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Agência FAPESP publica trabalho sobre raias, de pesquisador que faz pós-doutorado na Unisanta

Publicado em 15 julho 2019

Por André Julião | Agência FAPESP

“Com baixo valor comercial, as raias são frequentemente capturadas em grande quantidade ao ficarem presas, acidentalmente, nas redes de pescadores que buscam outras espécies mais valorizadas. Embora involuntária, um novo estudo indica o impacto da pesca de raias na biodiversidade marinha”.

Assim começa a matéria do jornalista André Julião, da Agência FAPESP, sobre análises genéticas de 228 raias capturadas por pescadores artesanais e por pequenos barcos industriais no Sudeste do Brasil entre 2012 e 2018. Segundo a pesquisa, das raias capturadas 101 faziam parte de lista de espécies globalmente ameaçadas de extinção, e 131 têm a pesca e comercialização proibidas no país.

O estudo, feito por pesquisadores do Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), da Universidade Santa Cecília (Unisanta) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp), Campus de Botucatu, foi publicado na revista Genes (https://www.mdpi.com/journal/genes). Entre os pesquisadores, está Matheus Marcos Rotundo, coordenador curador do Laboratório de Pesquisas Biológicas do Acervo Zoológico da Unisanta.

Segundo os autores, as coletas ocorreram durante o desembarque de barcos de pesca artesanal e industrial, de pequeno e médio porte, que atuam ao longo do litoral do Estado de São Paulo. “Os pesquisadores retiraram pequenos pedaços de músculos e de nadadeiras das raias capturadas a fim de realizar as análises de DNA”.

“Muitas vezes as raias já estavam cortadas. É uma prática que serve para facilitar a conservação do pescado a bordo, mas também para burlar uma eventual fiscalização”, disse Bruno Lopes da Silva Ferrette, primeiro autor do artigo e atualmente realizando estágio de pós-doutorado na Unisanta, em Santos”. O estágio de Bruno é realizado no Laboratório de Genética e Conservação da Unisanta, na sala 82-B.

De acordo com a matéria publicada pela Agência Fapesp, “o trabalho alerta para a necessidade de uma fiscalização mais efetiva da atividade pesqueira no Brasil e demonstra o potencial da aplicação de técnicas genéticas para realizar estatísticas pesqueiras mais precisas e de maior qualidade”.

O coordenador do estudo é Fernando Fernandes Mendonça, professor do Instituto do Mar da Unifesp. O objetivo foi criar um banco genético de elasmobrânquios do Brasil, grupo de peixes composto por raias e tubarões. Foram colhidas amostras “praticamente do mundo inteiro”, conforme a pesquisa.

“No mundo, pelo menos 90% das espécies de elasmobrânquios estão na lista vermelha de espécies ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), índice que é referência global no assunto”.

“Há algumas possíveis razões para isso. Podem ser espécies ainda não descritas formalmente, algumas delas sem dados de referência em bancos de dados genéticos devidamente depositados ou mesmo espécies tão próximas geneticamente que apenas a técnica do DNA barcoding, que utiliza apenas um gene, não consegue diferenciá-las”, disse Ferrette.

Segundo os autores, há pelo menos 10 anos não há informe das estatísticas pesqueiras brasileiras em nível nacional, ficando a critério de cada Estado fazer esse tipo de levantamento. Porém, mesmo nos que o realizam, como o Estado de São Paulo, não há dados detalhados do pescado em nível de espécie, mas em categorias genéricas como cação, raia, pescada, entre outros. “Isso compromete severamente os esforços para a gestão sustentável da atividade pesqueira”, disse Ferrette à Agência Fapesp.

O artigo DNA Barcode Reveals the Bycatch of Endangered Batoids Species in the Southwest Atlantic: Implications for Sustainable Fisheries Management and Conservation Efforts (doi: https://doi.org/10.3390/genes10040304), tem como autores Bruno Lopes da Silva Ferrette, Rodrigo Rodrigues Domingues, Matheus Marcos Rotundo, Marina Provetti Miranda, Ingrid Vasconcellos Bunholi, Juliana Beltramin De Biasi, Claudio Oliveira, Fausto Foresti e Fernando Fernandes Mendonça, está publicado em: www.mdpi.com/2073-4425/10/4/304/htm.