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Agência Gestão CT&I

Água residual de suco de laranja é opção para produzir energia elétrica

Publicado em 20 fevereiro 2015

A busca por novas fontes alternativas para a geração de energia elétrica é um dos desafios de cientistas mundo afora. No Brasil, diante da escassez de chuvas para abastecer os reservatórios das hidrelétricas nossa principal fonte na região Sudeste, essa premissa torna-se cada vez mais importante. Na unidade de Araraquara da Universidade Estadual Paulista (Unesp), pesquisadores estudam a viabilidade de usar a água residuária de suco de laranja para obter hidrogênio, que seria usado para abastecer as indústrias onde ele é produzido.

Este gás pode ser usado como combustível para gerar energia. Seria uma fonte renovável, inesgotável e não poluente. A região de Araraquara, por ser grande produtora de laranja, se mostra propícia para os estudos com os resíduos da indústria de suco de laranja. A opção por trabalhar com hidrogênio se deve ao fato de este gás ter potencial energético três vezes maior que os hidrocarbonetos derivados de petróleo e o gás metano, além de ser quatro vezes mais energético que o etanol.

Segundo a pesquisadora do Centro de Monitoramento e Pesquisa da Qualidade de Combustíveis, Biocombustíveis, Petróleo e Derivados (Cempeqc) do Instituto de Química da Unesp, Sandra Imaculada Maintinguer, a ideia é reaproveitar ao máximo a energia gerada na própria indústria.

"A vantagem de produzir hidrogênio a partir de águas residuárias é aproveitar, de maneira sustentável, uma fonte de carbono que hoje está sendo descartada", explicou a pesquisadora. "Conseguimos transformar cerca de 65% desse resíduo em hidrogênio", completou.

Sandra Imaculada amplia a possibilidade de uso da possível nova tecnologia para outros setores que trabalham com águas residuárias, como as indústrias de refrigerantes, cervejas e sucroalcooleiras.

Devido ao alto custo de armazenamento e transporte do hidrogênio, seria inviável uma ampliação do uso em massa dessa matriz energética em substituição à fonte hidrelétrica.

(Agência Gestão CT&I, com informações da Agência Fapesp)