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Em Sergipe

Acompanhe a evolução da Internet no mundo

Publicado em 27 maio 2008

Por Fredson Navarro

As notícias foram um dos carros-chefe da Internet desde o seu início. A necessidade de se manter informado unido à capacidade de serviço em tempo real e ao caráter multimídia que a informática dá à rede mundial de computadores foram pontos cruciais para o desenvolvimento de uma nova forma de se fazer jornalismo. Hoje, há muita facilidade para se acompanhar tanto fatos históricos mundiais, como a guerra contra terroristas em várias partes do planeta, quanto notícias mais corriqueiras, como a rodada de gols do campeonato brasileiro do final de semana passado.

Basta um clique para que uma página se abra mostrando ao usuário reportagens contextualizadas, galerias de fotos completas, vídeos, fóruns e até mesmo o sistema de notícias minuto-a-minuto. O maior atentado terrorista do mundo foi, aliás, um marco para o jornalismo on-line. Até então, nunca um evento mundial tão impactante havia sido acompanhado por jornalistas de Internet. Foi com a queda das Torres Gêmeas de Nova York e o ataque ao Pentágono em Washington que esta nova forma jornalística ganhou forte exposição e mostrou sua capacidade de, assim como jornais e TVs, dar informações confiáveis ao público.

Em meio a intermináveis notícias sobre os ataques, geradas por diversas agências de notícias e redes de TV internacionais, desenvolveu-se uma forma de edição apurada para cumprir com o requisito essencial da Internet: acompanhar os fatos em tempo real.

Mas nem sempre foi assim. Muito antes de 2001, por volta de 1996, quando os primeiros portais brasileiros deram seus primeiros passos no mercado de Internet, os sites de notícias eram bem menos ricos em termos de informação multimídia. Eram notícias em texto, basicamente, e muitas vezes replicavam as informações que os jornais davam pela manhã. No entanto, não durou muito aos portais criarem parcerias com agências de notícias e jornais de todo o país para refletirem de uma forma mais ampla o cotidiano brasileiro. Em pouco tempo, os sites de notícias já ajudavam a pautar o dia de jornais e emissoras de TV. Ou seja, já tratavam durante a manhã, a tarde e a noite de fatos jornalísticos que seriam abordados apenas nos programas de televisão da noite ou no jornal do outro dia.

Em 1999, começam as primeiras transmissões de rádio online. A partir de então, um novo nicho jornalístico se criou na Internet. Mais tarde, a possibilidade de transmitir vídeos online tornou-se real. Eram novas mídias, igualmente rápidas e instantâneas, se integrando à que já parecia ser o veículo perfeito.

Usuário repórter

Hoje, qualquer pessoa pode fazer parte da Internet publicando notícias e/ou opiniões. Com facilidade, qualquer usuário pode publicar textos, fotos e mesmo vídeos para registrar na Internet algum fato jornalisticamente relevante. Além disso, blogs, fotologs e o próprio Orkut mostram-se como protótipos de veículos de comunicação. Cabe ao leitor descobrir se tais veículos ou repórteres de última hora são realmente confiáveis.

Comercial

Já a Internet comercial tem 10 anos no Brasil, mas já existe há mais de 20. A rede mundial foi criada a partir de um projeto militar norte-americano. Nos anos 60, no auge da Guerra Fria, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos decidiu desenvolver uma rede de computadores que não pudesse ser destruída por bombardeios e que conseguisse ligar pontos considerados estratégicos para o país, como bases militares e centros de pesquisa e tecnologia. A idéia era montar uma rede sem um comando central, ou seja, um sistema no qual todos os pontos (os nós da rede) tivessem a mesma importância e por onde os dados fossem transmitidos em qualquer sentido (sem uma ordem definida). Estava delineada a ARPAnet, o projeto realizado pela Agência de Projetos de Pesquisa Avançada (Advanced Research Projects Agency) do governo dos EUA.

