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Adolescentes são os mais afetados com o zumbido no ouvido, segundo estudo realizado no Brasil

Publicado em 16 junho 2013

Por Elaine Pereira

O zumbido no ouvido, sintoma que já atinge 28 milhões de brasileiros, é reconhecido como um sinal de que algo de errado ocorre dentro ou fora do ouvido, como problemas digestivos (erros alimentares), vasculares (pressão alta, colesterol e diabetes), emocionais (ansiedade e depressão), dentre outros.

Um estudo realizado pela Associação de Pesquisa Interdisciplinar e Divulgação do Zumbido (APIDIZ), financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), publicado na Revista Audiology Infos – publicação especializada que circula no Brasil, Alemanha, China, França, Inglaterra, Itália e Rússia-, constatou que o sintoma já é percebido com mais frequência entre os adolescentes, do que entre os adultos.

A pesquisa realizada com 170 adolescentes, de 11 a 17 anos, de uma escola da cidade de São Paulo foi selecionada para ser apresentada neste mês de maio no congresso da Tinnitus Research Initiative Foundation em Valência, na Espanha. O estudo teve por objetivo medir a frequência que ocorre o zumbido e suas características, além de propor intervenções futuras para que outros jovens não sofram com o mesmo problema.

Uma das mais respeitadas especialistas em zumbido no ouvido, com reconhecimento internacional, a Dra. Tanit Ganz Sanchez, responsável pela pesquisa, presidente e fundadora da APIDIZ e diretora-presidente do Instituto Ganz Sanchez, afirma que a precisão dos resultados foi maior, pois os adolescentes foram avaliados por dois métodos complementares. ”Trabalhamos tanto com a aplicação de questionário específico, o que toda pesquisa costuma fazer, como com a medida do zumbido (acufenometria) e do incômodo com sons (limiar de desconforto), em vez de usar a audiometria isoladamente.”, explica.

Para a surpresa de todos, 93 jovens (54,7%) responderam que apresentam ou já apresentaram algum episódio de zumbido nos últimos 12 meses. Deste número, 51,1% associaram essa ocorrência por algumas horas ou alguns dias depois de sair de ambientes com música alta.

Do universo de jovens que relatou o zumbido no ouvido, 49 deles (28,8% do total), puderam mensurar a forma confiável, o tipo e a intensidade do zumbido dentro da cabine acústica. O outro grupo de 44 participantes (25,9% do total), não conseguiu detectar o seu zumbido no momento de tal avaliação.

Segundo a Dra. Tanit Ganz Sanchez, esse problema com os adolescentes, independente de considerar a resposta do questionário ou a da medida na cabine acústica, já demonstrou ser bem maior do que a população geral de vários países, onde pesquisas apontam para taxas entre 15 e 24%. Ainda mais interessante foi o fato que, apesar de tudo, o zumbido não incomoda a maioria dos adolescentes, fazendo com que eles não contem aos pais e nem procurem ajuda médica.

Isso só pode ser melhorado quando ocorrer ações especificas ou campanhas de conscientização, incluindo nesse processo, tanto os pais em casa, como os educadores nas escolas. “Minimizar os problemas futuros, ou seja, que o zumbido se intensifique e se torne contínuo, depende da educação sobre a exposição a barulhos muito altos e frequentes que esses jovens devem receber. São necessárias ações educacionais intensivas sobre a necessidade de usar protetor auditivo, vencendo o constrangimento que os adolescentes têm de usá-los porque a maioria não usa”, complementa a médica otorrinolaringologista, que é realizadora de várias ações de conscientização do zumbido no Brasil desde 1994.

Sobre a especialista:

Profa Dra. Tanit Ganz Sanchez, Médica otorrinolaringologista com doutorado e livre-docência em zumbido pela USP, Diretora-Presidente do Instituto Ganz Sanchez e presidente da APIDIZ - Associação de Pesquisa Interdisciplinar e Divulgação do Zumbido. Assumiu a missão de desvendar os mistérios do zumbido e a pioneira nas pesquisas no Brasil, sendo reconhecida internacionalmente por sua didática, objetividade e compartilhamento aberto de ideias. Possui experiência de 11 anos na coordenação de Grupos de Apoio.