Notícia

Gazeta Mercantil

Ações tecnológicas derrubam Dow

Publicado em 14 fevereiro 1996

Os ganhos obtidos durante o pregão movimentado da Bolsa de Nova York foram corroídos horas antes do fechamento pelas perdas das ações tecnológicas. A queda das ações desse setor foi provocada pelo fraco desempenho das fabricantes de semicondutores em janeiro, divulgado pela Associação Nacional da Indústria de Semicondutores. Muitos analistas avaliaram que vários fabricantes de microcomputadores e "chips" compraram muitos semicondutores no ano passado e, por isso, possuíam um excesso dessas peças em seus estoques no último trimestre. Isso teria provocado a queda do volume de vendas desse setor no período. O índice Dow Jones de 30 ações industriais fechou com ligeira alta de 0,02%, ou 1,08 ponto, a 5.601.23 pontos. Os ganhos do início do dia foram encabeçados pelas ações da Unitei Technologies, Eastman Kodak e Coca-Cola. Operadores atribuíram a alta ao otimismo do mercado em relação a um novo corte das taxas de juro pelo Federai Reserve Board (Fed, banco central norte-americano). As ações de empresas petrolíferas também registraram alta, uma vez que o frio na Europa e nos Estados Unidos impulsionou o preço do petróleo bruto. Além disso, os investidores acreditam que o Iraque fechará em breve um acordo com os Estados Unidos para a venda de US$ 2 bilhões de petróleo a cada seis meses. As ações da United Technologies também tiveram destaque ontem com a divulgação da intenção da empresa de comprar outras companhias e recomprar ações. Buenos Aires - Após um pregão dominado pela volatilidade, o índice Merval de 20 ações fechou inalterado em relação ao dia anterior, a 554,26 pontos. O mercado ficou entusiasmado no inicio do pregão com o novo acordo entre o governo argentino e o Fundo Monetário Internacional (FMI), prevendo novos empréstimos para o país. A oferta do governo de US$ 1 bilhão em títulos públicos também gerou otimismo entre os investidores. A divulgação dos resultados da YPF, no entanto, fez a bolsa recuar. A empresa divulgou lucros da ordem de 793 milhões de pesos, menor do que o esperado pelos economistas. Analistas afirmaram que o resultado da YPF foi afetado pelos gastos com o programa de reestruturação de sua subsidiária Maxus Energy, no ano passado. A divulgação da inadimplência de duas empresas mexicanas em relação a investidores internacionais também desanimou o mercado, que teme a fuga dos recursos de investidores estrangeiros no país com a notícia. México - A bolsa mexicana fechou com o nível mais baixo em um mês com a perspectiva de alta da remuneração dos Cetes (títulos públicos mexicanos) em seu leilão primário semanal. O índice IPC de 37 ações fechou a 2.920,72 pontos, em queda de 1.01%, ou 29,85 pontos. A expectativa é de que a taxa de retorno dos papéis de 28 dias suba 100 pontos-base em relação aos 36,22% registrados no leilão da semana passada. A desvalorização do peso pelo quarto pregão consecutivo também contribuiu para a queda dos preços das ações, avaliaram os operadores. Os protestos do Partido Democrático Revolucionário contra a produção de petróleo em Tabasco provocaram nervosismo entre os investidores e podem elevar as taxas de juro, segundo analistas. por Estela Caparelli - de São Paulo com AP/Dow Jones, Reuters e Bloomberg Business News