Notícia

Agrosoft

Acordo vai permitir repatriação de dados genéticos da flora brasileira

Publicado em 21 outubro 2009

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o Museu Nacional de História Natural (MNHN) da França assinaram convênio em Paris visando a repatriação de dados genéticos de espécies autóctones da flora brasileira. O convênio permitirá a participação de estudantes brasileiros de nível doutorado e pós-doutorado no programa "herbário virtual", mediante o qual o MNHN pretende digitalizar cerca de 8 milhões de amostras vegetais constantes de seu acervo.

Entre os objetivos do projeto, destaca-se o estudo do impacto das mudanças climáticas sobre a biodiversidade. Os doutorandos brasileiros deverão contribuir, a partir do primeiro semestre de 2011, para a construção da base de dados referente às amostras da flora brasileira, com destaque para a identificação precisa de seu local de origem.

O MNHN estima haver cerca de 500 mil amostras brasileiras, dentre as quais várias coletadas pelo célebre botânico francês August de Saint-Hilaire. Os pesquisadores brasileiros darão seguimento a seus estudos em instituições brasileiras e francesas, de acordo com os modelos "sanduíche" ou de "co- tutela".

A cerimônia de assinatura do convênio foi precedida de reunião de trabalho na qual os representantes de ambas as instituições discutiram aspectos referentes à implementação do convênio, bem como possibilidades para o aprofundamento da cooperação. Participaram do encontro o Presidente do CNPq, Marco Antonio Zago, e a Chefe da Assessoria de Cooperação Internacional, Maria Lucilene Barros Velo e o representante do embaixador do Brasil, na França, Secretario Antonio Carlos Antunes.

A instituição francesa foi representada por seu Diretor-Geral, Bertrand-Pierre Galey, pela Chefe de Assuntos Internacionais, Myriam Néchad, e pelo Diretor de Coleções, Professor Michel Guiraud, que será o principal interlocutor, pelo lado francês, para a implementação do convênio assinado.

Na reunião, o Presidente do CNPq salientou a prioridade que atribui a programas de cooperação internacional que contribuam para a capacitação de pesquisadores e instituições científicas brasileiras. Comentou a recente assinatura de convênio similar com o "Kew Gardens", de Londres, tendo os representantes do MNHN manifestado interesse em estabelecer coordenação entre as três instituições sobre a implementação e os resultados das pesquisas a serem desenvolvidas.

Recordando a celebração, em 2010, do ano internacional da biodiversidade, o Professor Zago referiu-se aos resultados do Programa Biota/Fapesp para o mapeamento da biodiversidade no Estado de São Paulo. Falou dos planos para efetuar levantamento semelhante em nível nacional, com possível foco no impacto das mudanças climáticas sobre a biodiversidade dos diferentes biomas brasileiros. Observou ainda que este projeto poderia oferecer novas oportunidades de cooperação entre o Brasil e a França.

Myriam Néchad, assessora internacional do MNHN, lembrou os preparativos para a realização, em 2010, de seminário franco-brasileiro sobre biodiversidade. Os representantes do CNPq e do MNHN destacaram também as possibilidades de cooperação oferecidas pelo Centro Franco-Brasileiro da Biodiversidade Amazônica.

O Diretor-Geral do MNHN comentou ainda o papel desempenhado pela "Agence Nationale de la Recherche (ANR) no financiamento da pesquisa francesa. Observou que esta já mantém cooperação com a Fapesp e com instituições de pesquisa do Estado de Pernambuco e prontificou-se a facilitar encontro entre o Presidente do CNPq e a direção da ANR. Por fim, foi lembrado aos representantes do CNPq e do MNHN que o aprofundamento da cooperação bilateral no campo da biodiversidade está contemplado pelo Plano de Ação da Parceria Estratégica Brasil-França, assinado pelos Presidentes Lula e Sarkozy, em dezembro de 2008.

Ministério da Ciência e Tecnologia