Notícia

Confap - Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa

Academia de Ciências recebe governador na celebração da posse do novo presidente da Faperj

Publicado em 04 fevereiro 2019

Solenidade na Academia Brasileira de Ciências (ABC) na segunda, 28 de janeiro, celebrou a posse do cientista e acadêmico Jerson Lima Silva na presidência da Faperj. Com auditório lotado, a cerimônia contou com a presença do governador Wilson Witzel, que ratificou seu desejo de cumprir o que determina a Constituição estadual e voltar a destinar 2% da receita tributária líquida para a Faperj. Desde 2015 que a Fundação vem enfrentando dificuldades para honrar o pagamento dos chamados “Auxílios”, limitando-se quase que unicamente ao pagamento de bolsas. Os “Auxílios”, que representavam até então a maior parte do fomento à pesquisa praticado pela Faperj, se dividem em programas regulares do calendário anual de apoio a projetos, além de editais específicos voltados para o incremento das atividades em áreas da Ciência, Tecnologia e Inovação, de acordo com necessidades previamente identificadas.

Acompanhado do secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (C,T&I), Leonardo Rodrigues, o governador disse que fará todo o possível para cumprir a Constituição estadual. “Esse é o nosso objetivo. Mas estamos em um momento muito difícil, sendo obrigados a um contingenciamento para ter segurança para encerrar o exercício financeiro”, disse. Em sua fala, o governador mostrou-se sensibilizado com a necessidade dos investimentos na área e lembrou sua própria trajetória na academia, já que faz atualmente doutorado em Ciência Política na Universidade Federal Fluminense (UFF). Ele também destacou as ações em curso para aumentar a arrecadação, como o combate à sonegação fiscal e as negociações com o governo federal para aumentar o repasse para os estados dos impostos arrecadados, assim como a porcentagem dos royalties do petróleo.

Além de Witzel e Rodrigues, também compuseram a mesa na solenidade o reitor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Ruy Garcia Marques; o presidente da ABC, Luiz Davidovivich; o vice-presidente da Academia Nacional de Medicina (ANM), Antônio Egídio Nardi, e o presidente em exercício da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), André Godoy.

O primeiro a discursar foi o anfitrião, Davidovich, que ressaltou que o estado do Rio tem características ímpares por abrigar instituições de pesquisa de relevância nacional e internacional, exemplos de potência científica e de inovação à espera de apoio continuado e sólido. “É com esperança que recebemos nesta casa o governador e o secretário, pois queremos de fato ver uma Faperj forte e os parabenizo pela escolha do professor Jerson Lima, que garante a continuidade das ações da Fundação”, disse o renomado físico.

Em seu discurso, Davidovich lembrou aos presentes que a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) há tempos já recebe os recursos do erário mensalmente, na forma de duodécimos, o que não acontece no Rio. Ele destacou alguns projetos marcantes na área da Ciência, Tecnologia e Inovação que geraram importantes retornos para a economia e a sociedade, como a descoberta revolucionária da pesquisadora Johanna Döbereiner, de fixação de nitrogênio no solo por meio de bactérias, o que proporcionou aumento de quatro a sete vezes na produtividade das lavouras de soja, além de uma economia de bilhões de dólares com adubos nitrogenados. Mencionou ainda o tanque oceânico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que permite simular as condições enfrentadas por plataformas de petróleo em alto-mar. “Temos muita esperança de que essas oscilações no repasse de recursos à Faperj, que denotam descaso do governo estadual com a Ciência no Estado do Rio, vão mudar”, afirmou, lembrando que um apoio constante à pesquisa fluminense certamente enriquecerá a economia do Rio de Janeiro e do Brasil. Como exemplo, destacou os avanços obtidos no estudo do Alzheimer e, em particular, da rede de estudos em Arboviroses – que reuniu os principais nomes da pesquisa na área no estado e foi financiada em sua maior parte pela Faperj –, que incluem pesquisas com dengue, zika e chikungunya, e que apresentaram resultados importantes. Criada, em alguma medida, após a explosão de casos de microcefalia no País, a rede permitiu não só confirmar a relação entre a Zika e a microcefalia, como igualmente avançar, por exemplo, em descobertas relevantes para a cura de casos neurológicos graves de dengue e chikungunya.

