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FAPEAM - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas

Aeronaves de pesquisa sobrevoarão a Amazônia para coletar dados sobre a floresta

Publicado em 19 fevereiro 2014

19/02/2014 - Pela primeira vez, em um período de 20 anos, uma aeronave de pesquisa internacional foi autorizada pelo governo federal a entrar no espaço aéreo brasileiro. A aeronave Gulfstream ARM 1, conhecida como G-1, do Departamento de Energia dos Estados Unidos (DoE/EUA) será utilizada para verificar o potencial de crescimento urbano em áreas ambientais, especialmente na Amazônia, e analisar a interação da floresta amazônica com a atmosfera.

As pesquisas serão realizadas no âmbito do programa de pesquisas Green Ocean Amazon (GOAmazon) com um aporte financeiro de R$ 24 milhões das Fundações de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM), por meio do Governo do Estado; de São Paulo (Fapesp), e do DoE. “Essa é a primeira aeronave de pesquisa (a entrar no espaço aéreo brasileiro para pesquisas na Amazônia) em quase 20 anos. Isso representa uma mudança de paradigmas e esperamos que isso signifique um grande caminho para as pesquisas atmosféricas”, disse a pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Karla Longo.

A declaração foi dada na noite da última terça-feira (18) durante a cerimônia de apresentação do GOAmazon, realizada no auditório da Ciência do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Karla Longo, que também é membro do Comitê Científico do GOAmazon, esclareceu que a aeronave foi autorizada a entrar no espaço aéreo brasileiro em junho de 2013 e que será utilizada em, pelo menos, dois períodos. Segundo ela, neste primeiro momento serão 75 horas de voo no entorno de Manaus durante a estação úmida. “A aeronave chegou no dia 16, iremos fazer o primeiro voo técnico nos dias 20 e 21 (deste mês) e no dia 27 de março a aeronave retorna para os Estados Unidos”, explicou.

A segunda etapa da pesquisa será com voos na estação seca nos meses de setembro e outubro e, além do G-1, a previsão é que seja utilizado o avião alemão High Altitude and Long Range Research Aircraft (HALO). Os aviões são equipados para coletar dados de gases, aerossóis e medidas de nuvens. As informações são coletadas em voos com duração de quatro a cinco horas.

Infraestrutura

Por meio do GOAmazon, ao longo do desenvolvimento de seis projetos de pesquisa de janeiro deste ano a dezembro de 2015, pesquisadores buscarão conhecer, em detalhes, a dinâmica da floresta amazônica e como as alterações nesta dinâmica afetam o restante da Terra.

O pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Rodrigo Souza, afirmou que quatro sítios experimentais de referência foram implantados para dar suporte às pesquisas. São eles: T0, localizado no Observatório com Torre Alta da Amazônia (Projeto ATTO), nas proximidades da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã; T1, situado das dependências do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa); T2, no município de Iranduba e o T3, localizado na Fazenda Exata, no município de Manacapuru.

Os sítios em Iranduba e Manacapuru devem ser visitados nesta quarta-feira (19) e quinta-feira (20) pelos pesquisadores do GOAmazon. “Montamos toda uma infraestrutura de, entre outros, coleta de material particulado e parâmetros meteorológicos para que as pesquisas sejam desenvolvidas”, disse.

A Fazenda Exata abriga 15 contêineres-laboratórios com uma série de equipamentos para medir, entre outros, propriedades da atmosfera, formação e desenvolvimento das nuvens, fluxos de radiação solar e atmosférica, além de variáveis meteorológicas como temperatura, velocidade e direção do vento. “Há ainda quatro torres instrumentadas, duas em Uatumã, com pesquisas entre os Institutos Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e Max Planck de Química (MPIC/Alemanha), e duas no Bosque da Ciência, no Inpa, em uma parceria entre o Inpa e a UEA”, disse.

São parceiros para a realização das pesquisas por meio do GOAmazon, as Universidades do Estado do Amazonas (UEA) e Federal do Amazonas (Ufam), de São Paulo (USP) de Harvard, os Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), de Espaço e Aeronáutica (IAE/BRA) e Max Planck de Química (MPIC/Alemanha).

Agência FAPEAM