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MCTIC - Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações

Acordo com a França permite repatriação de dados genéticos da flora brasileira

Publicado em 20 outubro 2009

O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCT) e o Museu Nacional de História Natural (MNHN) da França assinaram convênio em Paris visando a repatriação de dados genéticos de espécies autóctones da flora brasileira. O convênio permite a participação de estudantes brasileiros de doutorado e pós-doutorado no programa herbário virtual, com o qual o MNHN pretende digitalizar cerca de oito milhões de amostras vegetais constantes de seu acervo.

Entre os objetivos do projeto, destaca-se o estudo do impacto das mudanças climáticas sobre a biodiversidade. Os doutorandos brasileiros deverão contribuir, a partir do primeiro semestre de 2011, para a construção da base de dados referente às amostras da flora brasileira, com destaque para a identificação precisa de seu local de origem. O MNHN estima haver cerca de 500 mil amostras nacionais, dentre as quais várias coletadas pelo célebre botânico francês August de Saint-Hilaire. Os pesquisadores brasileiros darão seguimento a seus estudos em instituições dos dois países, de acordo com as modalidades de bolsa sanduíche ou de co- tutela.

A assinatura do convênio foi precedida de reunião de trabalho na qual os representantes de ambas as instituições discutiram aspectos referentes à implementação do convênio, bem como possibilidades para o aprofundamento da cooperação.

Participaram do encontro o presidente do CNPq, Marco Antonio Zago, a chefe da Assessoria de Cooperação Internacional, Maria Lucilene Barros Velo, e o representante do embaixador do Brasil, na França, secretario Antonio Carlos Antunes . A instituição francesa foi representada por seu diretor-geral, Bertrand-Pierre Galey, pela chefe de Assuntos Internacionais, Myriam Néchad, e pelo diretor de Coleções, professor Michel Guiraud, que será o principal interlocutor, pelo lado francês, para a implementação do convênio assinado.

Na reunião, o presidente do CNPq salientou a prioridade que atribui a programas de cooperação internacional que contribuam para a capacitação de pesquisadores e instituições científicas brasileiras. Comentou a recente assinatura de convênio similar com o Kew Gardens, de Londres. Os representantes do MNHN manifestaram interesse em estabelecer coordenação entre as três instituições sobre a implementação e os resultados das pesquisas a serem desenvolvidas.

Recordando a celebração, em 2010, do ano internacional da biodiversidade, Zago referiu-se aos resultados do programa Biota-Fapesp para o mapeamento da biodiversidade no estado de São Paulo. Falou dos planos para efetuar levantamento semelhante em nível nacional, com possível foco no impacto das mudanças climáticas sobre a biodiversidade dos biomas brasileiros. Observou ainda que este projeto pode oferecer outras oportunidades de cooperação entre o Brasil e a França.

Myriam Néchad lembrou os preparativos para a realização, em 2010, de seminário franco-brasileiro sobre biodiversidade. Os representantes do CNPq e do MNHN destacaram também as possibilidades de cooperação oferecidas pelo Centro Franco-Brasileiro da Biodiversidade Amazônica.

O diretor-geral do MNHN comentou ainda o papel desempenhado pela Agence Nationale de la Recherche ( ANR) no financiamento da pesquisa francesa. Observou que esta já mantém cooperação com a Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e com instituições de pesquisa de Pernambuco e prontificou-se a facilitar encontro entre o presidente do CNPq e a direção da ANR.

Por fim, foi lembrado aos representantes do CNPq e do MNHN que o aprofundamento da cooperação bilateral no campo da biodiversidade está contemplado pelo Plano de Ação da Parceria Estratégica Brasil-França, assinado pelos presidentes Lula e Sarkozy, em dezembro de 2008.