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Adolescentes obesos apresentam mastigação diferente, aponta pesquisa

Publicado em 23 janeiro 2017

A obesidade infantil se torna cada vez mais realidade na vida do brasileiro. Por conta disso, estão sendo realizadas diversas pesquisas para apontar as causas e efeitos do problema nas crianças e adolescentes. Uma delas, realizada por especialistas da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), indica que aqueles acima do peso apresentam comportamento mastigatório diferente dos com peso normal.

Adolescentes com sobrepeso ou obesidade acompanhados nos testes apresentaram alterações relativas às funções dos músculos da boca e maior dificuldade em realizar a mastigação, o que pode afetar a qualidade da alimentação, de acordo com Paula Midori Castelo, do Instituto de Ciências Ambientais, Químicas e Farmacêuticas da Unifesp.

“Há um consenso entre dentistas e fonoaudiólogos de que é importante se alimentar e mastigar devagar, em ambos os lados do arco dentário, para que o alimento possa ser triturado e processado adequadamente antes da deglutição, evitando-se ainda hábitos que dificultem sua absorção, como a ingestão de líquidos enquanto come”, explicou Paula, autora principal da pesquisa.

Os testes, porém, não determinam se o problema na mastigação está relacionado às causas do sobrepeso e da obesidade ou aos seus efeitos. A especialista afirma que a descoberta é importante para indicar quais comportamentos e hábitos precisam ser observados e corrigidos na alimentação dos jovens.

Estudo

Foram avaliados os hábitos alimentares e a qualidade da função mastigatória de 230 adolescentes com idades entre 14 e 17 anos, sendo que 115 com peso normal. Nenhum dos jovens tinha cárie ou outra condição que afetasse a saúde bucal. Para avaliar a mastigação, foram feitas gravações em vídeo, posteriormente analisadas por uma fonoaudióloga, e usado uma goma de mascar especial.

Meninas com sobrepeso ou obesidade mastigam com maior frequência de um lado só, segundo a pesquisa, impedindo que a mandíbula, que possui articulações bilaterais, atue igualmente de ambos os lados. A característica pode causar prejuízos à formação do bolo alimentar e perdas nutricionais, além de alterações estruturais de um dos lados do arco dentário.

Já os meninos se mostraram melhores mastigadores e mais rápidos. “É comum ouvir que o indivíduo que come rápido demais não mastiga direito, engolindo o alimento ainda pouco triturado, mas o homem tem mais massa muscular e mais força física, conseguindo com menos tempo imprimir maior força na mastigação e processar melhor a comida. Também há aspectos culturais envolvidos, como o hábito de meninas mastigarem com mais delicadeza”, explicou Paula.

Entretanto, comer rápido não é necessariamente melhor, já que, quando mastigamos por mais tempo tendemos a comer menos. “A informação do processamento do alimento vai sendo transmitida ao sistema nervoso central e os hormônios que levam ao sentimento de saciedade vão sendo liberados. Dessa forma, quem mastiga rápido, ainda que com a força adequada, pode tender a comer mais.”

*Com informações da Agência Fapesp