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Jornal da Cidade (Bauru, SP) online

Acalmar para educar

Publicado em 11 agosto 2013

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Que o comportamento dos filhos reflete o que aprendem em casa não é novidade. Porém, detalhes comportamentais, dos pais, interferem, também, na qualidade da educação dos pequenos, que devem aprender desde os seis meses.

É o que revela estudo recém-apresentado pela psicóloga Sária Cristina Nogueira.

A pesquisa, que faz parte da tese de mestrado da estudiosa, defendida em maio na Unesp/Bauru, enfocou a chamada prática parental, ou seja, comportamentos de pais, especificamente, no caso, com as mães de bebês entre seis meses e um ano de idade.

No estudo, 100 mães foram ouvidas sobre procedimentos envolvendo ansiedade e educação.

O trabalho, desenvolvido sob coordenação da professora Olga Maria Piazentin, atesta que o nível de ansiedade materno pode ser fator de risco para o desenvolvimento dos filhos.

Conforme a pesquisa, quanto mais alto os fatores de estresse, ansiedade ou depressão, mais práticas negativas educacionais ocorrerão. Estas práticas negativas, explica a autora do estudo, se manifestam, entre diversas ações, exemplifica a estudiosa, também pela chamada punição inconsciente. “É quando a mãe interage de acordo com o próprio humor”, ensina a acadêmica. Desta forma, observa Sária, a criança “aprende”, por repetição, a “remar de acordo com a maré”.

Excesso de regras ou a falta das mesmas, acrescenta a pesquisadora, cujo trabalho foi financiado pelo Fundo [Fundação] de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), também se enquadram nas chamadas práticas negativas. Portanto, salienta a psicóloga, é melhor controlar as emoções para se chegar a uma educação ideal.

A pesquisa sobre influência da saúde mental e estado de ansiedade maternos nas práticas educativas também atestou que, as mesmas mães, também apresentam procedimentos adequados, mesmo em algumas das situações listadas. “Existem também as práticas positivas”, pondera. “Buscamos enfocar a prevenção”, ressalta a autora.

Despertar ‘precoce’

A cada dia temos a impressão de que as novas gerações “despertam” mais cedo para o mundo ao redor. Para a psicóloga Sária, o que ocorre, na realidade, é a maior oferta de alternativas de exploração para os pequenos que, segundo ela, devem ser educados desde os seis meses de idade.

“Ocorre que hoje os estímulos são maiores, há muita coisa. A vida delas se resume a explorar o ambiente”, atribui.

A autora do projeto, denominado “Correlação entre Desenvolvimento Infantil e Práticas com os Indicadores de Ansiedade, Depressão e Estresse Maternos”, chama a atenção para a presença da figura paterna no processo de diminuição de fatores que comprometam o comportamento da mãe e, consequentemente, na educação dos bebês. .

“O pai tem um papel importantíssimo. Na realidade, trata-se de uma rede de apoio composta pelas duas figuras que dividem atribuições, todo o cuidado”, observa a pesquisadora.