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Jornal da Unesp online

Acervo eletrônico reúne material raro do Judeu

Publicado em 01 agosto 2008

Por Renato Coelho

Projeto de extensão universitária sobre a vida e a obra de Antônio José da Silva (1705-1739) reúne, em formato eletrônico, um conteúdo raro sobre o dramaturgo. A pesquisa é realizada por Renata Soares Junqueira, docente do Departamento de Literatura da Faculdade de Ciências e Letras (FCL), câmpus Araraquara, e coordenadora do Grupo de Pesquisa de Dramaturgia (GPD).

Inserida no contexto sociocultural de Portugal e Brasil na primeira metade do século XVIII, a biografia e a produção apresentadas, no ar desde 2006, são voltadas aos profissionais da área, pesquisadores universitários, amadores e interessados na história da Inquisição. “Nem a Universidade de Coimbra, em Portugal, possui este material. Esse trabalho concede à Unesp o mérito de ser a primeira universidade a legar à história um conjunto de documentos sobre o Judeu”, explica a coordenadora do GPD.

Inquisição

Apoiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e contemplado com uma bolsa da Pró-Reitoria de Extensão, o site apresenta diversas obras do Judeu, entre elas, a ópera cômica Vida do grande D. Quixote de la Mancha e do gordo Sancho Pança (1733), atualmente em cartaz na Comédie Française, entre outras raridades. “O site possui uma cópia digital do processo movido pela Inquisição de Lisboa contra o dramaturgo, texto raro, publicado em 1896 na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro”, destaca Renata.

Segundo a pesquisadora, a exposição eletrônica do material teve repercussão internacional. “Temos recebido telefonemas de Portugal, Espanha, França e até de Israel, com pedidos de informações e detalhes relativos à vida e à obra do dramaturgo”, acrescenta a docente.

Alberto Dines, um dos principais jornalistas do País e biógrafo de Antônio José da Silva, diz que sob o comando da docente de Araraquara, a Unesp é pioneira na divulgação das obras do Judeu. “Tenho certeza de que este site montado pela professora Renata funcionará como alavanca para uma série de iniciativas destinadas a resgatar do esquecimento este Quixote brasileiro que criou o teatro popular em Portugal”, elogia Dines.

Para Dines, a estréia, em Paris, da ópera A vida do grande D. Quixote mostra a importância do autor. “Trata-se da primeira obra em Língua Portuguesa encenada no mais importante palco da Europa. Nem Camões e Gil Vicente mereceram esta glória, mesmo que seja 275 anos depois”, explica o biógrafo. O projeto contou com o auxílio de Samantha Maria Fantini, Glória Bolani Porteiro e Débora Dacanal, pesquisadoras em Iniciação Científica e alunas do curso de Letras de Araraquara.

O Judeu – Considerado o maior dramaturgo português do século XVIII, Antônio José da Silva (Rio de Janeiro, 8 de maio de 1705 – Lisboa, 19 de outubro de 1739) foi levado a Portugal, ainda pequeno, devido à perseguição da Inquisição aos seus pais. Em 1722 matricula-se no curso de Direito de Coimbra e quatro anos mais tarde inicia formalmente a sua trajetória religiosa, na qual inclui práticas judaicas.

Provavelmente em 1729 é encenada sua primeira peça. Já em 1733 é encenada sua primeira ópera. Em 1739, depois de processos e prisões é queimado na fogueira da Inquisição Portuguesa, no Terreiro do Trigo, em Lisboa. Endereço do site: www.fclar.unesp.br/centrosdeestudos/ojudeu