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Agricultura precisa criar conexão com saúde e nutrição, diz especialista

Publicado em 04 outubro 2016

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A agricultura precisa criar conexão com as áreas da saúde e nutrição, a fim de se aproximar do novo consumidor/cidadão, que cada vez mais valoriza estas questões no ato de se alimentar. Foi o que destacou Fernando de Barros, gerente-executivo do Instituto Fórum do Futuro, durante palestra nesta segunda-feira (03) no Pensa, Centro de Conhecimento em Agronegócio da Fundação do Instituto de Administração (FIA), da USP. O Fórum do Futuro é um “think thank” que atua na área agroalimentar e de bioenergia, e tem como parceiros instituições de peso ligadas ao agronegócio, como Embrapa, FAO, IICA, Esalq, Ufla, entre outras.

De acordo com Barros, a agricultura tem que investir na construção de uma nova narrativa que decodifique a Ciência empregada na produção de alimentos, tendo como foco estabelecer nexo com saúde e nutrição. “Caso contrário, se o setor não fizer isso, a busca por esta relação [agricultura, saúde e nutrição] será desconstruída”, disse, acrescentando que o “conhecimento científico vem perdendo relevância para o senso comum”.

Para ilustrar seu raciocínio, o especialista citou, por exemplo, pesquisa da Fapesp, a qual mostra que somente 8% da população brasileira é capaz de entender o discurso do agronegócio, e que somente 23% relaciona Ciência a alimento. Segundo Barros, existe uma campanha contra a agricultura tecnificada, numa espécie de negação dos avanços tecnológicos. De acordo com o especialista, a agricultura tem que falar mais, por exemplo, sobre gastronomia, com o objetivo de dialogar com o público das cidades. “A grandiosidade da alimentação não vem sendo capturada pelo agro”, ressaltou.

Também presente ao evento, o ex-ministro da Agricultura, Alysson Paolinelli, enfatizou que o agronegócio precisa melhorar sua comunicação com o universo urbano. “Comunicamos mal demais com o consumidor." Na avaliação de Barros, propagandas, por exemplo, que mostram enormes boiadas seduzem quem já é da agricultura, mas não têm impacto positivo para o cidadão/consumidor urbano. Segundo o dirigente do Instituto Fórum do Futuro, é imprescindível mudar esta percepção, já que a agricultura tropical sustentável é a melhor notícia que o Brasil pode levar para o mundo.