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Aeronaves para o futuro

Publicado em 10 novembro 2011

Três projetos de pesquisa financiados pelo Programa de Apoio à Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE), em parceria com a Embraer, poderão tornar as aeronaves fabricadas pela empresa brasileira mais confortáveis, silenciosas e seguras.

Os resultados parciais dos projetos foram apresentados durante o Workshop FAPESP-ABC sobre Pesquisa Colaborativa Universidade-Empresa, encerrado em São Paulo. O programa PITE, iniciado em 1995, tem apoiado projetos de pesquisa desenvolvidos em cooperação entre centros de pesquisa de empresas e instituições acadêmicas e institutos de pesquisa, em regime de cofinanciamento entre a Fundação e as empresas.

Jurandir Itizo Yanagihara, professor da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP), apresentou durante o evento o projeto "Conforto de cabine: desenvolvimento e análise integrada de critérios de conforto".

Segundo ele, o projeto - que envolve a USP, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) - realiza diversos estudos voltados para incorporar às aeronaves tendências inovadoras de conforto no interior da cabine das aeronaves.

"A construção de uma aeronave tem requisitos de mercado, de estrutura, mas também de conforto. Dentro desse aspecto do conforto, estudamos parâmetros operacionais como o conforto térmico, a pressão, o ruído, a vibração, a ergonomia e até o odor dentro da cabine", disse Yanagihara.

Segundo ele, o foco principal é integrar os vários aspectos do conforto humano e estabelecer critérios que serão utilizados como parâmetros de projeto e design. Os cientistas desenvolveram um ambiente que simula uma cabine, especialmente construído para que a integração seja possível.

"Esse equipamento é muito sofisticado e é o segundo a ser construído no mundo. Só existe outro semelhante no Instituto Fraunhofer, na Alemanha. Ao fim do estudo, o objetivo é que não tenhamos apenas resultadas de cada tecnologia, mas uma análise integrada, medindo como cada critério afeta o resultado final de conforto. A primeira fase terminará no início de 2012, com um pacote de análise integrador", explicou.

Uma das tendências identificadas pelo projeto, segundo Yanagihara, é a criação de espaços individualizados nos aviões e, em grandes aeronaves, espaços alternativos para interação entre os passageiros.

"A tendência é fazer com que as pessoas tenham um espaço adequado para descansar ou trabalhar. A iluminação também é um dos critérios que nós trabalhamos, analisando o uso de leds para proporcionar modificações no ambiente", declarou.

Nos estudos sobre o ambiente térmico, por exemplo, os pesquisadores conseguem simular temperaturas de 14 a 37 graus na cabine e nas paredes internas e variar a umidade relativa de 12 a 70%.

"Há muitos outros estudos, que vão do microclima no assento, até o estudo dos efeitos de pressão de cabine - feitos com um modelo de cavidade timpânica - passando por aspectos psicofisiológicos, isto é, uma avaliação de como o passageiro percebe o conforto", disse. (AF)