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Agronegócio é terreno fértil para o empreendedorismo

Publicado em 08 junho 2016

Além de estar sendo a exceção positiva da economia em se tratando de emprego formal, o agronegócio também vem se mostrando terreno fértil para o empreendedorismo. Evento realizado nesta semana na Fiesp foi prova disso. Batizado de “Troca de experiências – Casos de Sucesso Agro”, o seminário apresentou “cases” de três empresas do setor, que nasceram de ideias inovadoras, com caixa enxuto e que, acima de tudo, estão conseguindo crescer em meio à crise.

Augusto Quirós, sócio da Quirós Gourmet, foi o primeiro a apresentar sua empresa, que é especializada na venda de carne de cordeiro, ou como prefere dizer seu proprietário, na comercialização de uma experiência gastronômica. Quirós contou que não queria trabalhar com commodity, e por isso enveredou pela carne de cordeiro, investindo em rebanho próprio de alta qualidade genética, criado com estritos padrões de boas práticas, que pudessem resultar numa carne nobre de elevado valor agregado.

“Produzo e vendo carne de cordeiro como se fosse um chocolate fino, um presente”, disse Quirós, acrescentando que somente 8% do mercado doméstico são abastecidos pela produção nacional, o que exemplifica o potencial represado do segmento. “O Brasil ainda importa muito do Uruguai e da Nova Zelândia, por exemplo.”

Diogo Carvalho, fundador e CEO da Bug Agentes Biológicos, especializada no controle biológico de pragas, como o próprio nome já diz foi o segundo a apresentar o “case” de sua empresa. Carvalho contou que a Bug nasceu em uma incubadora dentro da Esalq e ganhou terreno por meio de programas de financiamento de fomento de instituições com a Fapesp e mais adiante com o aporte de fundos de investimento.

“Chegamos a trabalhar com crédito bancário, mas não foi a nossa alavanca, mesmo por que as instituições nem sabiam em qual linha encaixar a nossa empresa”, afirmou bem-humorado. Segundo ele, a Bug produz, basicamente, insetos que comem pragas, vespas que devoram lagartas que atacam as lavouras, especialmente de cana-de-açúcar e café. Carvalho ressaltou que o grande salto da empresa foi quando ela foi reconhecida como uma das mais inovadoras em nível mundial por uma publicação científica internacional. “A partir daí, também ganhamos mídia”, salientou, complementando que o controle biológico é o futuro da agricultura sustentável.

O último a apresentar seu “case” foi Rogério Betti, fundador do deBetti Dry Aged, comércio de carnes , que trabalha com cortes Dry Aged, conhecidos pela maturação diferenciada da tradicional. “A carne Dry Aged passa por um processo mais longo de refrigeração, ventilação e umidade, de modo similar ao que acontece com queijos finos, o que a deixa mais macia e saborosa”, explicou.

De uma família tradicional de açougueiros da capital paulista, Rogério contou que era fã da carne Dry Aged, mas que não a encontrava no Brasil. Em razão disso, começou a fazer cortes deste tipo em casa mesmo, depois de muita pesquisa online e trabalho de campo. “Fui visitar fora do País os melhores fornecedores em carnes Dry Aged, a fim de me tornar autoridade no assunto”, frisou. Segundo Rogério, a ideia, no fundo, nasceu, em 2014, como um hobby, mas a partir de algumas postagens que fez em sua conta no Instagram, ele pontuou que a coisa cresceu e virou um negócio de verdade. “Atualmente a demanda ficou tão significativa que, em muitos casos, não consigo atender todos os pedidos. O maior desafio é encontrar matéria-prima de qualidade.”

Fonte: Datagro | Transcrita do Uagro