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Defesa Aérea & Naval

Acordo com Boeing daria novo fôlego à brasileira

Publicado em 26 dezembro 2017

Por Luiz Padilha

Por Virgínia Silveira

Representantes da indústria aeroespacial e de defesa brasileira acreditam que uma eventual combinação de negócios, na forma de fusão ou joint-venture, entre a Embraer e a americana Boeing vai trazer força e estabilidade para a empresa brasileira continuar investindo no desenvolvimento de novos produtos e, consequentemente, para sobreviver no competitivo mercado aeronáutico mundial.

“A empresa já vem dando sinais de que está perdendo fôlego para novos desenvolvimentos, como a redução no seu fluxo de caixa, backlog baixo (pedidos de aeronaves confirmados), demissões e o cancelamento de contratos com fornecedores para o desenvolvimento das novas versões dos jatos E175 E2 e E195 E2”, relatou uma fonte do setor. Esses dois jatos, segundo o Valor apurou, tiveram parte dos seus desenvolvimentos internalizados, para que houvesse melhor aproveitamento da mão de obra ociosa dentro da fábrica.

Os entrevistados, que preferiram não se identificar, disseram ainda que o governo brasileiro precisa de fato exercer o poder de veto da “golden share” para garantir que no caso de uma possível joint-venture ou fusão com a Boeing, o desenvolvimento de projetos e os empregos no Brasil sejam preservados. “Um acordo entre a Boeing e a Embraer é importante porque a americana vai trazer mercado e capacidade financeira para a brasileira continuar no mercado, mas esperamos que isso também mantenha o desenvolvimento de novos produtos no Brasil”, comentou.

Outra preocupação da indústria em relação ao modelo de parceria entre a Boeing e a Embraer, segundo o Valor apurou, diz respeito ao caráter estratégico de alguns projetos da brasileira na área de defesa.

“A subsidiária Atech detém todo o conhecimento do controle do espaço aéreo brasileiro e a Visiona (joint-venture entre Embraer e Telebras) foi responsável pelo desenvolvimento e operação do SGDC (Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas). Colocar isso na mão de estrangeiros é complicado”, comentou uma fonte.

Embora só tenham se tornado público na semana passada, as tratativas entre a Embraer e a Boeing foram iniciadas há mais de um mês. O conselho de administração da companhia, assim como a Presidência da República, o Ministério da Defesa e o representante da Força Aérea Brasileira (FAB) no conselho já haviam sido previamente comunicados.

A Boeing não foi a primeira empresa a se interessar pela Embraer. O consórcio europeu Airbus, que em meados de outubro anunciou a compra de uma participação majoritária no programa de jatos regionais CSeries, da Bombardier, tentou fazer um acordo semelhante com a brasileira entre os anos de 2004 e 2005, mas a negociação não foi adiante. Depois desta e de outras tentativas de reaproximação com a Embraer, a Airbus decidiu investir no desenvolvimento do projeto de remotorização do jato A320 Neo, que trava uma disputa acirrada com o 737 MAX, da Boeing, no mercado de aeronaves de corredor único, na faixa de 124 a 240 assentos.

A redução dos investimentos do governo brasileiro na área de defesa também levou à Airbus a diminuir suas investidas nesta área no Brasil. Em meados deste ano, a Airbus Defence and Space vendeu o controle da Equatorial Sistemas para a brasileira Akaer Engenharia, de São José dos Campos. A Equatorial fornece componentes espaciais para o programa espaciais para o programa espacial brasileiro, além de ter contratos de transferência de tecnologia com a Fapesp e a Finep.

O principal investimento do grupo europeu Airbus no Brasil continua sendo a venda de aviões para as companhias aéreas e a produção de helicópteros em Itajubá (MG), que realizou um grande investimento no desenvolvimento e produção da linha de helicópteros desenvolvida para as Forças Armadas, com o modelo H225M. A redução no orçamento do governo para os programas de defesa, porém, diluiu as entregas dos helicópteros, o que também levou a empresa a suspender projetos de nacionalização que estavam em andamento.

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A área de defesa representa menos de 20% do faturamento da Embraer e, por conta dos desafios que vem enfrentando devido às dificuldades orçamentárias do governo, tem sido bastante criticada por seus acionistas, informou uma fonte próxima à empresa. Recentemente, segundo o Valor apurou, para reduzir custos, a Embraer decidiu fazer a fusão das operações das empresas Savis e Bradar, responsáveis pelo programa Sisfron, de monitoramento das fronteiras do Brasil.

Segundo uma fonte influente da Força Aérea Brasileira (FAB), os programas de desenvolvimento e produção do jato de transporte KC-390 e do caça supersônico Gripen são considerados prioritários em termos de aporte de recursos. “Nesta semana está prevista a liberação do valor restante para o desenvolvimento do KC-390 dentro da previsão orçamentária orçamentária prevista para 2017”, disse a fonte. Os dois primeiros aviões estão programados para serem entregues à FAB em meados de 2018, informou.

FONTE: Valor Econômico