Notícia

O Diário (Mogi das Cruzes)

Agronegócio responde por 13% do PIB paulista

Publicado em 07 outubro 2018

Por Wilson Marini

O agronegócio paulista movimentou em 2017 R$ 267,9 bilhões, o equivalente a 13,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, de acordo com levantamento de pesquisadores da USP divulgado pela Agência Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Nos últimos anos, segundo o estudo, houve notável expansão do setor sucroalcooleiro no Estado. Os canaviais, que na virada do século ocupavam 12% dos 24 milhões de hectares do Estado, em 2013 chegavam a 23%. A produtividade também cresceu de 80 mil para 90 mil quilos por hectare. Além disso, São Paulo concentra 72% da produção de laranja do País, equivalente a 3% do PIB agroindustrial paulista.

Indústria potencializa

Segundo o agrônomo e economista Geraldo Sant’Ana de Camargo Barros, professor da Esalq, que também participou do estudo, a indústria da citricultura transforma um valor de R$ 1,66 bilhão da produção da laranja em R$ 1,97 bilhão de suco, o que representa uma agregação de 18,7%. Já a indústria sucroalcooleira transforma R$ 4,8 bilhões de cana em R$ 13,6 bilhões de açúcar e etanol, quase triplicando o valor da matéria-prima.

Diversificação

Apesar dos destaques como a cana e a laranja, os especialistas consideram que a a agropecuária paulista é “bastante diversificada”, se considerado o contexto nacional. São Paulo é responsável por 25% da produção de madeira e celulose do país, 17% da produção de aves e 9% no caso do café. Das 25 culturas mais importantes do Estado, São Paulo é um dos três maiores produtores do País em 16 delas, com elevada produtividade compartivamente à média nacional. Segundo a pesquisadora Maria Auxiliadora de Carvalho, do Instituto de Economia Agrícola, o Estado participa com 11,7% da área plantada total das lavouras brasileiras, e contribui com 18% do valor da produção agrícola total do país.

Retorno da pesquisa

Cada R$ 1 aplicado em pesquisa e desenvolvimento na agropecuária, educação superior e extensão rural no Estado de São Paulo resulta em retorno médio de R$ 12 para a economia por meio do aumento da produtividade. No caso dos investimentos da Fapesp, os recursos destinados pela fundação a bolsas, projetos de pesquisa e infraestrutura nos campos da agronomia e agricultura produziram um retorno de R$ 27 para cada R$ 1 aplicado. Nas universidades públicas que formam mão de obra especializada para a agricultura, com R$ 30 restituídos para cada R$ 1 investido. Os dados constam do livro recém-lançado “Contribuição da Fapesp ao desenvolvimento da agricultura do Estado de São Paulo”, que reúne as conclusões de um projeto de pesquisa realizado entre 2013 e 2018.

Retorno da pesquisa (2)

“Hoje se diz com frequência que o agronegócio sustenta a economia brasileira em meio à crise. Isso é o resultado de investimentos em pesquisa e de políticas públicas de longo prazo, mantidas de forma razoavelmente consistente pelas instituições públicas do Estado de São Paulo nos últimos 60 anos”, diz o economista Alexandre Chibebe Nicolella, pesquisador da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto da USP, que coordenou a pesquisa com o agrônomo e economista Paulo Cidade de Araújo, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, de Piracicaba.

Máquinas em alta

A produção de máquinas agrícolas e rodoviárias atingiu 5,7 mil unidades em setembro, um aumento de 40,1% sobre igual mês em 2017, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). As vendas para as concessionárias somaram 4,9 mil unidades, aumento de 17,5% sobre setembro do ano passado.

Contra o chorume

Projeto de lei que tramita no Congresso Nacional, apresentado pelo senador Cássio Cunha Lima (PSDBPB), prevê pena de um a cinco anos de reclusão para quem derramar no solo ou em rio o chorume, líquido liberado no apodrecimento do lixo orgânico. A proposta tramita em decisão final na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), e insere a possibilidade de punição na Lei 9.605/1998 de Crimes Ambientais. Chorume é o nome dado a reações e processos físicos, químicos e biológicos originados a partir da decomposição de resíduos sólidos orgânicos, que juntamente com a água, forma um líquido escuro de odor desagradável. O objetivo do projeto é prevenir o derramamento de chorume por caminhões de lixo.

Na agenda de 2020

Uma notícia nesta sextafeira deu alívio aos gestores municipais. Foi publicada no Diário Oficial da União novo prazo para os municípios implantarem o sistema e-Social: 2020. O e-Social unifica a prestação de informações contributivas de previdência, folha de pagamento, aviso prévio, escriturações fiscais, acidente de trabalho e informações sobre o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Sua utilização já é realidade em empresas, e este ano passaria a ser obrigatória também as Pessoas Jurídicas de Direito Público, que inclui União, Estados, o Distrito Federal, Territórios, Municípios autarquias e associações públicas.