI - www.abipti. org.br, que sempre indica os Editais abertos, entre outros.

MPN - Como o empreendedor pode obter a ajuda da Incamp?

DS - A Incamp é um ambiente que estimula a criação e protege o desenvolvimento de novas empresas de base tecnológica. Ajuda o empreendedor por meio da oferta de infraestrutura e de capacitação tecnológica e gerencial. A incubadora está localizada dentro da Unicamp, desse modo, as empresas incubadas se beneficiam da proximidade dos laboratórios e dos recursos humanos da Universidade e de um ambiente inovador, propiciado pela atuação em rede da Agência de Inovação Inova Unicamp. A estrutura física da incubadora tem capacidade para abrigar até nove empresas residentes. Adicionalmente, a Incamp atende nas modalidades: incubação não residente e pré-incubação. Na incubação não residente, a empresa incubada dispõe dos mesmos benefícios da empresa residente, embora não ocupe uma instalação física dentro da universidade. Na modalidade de pré-incubação, os empreendedores obtêm orientação para elaborar um plano de negócios e se prepararem para uma futura incubação.

MPN - Quais são os critérios de seleção?

DS - A seleção para ingresso na Incamp acontece por meio de editais. O edital recebe propostas em três modalidades: incubação residente, incubação não residente e pré-incubação. Os critérios de seleção das propostas envolvem análise da viabilidade técnica e comercial do projeto, produto ou processo, identificação do potencial de interação com a universidade e constatação do conteúdo tecnológico e grau de inovação, entre outros.