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Academia com a cara da região

Publicado em 01 fevereiro 2005

No meio do caminho entre a universidade pública e as escolas privadas, a FSA (Centro Universitário Fundação Santo André) busca construir seu lado unitário, diferencial que aproxima a instituição da região, seja pelas demandas sociais ou pela necessidade de o Grande ABC criar novas rotas de desenvolvimento. A Fundação conta com 12 mil alunos e mais de 600 funcionários e pode disseminar conhecimento nas áreas de segurança pública, desenvolvimento econômico, meio ambiente e cultura.
Longe de crise de identidade, a FSA quer descobrir e aprofundar vocações. A Fundação não é universidade pública como a USP (Universidade de São Paulo) ou escola privada como inúmeras faculdades e centros universitários que surgiram nas últimas décadas no Brasil. E entidade pública sem fins lucrativos mantida financeiramente com mensalidades dos alunos. Esse caráter híbrido aproxima a FSA de escolas semelhantes como as PUCs (Pontifícias Universidades Católicas), Universidade Mackenzie e Universidade Metodista de São Paulo. Não por acaso, todas fazem parte da Abruc (Associação Brasileira das Universidades Comunitárias), que reúne 36 instituições de Ensino Superior sem fins lucrativos. "Queremos estabelecer contato mais direto com a comunidade, relação mais profunda do que simplesmente desenvolver alguns projetos" — afirma o reitor da FSA, Odair Bermelho, responsável por complexo de três faculdades Faeco (Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas), Fafil (Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras) e Faeng (Faculdade de Engenharia) — além do Colégio. Ao todo, são 23 cursos de graduação e 15 de pós-graduação. Como a FSA está em processo para virar universidade, nada melhor do que reforçar o caráter comunitário para ter diferencial diante das outras instituições de Ensino Superior no Grande ABC.
Para construir caráter comunitário, a FSA trabalha projetos sociais e culturais de formação e aperfeiçoamento da estrutura pública, além de pesquisas e prospecção em economia. Exemplo é a criação de três espaços culturais no ano passado. Um dos quais a Casa Amarela, abriga exposições de arte popular e clássica e funciona em prédio histórico da antiga reitoria. "A gente quer reconstruir os 50 anos da Fundação com a ativação de centro de memória na Casa Amarela" — conta Odair Bermelho. A Biblioteca Comunitária, com acervo de aproximadamente 35 mil livros, teve prédio reformado, obra que resgatou o projeto original do arquiteto Jorge Bomuim. "Qualquer pessoa pode ter acesso, mas o que mais me chamou a atenção uma semana após a inauguração da biblioteca foi ver uma menina com chinelos de dedo, moradora de uma das favelas da proximidade, lendo o livro Pequeno Príncipe" conta a pró-reitora de Assuntos Comunitários, Angélica Lovatto. A leitura pode não ser das mais educativas, mas representa salto astronômico para o crescimento intelectual de criança que sobrevive em uma das áreas mais carentes da cidade.
O terceiro equipamento cultural inaugurado pela FSA em 2004 foi o Teatro Nelson  Zanotti, com capacidade para 236 pessoas. O reitor Odair Bermelho pretende abrir o teatro aos finais de se mana para grupos amadores e nos de mais dias para circuito cultural. A Pró- reitoria de Assuntos Comunitários foi criada em dezembro de 2004, produto de discussões sobre o papel social da FSA. Também foi constituído Conselho de Integração Universidade-Sociedade, com posto por representantes da Fundação, do Poder Público e da sociedade. "Nos sa missão é atender ao desenvolvimento econômico regional" explica a pró- reitora de Assuntos Comunitários, Angélica Lovatto.
Um projeto já consolidado envolveu a formação especial de 214 professores da rede fundamental de ensino público, em parceria com as prefeituras de Santo André, Diadema e Rio Grande da Serra, O curso, com duração de dois anos, capacitou os docentes em nível superior Outra iniciativa foi a criação do Centro de Estudos Ambientais e Formação de Paranapiacaba, campus avançado da FSA na vila ferroviária de Santo André. O centro conscientiza os moradores sobre a importância histórica, arquitetônica e ambiental de Paranapia caba. Uma maneira de ajudarem na recuperação do acervo e de se transformarem em agentes turísticos. A FSA firmou parceria com a FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), para estudo do patrimônio histórico das casas de madeira de Paranapiacaba, com apoio de historiadores e biólogos. O projeto também envolve a recuperação de moradias do Parque Andreense, área vizinha à Paranapiacaba. "A gente é capaz de envolver em um único projeto cursos como Ciências Sociais, História, Geografia, Pedagogia, Biologia e Engenharia Ambiental" — ressalta o reitor Odair Bermelho. Outra ação regional foi o convênio firmado com a Prefeitura de São Bernardo, que ofereceu todas as 40 vagas para estágio na Secretaria de Finanças a alunos do curso de Administração e Contabilidade.
Estudo sobre o desenvolvimento regional começou a ser feito pela FSA, em convênio com a Agência de Desenvolvimento do Grande ABC. O objetivo é realizar pesquisa que sustente em dois anos base para o cálculo do Índice de Desenvolvimento Urbano das sete cidades da região, por meio de critérios econômicos e sociais. A pesquisa da economia regional é caldo de cultura para que a FSA aprofunde estudo de atividades empresariais. A instituição lança este ano o curso de Gestão de Empresa Social, inovação que atende à demanda de políticas de responsabilidade social que a iniciativa privada adota cada vez mais.
A especialização em Grande ABC é um dos resultados da política comunitária da FSA. Prova disso está na criação do Instituto de Estudos e Pesquisas em Políticas Públicas de Segurança, para formar especialistas no setor, sejam ad ministradores públicos, policiais civis e militares, além de profissionais de segurança privada. E o primeiro curso brasileiro lato senso de política pública em segurança. "Se passar no Congresso Nacional a lei que munícipaliza a segurança pública, seremos os primeiros a atender a demanda" — aposta o reitor Odair Bermelho. Os diferentes cursos e projetos criados pela FSA nos últimos anos fazem sua ação comunitária permear o próprio direcionamento da instituição para o estudo. da economia da região. "Todos esses estudos também adquirem papel comunitário. Até porque a Fundação não vai fazer assistencialismo social por entender que não é seu papel resolver essa questão" — admite Odair.
A vocação da Fundação para o contato com os diferentes setores da sociedade regional está expressa também na disposição de estreitar os laços com diferentes setores. "Queremos visitar as empresas, ter contatos com o Sebrae, as associações comerciais e o Consórcio Intermunicipal" — afirma Angélica Lovatto, que aponta o curso de Mecatrônica da Faeng (Faculdade de Engenharia) como exemplo de atendimento de demandas da comunidade. O curso é realizado no período da tarde, das 1 5h às 1 9h, justamente para permitir que operários das montadoras possam participar.