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Direto da Ciência

Agência vai conectar ciência e imprensa

Publicado em 11 fevereiro 2020

Por Eduardo Geraque

Plataforma Bori fornecerá para a jornalistas informações de apoio à divulgação da produção científica brasileira.

Como não existem boas reportagens e análises sem bom conteúdo – é bom que se ressalte isso, ainda mais em tempos de fake news –, a proposta da Agência Bori, que será lançada amanhã (quarta-feira, 12/fev) em um evento em São Paulo, tem tudo para potencializar a produção da ciência brasileira nas mais diversas plataformas de informação do país.

O momento Eureka! da jornalista Sabine Righetti surgiu em 2011, quando ela dividia sua rotina diária entre as reportagens sobre ciência no jornal Folha de S.Paulo e as obrigações como aluna de doutorado da Unicamp, onde precisava somar horas de estágio como auxiliar de docência. Em uma das aulas, a discussão sobre jornalismo científico abordou o serviço EurekAlert, que existe nos Estados Unidos para distribuir, entre jornalistas cadastrados, artigos científicos que ainda serão publicados em periódicos indexados. “Um dos alunos virou para mim e perguntou: Por que não um EurekAlert no Brasil”? Desde aquele dia, segundo Sabine, ela passou a perseguir a ideia de lançar um serviço parecido no Brasil.

O nome Bori é uma homenagem à primeira presidenta da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a psicóloga e professora da USP Carolina Bori (1924-2004), que dirigiu no triênio 1987-1989 a instituição criada em 1949.

Estudos inéditos

Os jornalistas que se cadastrarem na plataforma, e mais de cem já fizeram isso mesmo antes do lançamento oficial, terão acesso a artigos científicos originais antes da publicação. Além disso, também receberão resumos explicativos dos trabalhos e, muito importante em tempos de redações cada vez mais sucateadas, os contatos dos principais autores dos trabalhos científicos. “Nós vamos distribuir as pesquisas feitas no Brasil por instituições nacionais. Os autores, ao atenderem os jornalistas, já foram preparados para transmitir as informações”, diz Sabine.

O projeto também é gerenciado pela biomédica Ana Paula Morales, que, assim como Sabine, é pesquisadora do Laboratório de Estudos Avançados de Jornalismo Científico da Unicamp (Labjor).

Quando começar a rodar, a Bori vai distribuir três estudos inéditos toda semana. O material terá datas de embargo, que indicam aos jornalistas a partir de quando aquela notícia pode ser divulgada tanto em meios impressos quanto eletrônicos. Processo igual ao que ocorre nos grandes serviços de distribuição de informação científica para jornalistas no mundo. Além do EurekAlert nos Estados Unidos, que serviu de modelo para a Bori, também existe o Alphagalileo na Europa.

Os grupos responsáveis pelas mais famosas publicações científicas globais, como os que editam as revistas Nature e Science, também possuem serviços semelhantes. As datas de embargo, que na Bori serão às segundas e sextas-feiras, são importantes para que todos os jornalistas tenham o mesmo tempo para preparar suas reportagens.

Abrangência nacional

Segundo Sabine, quem navegar pelo site da Bori a partir desta quarta (12) vai encontrar 40 releases sobre pesquisas científicas brasileiras recentemente publicadas. Os temas são variados e vão desde obesidade mórbida a emissão de carbono pelo transporte público. A curadoria do conteúdo vai buscar informação de qualidade em todas as regiões do país. Instituições como Fiocruz, Embrapa, Universidade Federal de Santa Maria ou Universidade Estadual de Roraima terão trabalhos divulgados no primeiro conjunto de artigos distribuídos pela agência de comunicação.

Participam da Bori, em um primeiro momento, 80 revistas científicas nacionais importantes indexadas na biblioteca eletrônica SciELO, parceira da iniciativa. O projeto da agência de distribuição de estudos científicos a jornalistas tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e do Instituto Serrapilheira, que visam aprimorar a qualidade do jornalismo científico nacional.