Notícia

Gazeta Mercantil

Academia sustenta pólo tecnológico

Publicado em 20 janeiro 2003

Por Adriana Miranda - de Campinas
A educação superior e a pesquisa são dois dos principais combustíveis que fazem de Campinas um pólo de alta tecnologia. Com 968,1 mil habitantes, a cidade conta com três universidades (Unicamp, PUC e Unip) e sete faculdades e centros de ensino superior, que a transformam em uma lavoura de inteligências, além de fornecedora de mão-de-obra de alta qualificação. Entre as mais recentes instituições de ensino está a Faculdades de Campinas (Facamp), criada pelos economistas João Manoel Cardoso de Mello e Luiz Gonzaga Beluzzo, ex-professores da Unicamp. Há ainda inúmeros institutos de pesquisa, como o CPqD (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações), o Instituto Nacional de Tecnologia de Informação (ITI), o Instituto Agronômico de Campinas (IAC), o Laboratório Nacional de Luz (Sincontron) e o Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital). "Essa mão-de-obra especializada circula entre empresas e institutos. Ela gera riqueza e desenvolvimento social", diz o reitor da Unicamp e ex-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Carlos Henrique de Brito Cruz. A Unicamp tem 25,3 mil alunos, sendo que a maior parte deles (12,7 mil) estão em cursos de pós-graduação. A instituição é a que mais forma doutores - cerca de 700 por ano - e o desafio, afirma Brito Cruz, é fazer com que as empresas também invistam em pesquisa. "Para que o País tenha uma economia saudável é preciso ter cientistas nas empresas", diz. O Brasil forma por ano seis mil doutores. A maioria esmagadora deles se encontra em universidades públicas. Em 36 anos de existência, a Unicamp formou mais de 200 cientistas para a Petrobras. A instituição mantém cerca de 800 convênios e contratos de pesquisas com importantes empresas e centros de alta tecnologia como a própria Petrobras, CNPq e a Ericsson. Dos seus 1,8 mil professores, 95% têm titulação mínima de doutor. FORMAÇÃO ACADÊMICA Levantamento recente mostra que dos 30 mil ex-alunos de graduação, 85% atuam profissionalmente em suas áreas de formação, e que, desses, 26% são chefes em seus setores, 11% são profissionais liberais ou proprietários de empresas, 55% são funcionários qualificados e 7% dão seqüência a sua formação acadêmica em cursos de pós-graduação. Apenas 1% está desempregada. São 53 cursos de graduação, 60 de mestrado e 51 de doutorado, além de 18 empresas juniores. Nascido no interior das universidades francesas em 1967, o Movimento Empresa-Júnior é hoje considerado um sucesso acadêmico, econômico e empresarial na universidade, onde encontrou terreno fértil. Não por acaso, cinco das 18 empresas já estão com 11 anos. PROJETO GENOMA A universidade não só colaborou para a revolução no mercado da fibra óptica como desenvolve pesquisas nas áreas biológicas, exatas e humanas que transformaram o País e ajudam a divulgar a PUC para imagem do Brasil no exterior. Em parceira com diversos países participou, por exemplo, do Projeto Genoma, que mapeou todo o material genético do ser humano. Ela também atua no centro das decisões de políticas públicas ao gerar ministros e secretários para os governos federal, estaduais e municipais. O orçamento da Unicamp para o próximo ano, com campi também nas cidades de Limeira e Piracicaba, é quase igual ao do seu município sede. São previstos R$ 670 milhões de recursos do estado e mais R$ 270 milhões, captados juntos a organizações governamentais, agências de financiamento de fomento à pesquisa e empresas, o que totaliza R$ 940 milhões. O orçamento de Campinas é estimado em R$ 1 bilhão. A vocação da universidade, diz o reitor, é oferecer um ensino de qualidade e investir em pesquisa. NOVOS RUMOS Quem também se voltou para a pesquisa nos últimos dez anos foi a Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), que tem 61 anos. Já são 29 cursos na pós-graduação e 1.729 alunos. Ao contrário da Unicamp, a instituição tem foco no mercado regional e por isso sua pesquisa é voltada para as demandas das cidades da região metropolitana, como as questões ligadas aos recursos naturais. As demandas da região levaram a PUC, por exemplo, a investir em mestrado em urbanismo e a criar um doutorado em biblioteconomia e ciência da informação e uma especialização em análises de sistemas voltadas para a arquitetura. "A nossa formação é voltada para um profissional preparado para resolver problemas", diz a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Vera Silvia Marão Beroquet. Três mil empresas mantêm convênios com a PUC para estágios dos seus alunos. "Muitas delas nesta área de alta tecnologia", diz Vera. A universidade conta com 403 professores doutores e 267 com mestrado e 20.375 alunos divididos em 41 cursos de graduação.