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UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas

AEL promove seminário internacional que reflete a sua própria história

Publicado em 18 maio 2010

Está sendo promovido até quinta-feira 20 o seminário internacional Arquivo Edgard Leuenroth: história e pesquisa , com a presença de mais de 40 conferencistas - historiadores, cientistas políticos, antropólogos, sociólogos e críticos literários do Brasil, Estados Unidos, Argentina, Holanda e França, entre outros países. Com o evento, o AEL, que acaba de completar 35 anos de existência, confirma sua vocação de polo aglutinador e difusor de investigações científicas, sobretudo no campo da história social brasileira. Coube a Marcel van der Linden, diretor do Instituto Internacional de História Social de Amsterdã, conceder a conferência de abertura - História global do trabalho - na noite de segunda-feira.

O desejo de realizar um evento acadêmico desta proporção era antigo. Nele tentamos abarcar um leque de temas que expressam as mais fortes intervenções do AEL com acervos que foram fundamentais para criar sua identidade. Diria que essa trajetória está bem representada por pesquisadores de várias áreas, sobretudo da história social , afirmou Fernando Teixeira da Silva, professor do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas IFCH e atual diretor do Arquivo.

Segundo o comitê organizador, o seminário internacional busca consolidar uma tradição de trocas acadêmicas entre historiadores, cientistas sociais e dirigentes de instituições arquivísticas, além de fortalecer políticas e práticas interdisciplinares. O Arquivo pretende colocar em discussão os resultados das pesquisas que subsidia e abrir-se para novas áreas e linhas de investigação , registra-se na apresentação no evento.

Todos os temas do encontro conversam com o acervo do AEL e grande parte dos especialistas presentes fez ou ainda faz uso dele para seus trabalhos. Há convidados que dirigem grandes acervos, como Marcel van der Liden, que está à frente do maior arquivo de história social do mundo e é um parceiro desde os anos 70 na troca de microfilmes, publicações e informações , observou Elaine Marques Zanatta, diretora técnica do AEL.

Prestigiando o evento, o reitor Fernando Costa lembrou que o Arquivo, nos seus 35 anos, ganhou uma sede nova, ampla e bem equipada para poder propiciar uma melhor preservação e divulgação do seu patrimônio documental. O AEL é uma experiência extremamente bem sucedida e profícua, nascida da atitude pioneira e ousada de professores do IFCH que buscaram auxílio da Fapesp para adquirir, em plena ditadura, o acervo do pensador anarquista Edgard Leuenroth .

Ao apresentar o convidado especial da noite ao público, o professor Sidney Chalhoub, do comitê organizador do seminário, informou que Marcel van der Linden dirige um instituto cujo orçamento anual supera os 8 milhões de euros. Somente em 2008, o Instituto de História Social de Amsterdã recebeu 418 metros lineares de manuscritos e 6.000 fotografias, indexou 679 coleções e catalogou 18.400 livros e 28.000 imagens. É uma espécie de utopia para outros centros de documentação da história do trabalho e dos movimentos sociais. Se é um objetivo inalcançável para nós, pelos menos serve como eterna fonte de inspiração .

Programação

O seminário internacional Arquivo Edgard Leuenroth: história e pesquisa segue na terça, quarta e quinta-feira com as seguintes sessões: História das esquerdas , História da imigração , Fabricação das raças: conflitos e identidade , Política e sociedade no pós-1964 , Biografias e micro-história , Anarquismo e sindicalismo revolucionário , Populismo, trabalhismo, leis e direitos , Gênero e história das mulheres , Tecido memória filme , Trabalhadores, movimento operário e industrialização , Literatura, cultura e lazer , Movimentos sociais urbanos e rurais e Fontes e arquivos . Barbara Weinstein, da New York University, profere a palestra de encerramento.