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Agência Gestão CT&I

África é crucial para Brasil exercer liderança em biocombustíveis, aponta estudo

Publicado em 25 janeiro 2017

Os biocombustíveis ainda representam uma oportunidade para o Brasil exercer sua capacidade de liderança global no setor de energia renovável. Mas o país precisa ter a África como parceira para promover o aumento da escala de produção e o comércio internacional de etanol da cana-de-açúcar. E, antes, é preciso superar obstáculos internos à implementação de uma política de energia limpa.

A avaliação foi feita por pesquisadores do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia do Etanol e do Centro de Processos Biológicos e Industriais para Biocombustíveis (CeProBIO), em estudo publicado na revista Global Environmental Politics. Conforme a pesquisa, o país desenvolveu conhecimento científico e tecnológico para o melhoramento de cana e produção de etanol. Esse conhecimento precisa ser difundido para outros países por meio de transferência de tecnologia, intercâmbio de melhores práticas e investimentos no setor privado.

Dessa forma, é possível transformar o Brasil em um líder mundial em bioenergia e criar um mercado global de biocombustíveis, com diversos países não apenas consumindo, mas também produzindo combustíveis renováveis, que representam os objetivos centrais da “diplomacia do etanol” - como ficou conhecida a política lançada durante o primeiro governo Lula (2003-2006) para promover a produção de biocombustíveis, especialmente o etanol, no mundo.

“O continente africano é vital para que o Brasil consiga realizar essas ambições da ‘diplomacia do etanol’ porque possui condições climáticas e agrícolas favoráveis e disponibilidade de terra para o plantio de cana”, disse Marcos Buckeridge, um dos pesquisadores do CeProBIO. “A replicação do modelo de produção do etanol brasileiro em savanas africanas, por exemplo, representaria uma oportunidade de o Brasil demonstrar sua liderança e aumentar sua visibilidade, posicionando-se de forma estratégica em um mercado global emergente”, avaliou.

Mudanças de planos

Em razão do papel crucial da África, o país procurou estabelecer uma série de parcerias bilaterais com nações africanas a partir dos anos 2000. No entanto, condições climáticas desfavoráveis, combinadas com a crise econômica global em 2008 e políticas adotadas pelo governo Dilma – que, para controlar a inflação, nivelou os preços da gasolina e do diesel e cortou impostos da gasolina, mas não do etanol –, fizeram com que o setor sucroenergético brasileiro mergulhasse em uma crise.

Consequentemente, houve uma diminuição no entusiasmo por biocombustíveis também na África nos últimos anos, apontaram os autores da pesquisa com base em uma série de entrevistas feitas com integrantes da cadeia de biocombustíveis no Brasil, África e União Europeia. “Quando se começou a abandonar o etanol no Brasil e a privilegiar o petróleo, a partir da descoberta do pré-sal, diminuiu a confiança dos africanos que começaram a procurar novos parceiros, como a União Europeia”, disse Buckeridge.

A liderança brasileira em biocombustíveis nos últimos anos foi comprometida pela mudança significativa na percepção internacional dos combustíveis renováveis e pela dinâmica da política e da economia global, apontam os autores. “Para o Brasil alcançar sua meta de liderança global na arena de biocombustíveis um primeiro passo vital será reconsolidar sua visão doméstica sobre esse tema. Isso permitiria ao país aproveitar as inovações tecnológicas em biocombustíveis avançados, que poderiam mudar a maré em relação aos combustíveis renováveis no cenário internacional”, estimam.

O artigo “Unpacking Brazil’s leadership in the global biofuels arena: brazilian ethanol diplomacy in Africa” pode ser lido na revista Global Environmental Politics neste link.

(Agência ABIPTI, com informações da Fapesp)