Notícia

Informe MS

Agenda secreta da química

Publicado em 16 dezembro 2008

Em “O alkahest ou a busca do absoluto”, de A comédia humana, Balzac cutucou um nervo ainda hoje sensível para a história da ciência: o saber alquímico e a tradição hermética não foram eliminados tão facilmente pela revolução científica, mas conviveram por longos séculos, de formas diversas e em diferentes níveis.

A mais recente prova documental desses paralelos e permanências entre momentos tão diversos como aqueles em que se gerou a hermética medieval e o que deu nascimento à ciência moderna acaba de ser descoberta, em Londres, nos arquivos da Royal Society, por Ana Maria Alfonso-Goldfarb e Márcia Ferraz, ambas do Centro Simão Mathias de Estudos em História da Ciência (Cesima), da PUC-SP.

Trata-se de série de documentos do século 17, dados como perdidos, em que membros da venerável instituição britânica, uma pioneira na promoção do saber científico moderno, discutem o lendário alkahest (e a sua “receita”), o hipotético “solvente universal” alquímico que poderia dissolver qualquer substância, reduzindo-a em seus componentes primários.

Ana é coordenadora do Projeto Temático, apoiado pela Fapesp (Fundação de Aparo à Pesquisa do estado de São Paulo), “As complexas transformações da ciência da matéria: entre o compósito do saber antigo e a especialização moderna”. Foi justamente fazendo pesquisas para o projeto, em Londres, que as pesquisadoras, após um intenso trabalho de busca, encontraram os documentos.

“Fizemos questão de compartilhar esse achado com a Royal Society e, em meados do ano que vem, ao lado do professor Piyo Rattansi, do University College London, que nos ajudou na transcrição e análise da documentação, vamos apresentar os manuscritos redescobertos, bem como iremos publicar um artigo sobre esse achado na revista Notes and Records of the Royal Society”, conta Ana.

Fonte: Agência Fapesp