Notícia

Boletim do Acadêmico

Aerossol urbano

Publicado em 25 janeiro 2006

Os aerossóis são o tipo de poluente mais letal que existe. Por causa das emissões principalmente da frota veicular, eles estão presentes em grande quantidade na atmosfera das regiões metropolitanas. O problema é que ainda não se sabe ao certo como eles se comportam nem qual a influência que têm em termos regionais ou globais.

"O primeiro ponto importante é que já sabemos que o aerossol [partículas em suspensão na atmosfera, que podem ter diversas composições físico-químicas] prejudica a saúde das populações urbanas. Cálculos da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo mostram que 30 mil pessoas morrem todos os anos na capital paulista, por exemplo, por causa do impacto, direto ou indireto, da poluição", declarou o Acadêmico Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP).

Durante o Workshop on Air Quality Forecasting in Latin American , em 10/1, Adriana Castanho, pesquisadora do grupo de Artaxo, atualmente ligada ao Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos Estados Unidos, apresentou um modelo dinâmico para o estudo do aerossol que poderá ser muito útil nos próximos anos.

"Até 2005, não tínhamos como fazer estudos do aerossol urbano. Agora, isso é possível. Essa metodologia, que combina modelagem computacional e monitoramento do ar, além de uma alta resolução espacial, nos parece ideal", diz Artaxo. Segundo ele, com o término da validação do método, é possível programar a utilização do mesmo modelo também em cidades no Chile e no México.

O lado curioso do aerossol é não ser apenas um poluente. Ele também tem uma função benéfica para os seres humanos. "Estudos publicados em 2005 mostraram que sem o aerossol o aquecimento médio da Terra seria de 8ºC e não apenas de 2ºC a 4ºC para o próximo século. O motivo é que ele tem uma função de resfriamento", explica Artaxo. Apesar dessa contradição, o pesquisador brasileiro não tem dúvidas. "No caso da cidade, é preciso descobrir formas de combater esse poluente."

Para que medidas sejam tomadas, Artaxo acredita que o estudo do comportamento do aerossol urbano é a grande saída. "Com o nosso modelo, já é possível perceber, por exemplo, que existe um tipo de aerossol na Cidade Universitária [zona oeste da capital paulista] e outro no centro da cidade", afirma. "Estamos em uma cidade com 150 quilômetros por 150 quilômetros e que emite três vezes mais poluição do que toda a Suécia."

 Agência Fapesp