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A Cidade (Ribeirão Preto) online

Acidentes com escorpiões crescem 77,5% em Ribeirão Preto

Publicado em 02 março 2016

Por Daniela Penha

O número de acidentes com escorpiões cresceu 77,5% em Ribeirão Preto entre 2014 e 2015, de acordo com dados da Secretaria Municipal de Saúde. O salto foi de 147 para 261 casos entre um ano e outro.
O crescimento se espalha também pelo Estado e região. Em São Paulo, o aumento entre um ano e outro foi de 14,2% e na região de Ribeirão Preto 11,2%.

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O maior número de casos ascende um alerta. Mas vem acompanhado de boa notícia. Anti-inflamatórios comuns, vendidos em farmácia, podem ser o tratamento para evitar complicações e mortes por picada de escorpião.

A descoberta foi divulgada na semana passada pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP de Ribeirão Preto.

Os pesquisadores descobriram que os anti-inflamatórios inibem o processo que causa o edema pulmonar após uma picada de escorpião. O edema, explica a professora Lúcia Helena Facciolo, coordenadora da pesquisa, é a complicação que pode levar à morte.

“Como o veneno estimula a célula a produzir substâncias inflamatórias? Que substância é liberada para que haja o edema? Essas eram as questões que precisávamos responder”, destaca a professora.
A resposta veio acompanhada de possível solução.

“A gente espera que essa descoberta, após finalizarmos os testes em humanos, possa diminuir o número de complicações e mortes por picada de escorpião”, Lúcia destaca.

“A descoberta é importante tanto para a área clínica quanto para a área teórica. É a compreensão do processo inflamatório”, complementa Karina Furlani Zoccal, principal pesquisadora do projeto como aluna de pós-doutorado e bolsista da Fapesp.

As duas frisam, porém: por ora, trata-se de uma pesquisa experimental, testada em animais. Os testes em humanos devem começar dentro de dois meses e só a partir daí o estudo poderá ser validado e colocado em prática.

“As pessoas devem procurar um hospital imediatamente após uma picada. Não devem se automedicar”, alerta Lúcia.

Alívio
Para quem sentiu a picada do bicho na pele, a possibilidade de tratamento mais eficaz traz alívio. Isabela Giovana, de 7 anos, foi picada no final do ano passado. “Ela quase entrou em coma. Foi um susto muito grande”, nas palavras do pai, Sérgio Vicente Pereira.

Maria do Carmo Vilela, 37 anos, ajudou a realizar uma limpeza na casa da sogra, na Vila Albertina, zona Norte, e relembrou a picada de 17 anos atrás. “Achamos três escorpiões embaixo de umas telhas. Foi um susto. Não tem como não se preocupar”, ela enfatiza.

No Tanquinho, moradores ‘colecionam’ escorpiões

No Parque Industrial Tanquinho, zona Norte de Ribeirão, difícil é encontrar quem nunca tenha sido surpreendido por um escorpião. Tem até quem “colecione” os bichos em potes com álcool.

No pote da comerciante de Luciana Cezário de Paula, 34 anos, tem de todo tamanho: grandões e filhotes.

“À noite, tem época que chega a ter sete na minha parede. A gente vive com medo”, ela conta. Foi picada há 16 anos, quando estava grávida da filha.

“É uma dor muito forte, minha barriga formigava, foi horrível”.

Depois disso, passou a redobrar a atenção. “Cama longe da pareda, limpeza no quintal sempre”.

Mas é necessário mais que isso. “A Prefeitura abandonou a gente aqui. Os bueiros vivem entupidos, quando chove alaga tudo e vem os bichos”, reclama a moradora.

Sérgio Vicente Pereira, 33 anos, preferiu mudar de bairro. A filha, Isabela Giovana, de 7 anos, foi picada no final do ano passado. “Ela passou dois dias internada. Foi muito grave. Quase atacou o coração”, ele conta.

A menina estava deitada no sofá de casa, quando começou a gritar.

“Era um escorpião desses amarelos”, conta o pai. “O mais perigoso e com maior incidência em Ribeirão”, diz Lúcia Taveira, coordenadora do Programa de Controle de Vetores de Ribeirão Preto.

Depois do ocorrido, a família se mudou para um apartamento. “Ficamos mais seguros aqui”, Sérgio afirma.

Prefeitura faz bloqueios

A coordenadora do Programa de Controle de Vetores de Ribeirão Preto, Lúcia Taveira, explica que a Prefeitura realiza ações de bloqueio e orientação sobre os escorpiões conforme há demanda da população.

Lúcia diz que quando há uma ocorrência notificada, os agentes realizam vistoria na residência e no bairro.

“O controle mecânico é o melhor. Tem que tirar o máximo de exemplares do ambiente”, ela diz.

Venenos não são indicados. “Quando você usa veneno e não atinge diretamente o escorpião você provoca o desalojamento, gerando mais acidentes”.

A gravidade de cada picada, destaca Lúcia, depende da espécia de escorpião,  do tamanho e da idade tanto do bicho quanto da vítima. “Quanto mais adulto, mais veneno o escorpião tem. Por outro lado, a picada em crianças pode gerar quadro mais grave”.

Fui picado. O que fazer?

Limpar o local com água e sabão;

Procurar uma unidade de saúde imediatamente;

Se for possível, capturar o animal e levá-lo ao serviço de saúde;

A identificação do escorpião causador do acidente pode auxiliar no diagnóstico e tratamento;

Compressas mornas no local da picada a caminho do hospital podem ajudar a aliviar a dor.

Como evitar picadas de escorpião?

Examinar roupas, calçados, toalhas de banho e de rosto, panos de chão e tapetes, lençóis antes de usar;

Usar luvas resistentes e calçados fechados quando tiver contato com materiais de construção, lenha, madeira e pedras em geral;

Manter berços e camas afastados, no mínimo 10 cm, das paredes e evitar que mosquiteiros e roupas de cama esbarrem no chão;

Manter limpos quintais e jardins, não acumular folhas secas e lixo domiciliar;

Manter terrenos baldios limpos;