Conheça a história da Internet

Em 1988, Oscar Sala, professor da Universidade de São Paulo (USP) e conselheiro da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp), desenvolveu a idéia de estabelecer contato com instituições de outros países para compartilhar dados por meio de uma rede de computadores. Assim, chegou ao Brasil a Bitnet (Because is Time to Network).  A rede conectava a Fapesp ao Fermilab, laboratório de Física de Altas Energias de Chicago (EUA), por meio de retirada de arquivos e correio eletrônico. O serviço foi inaugurado oficialmente em 1989. Em 1991, o acesso ao sistema, já chamado Internet, foi liberado para instituições educacionais e de pesquisa e a órgãos do governo. Nessa época ocorriam fóruns de debates, acesso a bases de dados nacionais e internacionais e a supercomputadores de outros países, além da transferência arquivos e softwares. No entanto, tudo estava reservado a um seleto grupo de pessoas.

Em 1992, o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) assinou um convênio com a Associação para o Progresso das Comunicações (APC) liberando o uso da Internet para ONGs. No mesmo ano, o Ministério da Ciência e Tecnologia inaugurou a Rede Nacional de Pesquisa (RNP) e organizou o acesso à rede por meio de um "backbone" (tronco principal da rede).

Foi apenas em 1993 que ocorreu a primeira conexão de 64 kbps à longa distância, estabelecida entre São Paulo e Porto Alegre. Em 1994, estudantes da USP criaram centenas de páginas na Internet.  O ano de 1995 foi um marco. Os ministérios das Comunicações e da Ciência e Tecnologia criaram, por portaria, a figura do provedor de acesso privado à Internet e liberaram a operação comercial no Brasil. No ano seguinte, muitos provedores começaram a vender assinaturas de acesso à rede.

Usuários, acessos e domínios

Quando implementada, a velocidade de acesso à Internet era de 4.800 bits por segundo (bps). Uma conexão discada hoje pode ser 11 vezes mais rápida ou mais. Hoje o internauta pode perder a paciência quando um site demora 30 segundos para abrir. Mas, há dez anos, era comum uma única página demorar de 15 a 20 minutos para surgir na tela. As linhas de transmissão eram limitadas e nem se pensava em conexões via fibra óptica.

Os primeiros sites brasileiros surgidos eram de notícias. Depois, surgiram os de compras, entretenimento e pesquisa. Assim, a rede nacional começou a crescer. Para o público médio, e-mail e as salas de bate-papo (chats) foram dois dos principais carros-chefe para a popularização da Internet. A forma de comunicação entre as pessoas mudou tanto no ambiente de trabalho quando na vida particular. Nesse campo, aliás, os chats permitiram uma inovação nos relacionamentos: o namoro e o sexo virtual. As pessoas passaram a se conhecer pela Internet para, depois, marcar encontros na vida real.

Em 1999, o número de internautas era superior a 2,5 milhões. Segundo o Ibope, o país contava com 7,68 milhões usuários de Internet em 2002. Hoje, o país se aproxima dos 30 milhões de indivíduos com acesso direto à rede e conta com 18,3 milhões de computadores pessoais. O número de internautas representa 17% da população, ou uma em cada seis pessoas, sendo 53% de homens e 47% de mulheres. O brasileiro navega uma média de 14 horas e meia por mês. Cinco milhões de pessoas utilizam banda larga e quase 50% deles acessam serviços bancários on-line, índice acima do constatado em países como Alemanha (41%), Reino Unido (38%) e EUA (29%).

O ZAZ, o portal da empresa de tecnologia Nutec Net, teve início no final de 1996. No ano de 2000 foi comprado pela Telefônica e agregado à rede mundial Terra Networks, tornando-se um dos maiores portais do mundo, com atuação na Espanha, nos Estados Unidos e 15 países da América Latina, como México, Argentina e Chile.

Vídeo-Chat Festivo

Nesta quarta-feira, 28, o Portal Emsergipe.com celebra 7 anos e realiza um Vídeo-Chat especial em clima de aniversário abrindo espaço para falar da evolução do jornalismo on-line e da publicidade na Internet.

Falar de jornalismo on-line implica, obviamente, falar da Internet e das transformações que a tecnologia provocou e provoca no jornalismo e no mercado publicitário. De fato, não restam dúvidas de que os meios de comunicação tendem a aproveitar a evolução tecnológica. Essa realidade não é de hoje. A imprensa modificou-se com a rotativa, o off-set e os meios de paginação eletrônica.

Participe da entrevista ao vivo que começa às 13h. Acesse o www.emsergipe.com e converse sobre a evolução da Internet com o jornalista e apresentador da 2ª edição do SETV da TV Sergipe, Ricardo Marques e com o publicitário Lúcio Flávio.