Reitor da Uerj, Garcia Marques, que foi presidente da Faperj entre os anos de 2007 e 2014, elogiou a escolha do governador para presidir a Fundação. “A comunidade científica do estado está em festa com a chegada do professor Jerson Lima à presidência da Faperj”, disse, ressaltando que o acadêmico conhece a Fundação em plenitude, tendo sido seu diretor Científico entre os anos de 2003 e 2018, com aprovação maciça de toda a comunidade. “Trabalhei por oito anos com o professor Jerson na Faperj e não tenho qualquer dúvida de que ele reúne todas as qualidades para assumir a presidência dessa que é a principal agência de fomento à pesquisa em nosso estado”. Dirigindo-se ao governador, lembrou que a Faperj é de primordial importância para todas as instituições de pesquisa e inovação sediadas no estado, em especial para as universidades estaduais. “Precisamos restabelecer no menor espaço de tempo possível a capacidade de fomento da Faperj. Nos últimos três anos, tivemos uma drástica redução no Auxílio à Pesquisa”, lembrou. Segundo ele, não obstante a situação crítica por que passa o estado, é indispensável que haja um cronograma de pagamento de todos os “Auxílios” aprovados pela Fundação – alguns que remontam ao segundo semestre de 2014 – e não pagos, pois eles são fundamentais para o funcionamento e desenvolvimento de centenas de laboratórios e linhas de pesquisa em todas as áreas de conhecimento e em todas as instituições de ensino e pesquisa sediadas no Rio de Janeiro.

O secretário estadual de C,T&I, Leonardo Rodrigues, destacou o perfil técnico das equipes que estão sendo montadas nas áreas de C,T&I e comentou sobre a tranquilidade de ter, na Faperj, um presidente que tem o respaldo de toda a comunidade científica. Rodrigues reforçou a necessidade da academia e as empresas caminharem juntas. “Nós precisamos trabalhar ao lado da sociedade e dar oportunidades para os jovens que pretendem entrar no mercado de trabalho por meio da Faetec [Fundação de Apoio à Escola Técnica], que também tem todo apoio da Faperj. É necessário ter um olhar social e de inclusão porque nós só vamos virar esse jogo com educação, formação profissional, e disponibilizando para o mercado os melhores profissionais”, disse.

O presidente da Faperj, que foi o penúltimo a discursar, lembrou que o estado do Rio de Janeiro conta com um avantajado número de instituições de excelência, e que quatro universidades sediadas no Rio estão entre as 20 melhores avaliadas do País. “Com todo esse patrimônio imensurável, somos o segundo estado em maior produção de conhecimento e inovação do País. Levando-se em consideração que nos dias atuais conhecimento é riqueza, podemos afirmar que o estado é rico, e que essa riqueza precisa ser valorizada, nutrida e chamada a contribuir na solução dos problemas fluminenses. Nesse cenário, a principal missão da Faperj é fazer com que esse grande patrimônio científico e tecnológico do estado gere conhecimento novo e que participe ativamente do desenvolvimento sustentável e da recuperação econômica e social do Rio de Janeiro”, acrescentou.

De acordo com o novo titular da Faperj, como parte do projeto de recuperação da capacidade de fomento da Fundação, a Faperj e a Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia, Inovação buscarão aumentar as parcerias com as agências do Governo Federal e suas agências, CNPq, Finep, Capes, Decit, Embrapii. Em seguida, citou a política de investimentos em pesquisa nos Estados Unidos para exemplificar o retorno financeiro dos recursos alocados em C,T&I, argumentando que é preciso inverter a lógica de que em épocas de crise a área é quase sempre uma das primeiras a primeiras sofrer cortes. Em seu discurso, Jerson lembrou que, de acordo com o diretor-geral do Instituto Nacional de Saúde Americano (NIH), Francis Collins, cada dólar investido pelo NIH na área de pesquisa Biomédica e da Saúde resulta em um retorno de US$ 2,2 dólares em 12 meses, de acordo com um estudo publicado em 2010 na revista científica Nature.

A solenidade contou ainda com a presença de um expressivo número de acadêmicos da Ciência, reitores, pró-reitores, pesquisadores e professores. Diversos membros do secretariado de Witzel marcaram presença na cerimônia. Além de Rodrigues, também estavam presentes o secretário estadual de Esporte, Lazer e Juventude, Felipe Bornier; a secretária estadual de Ambiente e Sustentabilidade, Ana Lúcia Santoro; o secretário estadual de Governo e de Relações Institucionais, Gutemberg de Paula Fonseca. Saudações especiais foram feitas ao ex-presidente da ABC, o matemático Jacob Palis, e ao historiador José Murilo de Carvalho, que além de acadêmico da ABC, também integra a Academia Brasileira de Letras (ABL). Também tiveram suas presenças registradas o documentarista e empresário João Moreira Salles, fundador do Instituto Serrapilheira, primeira instituição privada dedicada ao fomento da pesquisa no País; e o físico Ildeu de Castro Moreira, presidente Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência (SBPC).

Fonte: Ascom Faperj.