Notícia

Gazeta Mercantil

Adiado lançamento de satélite

Publicado em 13 fevereiro 1996

Por Virgínia Silveira - de São José dos Campos
INPE decide marcar data para dezembro, devido a atraso na contratação do foguete. O lançamento do segundo satélite brasileiro de coleta de dados, o SCD-2, previsto para acontecer em abril deste ano, foi adiado para dezembro. A publicação do edital de concorrência para a contratação do foguete que irá lançar o satélite sofreu um atraso de quase seis meses e, segundo estimativa do diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Márcio Barbosa, será feita em março. O SCD-2, cujo desenvolvimento foi concluído em agosto do ano passado, foi concebido para dar continuidade aos serviços de coleta de dados prestados pelo primeiro satélite da série - o SCD-1 -, que está com sua vida útil perto do fim. O satélite completou três anos em órbita na semana passada, mas seus subsistemas, principalmente a bateria, já vêm demonstrando sinais de desgaste desde julho de 1995. Para manter o SCD-1 por pelo menos mais três meses em operação, os cientistas do INPE decidiram nacionalizar o uso de seus equipamentos. "Um dos computadores de bordo do SCD-1 foi desligado e o 'transponder' de coleta de dados só é acionado quando o satélite está sobrevoando o território brasileiro", revelou o gerente da Missão Espacial Completa Brasileira (MECB) no INPE, Jânio Kono. Embora essas medidas de precaução ajudem a aumentar a vida útil do satélite, a previsão do INPE é que a bateria que alimenta os subsistemas do SCD-1 agüente só mais três meses. "Quando a bateria se esgotar, o satélite só vai conseguir coletar dados durante o dia, com a energia captada pelo sol, por meio de suas células solares", disse o gerente. Outra alternativa que vem sendo estudada pelo INPE para não interromper os serviços de coleta de dados aos usuários do sistema é a utilização de um satélite estrangeiro, possivelmente o satélite Tirus, do sistema francês Argos. Dentro de noventa dias, segundo Kono, o SCD-1 estará operando apenas com 50% de sua capacidade de coleta de dados. O SCD-2 integra o programa da MECB, que prevê a construção de quatro satélites de coleta de dados e dois de sensoriamento remoto. A construção do segundo satélite absorveu investimentos da ordem de US$ 13 milhões. O próximo satélite da série é o SCD-2A, uma réplica do SCD-2, criada para garantir a utilização do Veículo Lançador de Satélites (VLS) brasileiro. O VLS deveria, a princípio, lançar o SCD-2, mas o projeto do foguete sofreu diversos atrasos por causa da falta de recursos e teve seu lançamento adiado paia meados de 1997. A maior parte dos recursos orçamentários previstos para o desenvolvimento do VLS em 1995 só chegou em dezembro, atrasando ainda mais o cronograma de lançamento do veículo. O projeto recebeu US$ 12 milhões em 1995 e, para este ano, deverá ser alocada uma verba de R$8 milhões a R$ 10 milhões, necessária à conclusão do foguete. Segundo o diretor do Centro Técnico Aeroespacial (CTA), brigadeiro Reginaldo Santos, a liberação dos recursos em dezembro serviu para agilizar a importação de componentes eletrônicos com especificação militar. A compra desses componentes, segundo ele, também foi facilitada com a inserção do Brasil ao MTCR (Regime de Controle de Tecnologia de Mísseis), organização que reúne 25 países, encarregados de fiscalizar a fabricação e exportação de produtos de tecnologia dupla, civil e militar. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) adquiriu 250 novas Plataformas de Coleta de Dados (PCD) ambientais e meteorológicos para ser instaladas em regiões remotas do País. As PCD custaram US$ 2,5 milhões e foram importadas da empresa norte-americana Handar, dos Estados Unidos. Atualmente, o satélite brasileiro SCD-1 recebe dados de 52 PCD e os retransmite ao Centro de Recepção do INPE em Cuiabá (MT). Os dados são enviados ao Centro de Missão em Cachoeira Paulista (SP), onde são processados e distribuídos aos usuários. Cerca de duzentas PCD serão instaladas até o final deste ano na Amazônia para monitoramento de hidrelétricas na região. As plataformas serão utilizadas pelo Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica (DNAEE). Outras cinqüenta PCD, de acordo com o INPE, serão instaladas em países da América do Sul, potenciais usuários do serviço de coleta de dados dos satélites brasileiros.