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Acordo de Paris está no limite e rota até 2050 vai determinar extensão dos danos, aponta IPCC

Publicado em 10 agosto 2021

Por Gabriel Chiappini

O mundo caminha para ultrapassar o limite de 1,5ºC uma década antes do previsto.

O aumento da temperatura global, nos limites das metas do Acordo de Paris, é o melhor dos cenários possíveis simulados pelos cientistas do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), na revisão publicada nesta segunda (9).

Se as economias globais não entrarem em uma rota de descarbonização mais agressiva, o mundo pode ficar 1,6ºC mais quente em 20 anos; e esquentar 2,4ºC até meados do século, horizonte dos planos climáticos de empresas e governos.

O relatório do IPCC indica que a cada trilhão de toneladas de CO2 emitidas cumulativamente na atmosfera, há um aumento na temperatura global de 0,27ºC a 0,63ºC. A informação sugere que para interromper o aquecimento, seria necessário zerar as emissões líquidas.

O documento do Painel, referência nas tratativas climáticas internacionais, tenta consolidar entendimentos que cientistas e ambientalistas tentam promover há décadas: o aquecimento é provocado por ação humana, vivemos uma crise climática global e, se nada for feito, vai piorar rapidamente.

A repercussão varia da catástrofe iminente à renovação do senso de urgência com o qual empresas e governos devem embarcar em novembro para a próxima Conferência do Clima, a “nossa última chance de evitar os piores efeitos das mudanças climáticas”, nas palavras de Alok Sharma, presidente da COP26.

A certeza é que os críticos à indústria de óleo e de energia, ganharam mais um reforço de peso para defender que a solução é interromper os negócios que lançam mais carbono na atmosfera — e pressionar, com o relatório debaixo do braço, conselhos, CEOs e bancos.

“Deve soar como uma sentença de morte para os combustíveis fósseis, antes que destruam o planeta”, afirmou nesta segunda (9), António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas

Mas o que diz o IPCC?

Net-zero na segunda metade do século pode garantir elevação máxima da temperatura média global até 2ºC. Mas esse é o melhor cenário possível.

Dos cinco cenários traçados pelo IPCC, todos apontam que o aumento médio da temperatura global será de 1,5ºC nas melhores estimativas até 2040 — de 1,2ºC a 1,9ºC.

Apenas um, o mais ambicioso, é a garantia de manter o aumento da temperatura dentro do limite do Acordo de Paris (2ºC).

Eventos climáticos extremos, especialmente ondas de calor, são causadas pelo aumento da temperatura global, por ação humana. A piora é inevitável.

“É inequívoco que a influência humana aqueceu a atmosfera, o oceano e a terra”, afirma o relatório.

Todas as regiões do mundo já são afetadas por eventos de calor extremo, causados pela emissão de gases do efeito estufa (GEE). Os cientistas afirmam com grau de confiança elevado ou médio que os eventos têm origem na ação humana.

O objetivo é desmistificar teorias de ciclo natural, usadas para justificar a manutenção de emissões.

O aquecimento dos oceanos, no melhor cenário de emissões, é duas vezes maior que o observado entre 1971 e 2018. No pior dos casos, os oceanos vão aquecer oito vezes mais rápido.

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Prováveis efeitos futuros do aquecimento global

Entre as mudanças climáticas que serão sentidas mais diretamente neste século, estão:

Aumento na frequência e intensidade de períodos de extremo calor: serão 9,4 vezes mais prováveis e ficarão 5 °C mais quentes.

Elevação do nível do mar: entre 28 cm (melhor cenário) e 55 cm (pior cenário).

Fortes precipitações: 7% mais intensas para cada grau Celsius de aquecimento.

Secas agrícolas e ecológicas: quatro vezes por década, hoje a ocorrência é de em média uma vez.

Maior intensidade de ciclones tropicais: serão classificados nas categorias mais altas, 4 e 5.?

Degelo no Ártico: região deve ficar praticamente sem gelo no mês de setembro ao menos uma vez antes de 2050.

“Muitas mudanças devido a emissões de gases de efeito estufa passadas e futuras são irreversíveis para séculos a milênios, especialmente mudanças no oceano, mantos de gelo e nível global do mar”.

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Impactos no Brasil

As temperaturas médias continuarão a aumentar a taxas maiores do que a média global na América do Sul.

Segundo o IPCC, é extremamente provável que o aumento do nível do mar continue nos oceanos ao redor da região, contribuindo para o aumento das inundações costeiras em áreas baixas e recuo da costa ao longo da maioria das costas arenosas.

O Brasil deve ser o país mais afetado, uma vez que possui uma das maiores zonas costeiras da região, e tem cerca de 26% da população (51 milhões de habitantes) vivendo em municípios do litoral – segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Regiões semiáridas, no Nordeste, e parte do Centro-Oeste brasileiro e da Amazônia deverão ter os maiores aumentos de temperatura nos dias mais quentes do ano – duas vezes mais que a taxa de aquecimento global.

Projeta-se que a intensidade e frequência de precipitações extremas e inundações pluviais aumentem no Sul e Sudeste do Brasil.

No norte da Amazônia, o número de dias por ano com temperaturas máximas superiores a 35 ° C aumentaria em mais de 150 dias até o final do século 21 no cenário SSP5-8.5, enquanto se espera que aumente em menos de 60 dias sob o cenário SSP1-2.6 (alta confiança)

A região também deverá sofrer aumento na intensidade e frequência de chuvas e inundações.

O sul da Amazônia e Centro-Oeste – cinturão agrícola brasileiro – também irão sofrer aumentos na incidência de seca, aridez e clima de incêndio, afetando o ecossistema e atividades da agricultura na região.

Também há alta confiança no aumento da duração dos períodos de seca no Nordeste do Brasil.

Segundo a pesquisadora brasileira Thelma Krug, que é vice-presidente do IPCC, o relatório deverá servir de base para as discussões dos governos na COP26, que será realizada em novembro, em Glasgow, Reino Unido.

“O que se espera é que eles (governos) tenham informação científica relevante que permita a eles poderem ter uma decisão informada no fórum politico”.

Segundo ela, dois outros relatórios do IPCC serão publicados no início do ano que vem. O primeiro em fevereiro com mais detalhes sobre impactos, adaptações e vulnerabilidades, e o segundo sobre mitigação, em março.

“A parte de impacto será muito mais explorada nesse próximo relatório, que inclusive regionaliza com dados da América do Sul bem mais específicos”, disse Krug em webinar da Fapesp.

A pesquisadora ressalta que o documento traz dados e projeções muito claras, e que apesar de alarmantes possuem grande probabilidade de certeza.

“São informações extremamente fortes e esperamos que tenham uma reação correspondente (…) Queremos que a ciência ocupe seu papel de poder ajudar os governos na tomada de decisão”.

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