Notícia

Jornal de Piracicaba

Agronegócio sustentável amplia mercado

Publicado em 11 outubro 2009

Por Cristiane Bonin / Camila Souza

A atuação do engenheiro agrônomo modificou-se com as transformações da atividade rural que culmiram na solidificação do agronegócio sustentável. Na primeira metade do século 20, o profissional era focado no aumento da produção. Hoje, o agrônomo está encaixado em funções nas multinacionais, em pesquisas acadêmicas e laboratoriais, na consultoria de vendas e na assistência no campo. Amanhã, dia 12, é celebrado o Dia Nacional do Engenheiro Agrônomo, data em que a profissão foi regulamentada há 76 anos.

Otto Breitschwerdt, 42, diretor comercial no distrito São Paulo da Caterpillar Brasil, aponta que o trabalho em uma multinacional é repleto de oportunidades. "No meu caso particular, já passei por demonstração de produtos, vendas, pós-vendas e desenvolvimento de novos produtos."

O executivo da multinacional formou-se em 1989 na Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz) e, para encarar toda essa trajetória, fez vários cursos nos Estados Unidos. Junto com a bagagem profissional veio a cultural, com oportunidades de conhecer lugares e culturas que jamais imaginou. "A variedade de possibilidades do trabalho faz com que o dia a dia nunca fique monótono."

A doação ao trabalho também acontece no meio acadêmico. José Roberto Postali Parra, 65, é hoje coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Semioquímicos na Agricultura, coordenador adjunto da área de ciências da vida no campo de agronomia da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), membro do comitê assessor na área de agronomia sobre assuntos de entomologia do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

Mas para chegar a esse status, ele relata que é preciso muita dedicação. "O emprego na academia mudou após a abertura de cursos de pós-graduação na década de 60. O segmento passou a exigir um pessoal mais qualificado e, hoje, a vida acadêmica só começa para aqueles com mais de 30 anos. É uma profissão extremamente sacrificante, pois demanda atuação nas áreas de ensino, pesquisa e extensão."

O agrônomo Claudemir Langoni, 50, formado em 1981 pela Esalq, dá assistência no campo e faz consultoria de vendas de herbicidas. Decidido desde a graduação que queria trabalhar diretamente com a terra, ele partiu para estágios em propriedades rurais, destilarias e usinas de cana-de-açúcar.

"Para trabalhar no campo tem que gostar do contato com a lavoura, e o laboratório do agrônomo é o campo. É na terra que as coisas acontecem e também é na propriedade rural que temos contato com o homem do campo. Nesta relação, a humildade do agrônomo é importante para sempre aprender com quem vive o dia a dia da terra", diz Langoni.

As multifacetas da profissão também chegaram à área ambiental. O agrônomo Ricardo Schmidt, graduado em 1987 também pela Esalq, começou no movimento ambientalista dentro da faculdade e participou da Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento, a Rio 92. Hoje presidente da Florespi (Associação de Recuperação Florestal da Bacia do Rio Piracicaba e Região), Schmidt fala da amplitude que tomou o agrônomo na relação com a natureza.

"O processo do agronegócio abriu campo para um trabalho complexo e sustentável. Atualmente, a propriedade deixou de ser somente uma questão agrária para ser enxergada como um todo. A percepção ambiental que permeou a profissão trouxe áreas como uso e conservação do solo e dos recursos hídricos, recuperação da mata ciliar, produção de mudas nativas e zoneamento agroecológico."

 

Oportunidades estão no Brasil, diz Dechen

O Brasil é o melhor mercado profissional para os engenheiros agrônomos, afirma Antonio Roque Dechen, diretor da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz). No contexto da terra e da produtividade, ele defende que a profissão tem um horizonte em expansão para o conhecimento e tecnologia do agronegócio.

Dechen relata que o número de missões que tem recebido na condição de diretor da escola traduz o Brasil como referência no setor. "Comparando o volume de visitas na gestão passada, a procura multiplicou por 100."

Frente ao cenário brasileiro, Dechen aponta que a demanda por profissionais qualificados e globalizados com visão de futuro e de sustentabilidade serão encaixados nas diferentes áreas de conhecimento, tanto econômica, como social e ambiental.

A força dos agrônomos deve contribuir para agregar valor às commodities. "É necessário distribuir os ganhos por toda a cadeia produtiva dentro das vertentes de sustentabilidade, certificação e rastreabilidade, a fim de ofertar produtos de qualidade tanto no mercado interno como no externo."

O impulso para os agroônos ainda tem uma ajuda da natureza. Dechen destaca que o Brasil tem sol todos os dias, energia necessária para a transformação em biomassa. Outro atributo é a própria existência da Esalq, colocada em primeiro lugar em um ranking para o Bric-Brasil, Rússia, índia e China, o grupo de países emergentes.

Para quem pretende ingressar na área, o presidente da comissão de graduação da Esalq, Quirino Augusto de Camargo Carmello, informa que o aluno deve gostar de disciplinas como física, química, matemática e biologia. "Também deve ter bom conhecimento de informática e dos meios de comunicação, além de gostar de se relacionar com pessoas."

Aos recém-formados, Carmello aponta que o principal desafio da profissão está nas atividades de produção de fibras, alimentos e energia com qualidade de forma técnica e sustentável, conseguindo a máxima produção econômica e afetando ao mínimo o equilíbrio da natureza. (CB)

 

Esalq oferece cursos para idosos

Estão abertas as inscrições para o curso Como as Plantas Funcionam, que será realizado na Esalq (Escola Superior de Agricultura luiz de Queiroz), de 26 de outubro a 3 de novembro. Para participar é preciso ter 60 anos ou mais, e se inscrever até o dia 23 de outubro pelo telefone 2105-8654 ou por e-mail, pelo alvendem@esalq.usp.br.O curso é gratuito e vai disponibilizar 24 vagas.

O curso tem como objetivo aproximar os idosos da universidade, apresentando aulas sobre fisiologia das plantas, com uma linguagem mais simples e de forma compacta, além de dar dicas para o cultivo de plantas em casa. Os participantes ganharão uma muda de uma planta nativa da nossa região.

"Esse é o primeiro curso deste tipo que estamos realizando, e a escolha do público-alvo está relacionada ao Dia do Idoso, que foi comemorado no último dia Io. Essa é uma forma de homenagearmos a Terceira Idade, estamos planejando tudo com muito carinho", disse Alexandre Vendemiatti, coordenador do curso de capacitação em Ecofisiologia Florestal, do Departamento de Ciências Florestais da Esalq.

Entre os temas abordados pelo curso estão: capacidade de retenção da água dos solos arenosos e argilosos; medição da transpiração e influência das condições ambientais; fatores essenciais da fotossíntese; efeito de fatores do ambiente na fotossíntese; efeito da temperatura no crescimento; entre outros.

As aulas serão ministradas pelo professor Antonio Natal Gonçalves, do Departamento de Ciências Florestais. O docente é o responsável pelo curso.