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Agrotóxicos na berlinda

Publicado em 18 outubro 2018

Uma das maiores potências agrícolas do planeta, o Brasil também se destaca por ser um dos grandes consumidores de agrotóxicos, substâncias químicas ou biológicas que conferem proteção às lavouras contra o ataque e a proliferação de pragas, com insetos, fungos, bactérias, vírus, ácaros, nematóides (parasitas que atacam as raízes das plantas) e ervas daninhas. A venda desses produtos no país movimenta em torno de US$ 10 bilhões por ano, o que representa 20% do mercado global, estimado em US$ 50 bilhões. Em 2017, os agricultores brasileiros usaram 540 mil toneladas de ingredientes ativos de agrotóxicos, cerca de 50% a mais do que em 2010, segundo dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama), ligado ao Ministério do Meio Ambiente (ver infográfico neste artigo). Ingrediente ativo é a substância responsável pela atividade do produto.

O emprego em larga escala desses produtos, também conhecidos como pesticidas, agroquímicos e defensivos fitossanitários ou agrícolas, é fruto de diversos fatores. Por ser um país tropical, a agricultura brasileira não conta com o período de inverno para interromper o ciclo das pragas, como ocorre em países de clima temperado. O aumento do uso desses produtos está relacionado à evolução da produção agrícola – a safra de grãos saltou de 149 milhões de toneladas em 2010 para 238 milhões em 2017 – e da expansão no país da monocultura, sistema que altera o equilíbrio dos ecossistemas e afeta a biodiversidade, favorecendo o surgimento de pragas e doenças.

Se, por um lado, o uso de pesticidas aumenta a eficiência do campo, conferindo ao Brasil a liderança na produção de importantes culturas agrícolas, por outro gera preocupação pelos prejuízos que podem causar ao ambiente, em função dos riscos de contaminação do solo e de mananciais, e à saúde da população, notadamente a dos trabalhadores que lidam com essas substâncias e a de comunidades rurais situadas próximas às plantações.

Relatório divulgado no ano passado por especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) estimou que cerca de 200 mil pessoas morrem anualmente no mundo vítimas de envenenamento agudo por pesticidas – basicamente trabalhadores rurais e moradores do campo. No Brasil, 84,2 mil pessoas sofreram intoxicação após exposição a defensivos agrícolas entre 2007 e 2015, em média 25 intoxicações por dia, conforme dados do Relatório Nacional de Vigilância em Saúde das Populações Expostas a Agrotóxicos 2018, elaborado pelo Ministério da Saúde.

O artigo em questão, parcialmente aqui transcrito em seu inicio, traz vários gráficos e tabelas demonstrativos sobre o uso e dados concernentes ao acima descrito, devendo ser buscado na integra na fonte citada, para melhor elucidação da gravidade do tema.

Fonte: Revista Pesquisa FAPESP – Setembro de 2018 – Ano 19 N 271 (Artigo de Capa). Pode ser acessado via Web em : WWW.REVISTAPERQUISA.FAPESP.BR