Notícia

O Estado do Paraná

Achados Fungos Bioluminescentes

Publicado em 31 julho 2005

Dez novas espécies de fungos bioluminescentes coletadas em São Paulo e Mato Grosso do Sul foram descobertas pelo grupo do professor Cassius Vinícius Stevani, do Instituto de Química da USP. Uma delas, Gerroneina viridilucens, foi usada com êxito para avaliar a toxicidade de metais e .compostos orgânicos. No futuro, o fungo servirá como biossensor em análises toxicológicas de solos contaminados.
Em todo o inundo são conhecidas apenas 42 espécies de fungos que emitem luz. "A pesquisa começou há  três anos, no Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira, em Iporanga (SP), a partir do relato de moradores da região ao biólogo João de Godoy, do Instituto de Botânica (IBot) da Secretaria Estadual do Meio Ambiente de São Paulo", conta.
Posteriormente, a coleta foi estendida a uma área de mata ciliar em Costa Rica (MS). "O Gerronema viridilucens já foi identificado e publicado, seis espécies serão descritas num artigo científico e três precisam de mais amostras para avaliação taxonômica."
O professor explica que a espécie é encontrada na casca de árvores Eugenia fluminensis, da família das mirtáceas, a mesma da pitangueira e jabuticabeira. "Esse fungo cresce só em arvores vivas e na parte inferior do píleo ('chapéu' do cogumelo), ou seja, onde estão as lamelas, produtoras de esporos", explica.
Biossensor
Para usar o fungo em analises toxicológicas, foram necessários dois anos para obter culturas da espécie em laboratório, com ajuda da professora Marina Capelari, do IBot, que a identificou com Dennis Desjardin, professor da San Francisco State University (EUA). Segundo Stevani, o fungo em cultura emite uma quantidade de luz que pode ser medida. "Esse nível é comparado com a emissão 24 horas após a placa com a cultura ser exposta a diferentes concentrações de um agente tóxico", explica. A poluente diminui a intensidade da luz. "Com os dados, é calculado o parâmetro toxicológico EC5O, que aponta a quantidade do co posto necessária para re duzir a luminosidade do fungo à metade. Quanto menor o valor de EC5O, maior a toxicidade."
No lQ, o Gerronema viridilucens foi usado como biossensor da toxicidade de cádmio, cobre e pentaclorofenol. "Outros metais e com postos orgânicos serão testados para dar uma visão geral sobre sua toxicidade nos fungos", planeja o professor. "Depois dos testes com substâncias puras, serão usadas amostras de solo conta e no futuro placas com o fungo servirão para melhorar e planejar novos fungicidas."
O projeto é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e conta ainda com a ajuda dos professores Marilene Demasi (Instituto Butantã), Silvio Prada e Patricía Sartorelli (Unifico). "A coleta é difícil, pois só pode ser feita à noite e apenas entre dezembro e março, durante a lua nova", ressalta o professor. 'O corpo de frutificação dura de 24 a 48 horas, perdendo luminosidade e servindo de alimento a caramujos e larvas de moscas."