Notícia

Revista Princípio Ativo

Adesão sem compreensão

Publicado em 01 novembro 2008

Agência FAPESP

Uma nova pesquisa, feita na Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da Universidade de São Paulo, indica que pacientes com diagnóstico de síndrome metabólica e que estavam sob tratamento medicamentoso com anti-hipertensivos, antilipêmicos (redutores de colesterol) e agentes antidiabéticos apresentam elevado índice de adesão ao tratamento, apesar de demonstrar desconhecimento sobre os fatores de riscos cardiovasculares, fortemente relacionados ao distúrbio.

O principal objetivo do estudo, publicado na revista Clinics, foi avaliar o nível de adesão de portadores de síndrome metabólica ao tratamento medicamentoso. Além disso, os pesquisadores investigaram a associação entre a adesão, acesso e uso de medicamentos e o conhecimento dos fatores de risco cardiovasculares, considerando as variáveis clínicas, sociais e demográficas.

O estudo foi realizado em duas fases. Na primeira, foi feita a coleta e análise das informações registradas nos prontuários médicos, com o objetivo de identificar pacientes com diagnóstico de síndrome metabólica. Nessa primeira fase, foram identificados 550 registros de hipertensos e/ou diabéticos.

Segundo Nilcéia, devido à falta do diagnóstico explicitado de síndrome metabólica o primeiro passo foi identificar os registros eletrônicos de pacientes. “Após a etapa da coleta de dados, foram identificados 243 pacientes elegíveis para a etapa posterior, que pretendeu confirmar o diagnóstico de síndrome metabólica, avaliar a adesão ao tratamento medicamentoso e determinar as associações entre as variáveis analisadas. Concluíram essa fase 75 pacientes”, explicou.

A média de idade dos entrevistados foi de 63 anos, sendo que 54% deles eram mulheres. Cerca de 47% dos entrevistados tinham baixa escolaridade, com menos de quatro anos de estudo formal. E cerca de 60% deles possuíam baixa renda familiar, de até cinco salários mínimos mensais.

Todos os participantes do estudo utilizaram o Sistema de Saúde para a obtenção de medicamentos. No entanto, 34,7% dos entrevistados relataram comprometer até 10% da renda familiar com medicamentos.