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Jornal da USP online

Adolescentes brasileiros assinam artigo da “Frontiers”

Publicado em 29 agosto 2018

Alunos da Casa da Ciência do Hemocentro de Ribeirão Preto assinam revisão de artigo científico publicado dia 17 de agosto na plataforma on-line Frontiers for Young Minds. Douglas Barboza, Luan Bertoloti, Maria Eduarda Jurado e Olavo Caetano Inácio são os adolescentes brasileiros responsáveis pela adaptação, para o público jovem, do texto do pesquisador Andrew Parker, da Universidade de Oxford, Reino Unido.

As jovens mentes autoras da revisão são estudantes, todos moradores da cidade de Luís Antônio, SP, localizada a 50 km de Ribeirão Preto, que participaram, até 2017, das atividades de iniciação científica da Casa da Ciência do Hemocentro de Ribeirão Preto.

Com know-how desenvolvido na Casa, os quatro aceitaram o convite do editor-associado da revista digital, Guilherme Lucas, para revisar o artigo em que Parker apresenta os resultados de sua pesquisa sobre o comportamento do cérebro exposto a diferentes opiniões sobre um mesmo tema. O pesquisador obteve imagens do cérebro (escaneamento) no exato momento em que o pensamento é alterado por uma nova informação (veja adiante).

Os quatro adolescentes já participavam de atividades da Casa da Ciência, quando em 2017 iniciaram o projeto de Iniciação Científica Júnior Explorando o Sistema Nervoso no laboratório de Lucas, editor da Frontiers e professor do Departamento de Fisiologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP. “Desde o início, era evidente a familiaridade desses alunos com o método científico e seus conceitos fundamentais”, comenta o professor sobre a capacidade de seus jovens orientados, afirmando que possuíam as “ferramentas essenciais para avaliar, criticar ou sugerir novas maneiras para se investigar o tema proposto”.

Maria Eduarda conta que tiveram medo da tarefa. “Teríamos que revisar um artigo em outra língua, escrito por um Ph.D. em ciências naturais, e torná-lo acessível para que qualquer pessoa pudesse entender.” Mas, apesar da insegurança inicial, os revisores garantem que “participaram de uma experiência muito interessante, desafiadora e que aprofundou o conhecimento sobre o cérebro”, adquirido durante a Iniciação Científica.

Neurociência em linguagem estimulante

Mais uma vez seguindo as orientações do mestre Lucas, os quatro tornaram o texto sobre as descobertas científicas de Parker acessível ao público mais jovem. E tiveram que seguir também o requisito da Frontiers for Young Minds que exige uma publicação ao mesmo tempo precisa e estimulante.

O resultado final, Fakes and Forgeries in the Brain Scanner, mostra as análises do pesquisador inglês sobre as atividades cerebrais captadas de pessoas enquanto elas observavam um quadro pintado pelo holandês Rembrandt e recebiam diferentes opiniões sobre a obra. Durante o escaneamento do cérebro, os cientistas diziam às pessoas que a tela observada era um legítimo ou falso Rembrandt.

Chamou a atenção de Parker a maneira como as pessoas mudam suas opiniões e atitudes ao receberem diferentes opiniões sobre a mesma obra de arte e, também, o que acontece fisicamente com seus cérebros quando sua opinião é alterada por novas informações. O córtex frontopolar (parte do cérebro envolvida no planejamento estratégico) e o córtex occipital (envolvida na visão) “pareciam trabalhar juntas” ao pensar na pintura falsa.

Alfabetização científica da Casa da Ciência

Pela experiência com os quatro alunos, o professor Lucas acredita que a proposta da Casa da Ciência do Hemocentro de Ribeirão Preto vá além da educação científica; ele a classifica como “alfabetização científica que forma crianças e adolescentes capazes de analisar evidências pelo método científico”.

O programa da Casa começou em 2001 como braço educacional do Centro de Terapia Celular (CTC-USP), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepids) financiados pela Fapesp. Os trabalhos da equipe da Casa seguem a proposta de reunir pesquisadores, professores de ensino básico e seus estudantes para troca de conhecimentos, como idealizado pela coordenadora da Casa da Ciência, a professora Marisa Ramos Barbieri.

Ao comentar o feito de seus ex-alunos, a professora diz estar diante de uma ótima surpresa que confirma não só a determinação e dedicação do professor Lucas, mas os limites alcançados pelo projeto da Casa da Ciência que “foram ultrapassados com esses resultados”. Eles indicam, continua Marisa, que a iniciação científica é “importante e necessária e quanto mais cedo, melhor”.

Mais informações: ctcusp@gmail.com