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UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas

AEL Digital, vida nova ao Arquivo Edgard Leuenroth

Publicado em 22 março 2011

Por Luiz Sugimoto

AEL Digital é a nova fase que se inicia no Arquivo Edgar Leuenroth, a partir da aprovação pela Fapesp de um auxílio no âmbito do Programa Infraestrutura, no valor de R$ 560 mil, que permitirá a digitalização e acessibilidade via Internet a uma das mais importantes fontes de pesquisa e documentação social do Brasil e da América Latina. "Agora temos condições de começar este projeto idealizado há alguns anos, que implica na compra de equipamentos, processamento de todo o material e criação de base de dados, num processo bastante complexo", afirma o professor Alvaro Bianchi, diretor do AEL.

A previsão é de que até o final do semestre seja adquirida uma maquinaria composta de scanners, leitoras digitalizadoras de microfilmes, servidores e microcomputadores, impressoras e máquina fotográfica digital. Parte significativa dos recursos será destinada à reformatação em CD de fitas K7 e VHS, além de discos em vinil. "São máquinas capazes de digitalizar em grandes quantidades e em velocidade considerável, além de possuirmos uma equipe técnica muito qualificada", diz Bianchi.

A proposta aprovada pela Fapesp representa apenas o início do projeto AEL Digital, com a digitalização até janeiro de 2012 de três conjuntos significativos do acervo: a parte em papel do Fundo Teatro Oficina, que traz ainda uma coleção de filmes; os jornais Folha do Braz, A Plebe e A Lanterna, que foram dirigidos pelo anarquista Edgard Leuenroth e são parte de uma coleção pessoal com a qual se fundou o AEL; e 176 metros lineares de processos e anexos da Coleção Brasil Nunca Mais, um dos acervos mais acessados nos últimos anos, por conta da política nacional de direitos humanos e de reparações por crimes da ditadura militar.

Segundo Alvaro Bianchi, uma equipe de vinte técnicos já vem trabalhando há um ano com estes documentos, como na restauração, preparando-os para a digitalização. "Faltavam os recursos para a compra dos equipamentos. Agora estamos em condições de avançar no projeto e dar uma contribuição especial ao processo de digitalização dos acervos no país - e dentro da nossa área específica, que é da história social e do trabalho. Além do acesso irrestrito, muitas perspectivas se abrem, como de intercâmbio com outros arquivos e criação de repositórios partilhados. O AEL ganha vida nova".

Ao longo de quase quatro décadas, o Arquivo Edgar Leuenroth foi incorporando acervos de movimentos sociais, de documentação patronal e de diversos fundos e coleções ligados à história intelectual e cultural, que podem ser resumidos nos seguintes grupos temáticos: Movimento Operário, História da Industrialização, História da Esquerda, Direitos Humanos, História Política, História da Cultura, Movimentos Sociais, Questão Agrária e História Intelectual. É uma massa documental constituída por 101 fundos e coleções.

Núcleos de trabalho - Elaine Marques Zanatta, diretora técnica do AEL, informa que foram criados núcleos de trabalho voltados para a Coleção Brasil Nunca Mais, o Fundo Teatro Oficina, o Fundo Edgard Leuenroth, a aquisição de maquinaria e a aquisição e preservação de documentos. "Estabelecemos etapas de trabalho e informamos no site sobre o tempo em que determinados documentos não ficarão disponibilizados. Pedimos paciência aos pesquisadores".

De acordo com Elaine Zanatta, a Coleção Brasil Nunca Mais, por exemplo, está entre as mais utilizadas do acervo há muitos anos, necessitando de maior proteção. Serão digitalizados cerca de 700 processos, cada qual com um ou mais anexos (panfletos, livros, jornais, cartas e manuscritos apreendidos com militantes de esquerda). "Um acordo com os doadores permitia que a documentação, que já não é a original, fosse novamente fotocopiada para pesquisa. A requisição constante é muito prejudicial, pois a cópia vai esmaecendo".

No núcleo ocupado com o Fundo Edgard Leuenroth, técnicos encapsulam em plástico cada página de jornal, depois de tentar corrigir perdas na impressão e sinais de fita adesiva; colocadas em caixa especial, as páginas não mais sairão dali quando a versão digital estiver disponível. A lida com o Fundo Teatro Oficina é igualmente minuciosa, em que a equipe procura intercalar a documentação relativa às peças teatrais (que já estava organizada para consulta) com registros sobre a parte administrativa, numa sequência cronológica que permita contar toda história do Oficina.