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CPP - Centro do Professorado Paulista

Abordagem investigativa de ciência na rede pública de S. Carlos

Publicado em 31 agosto 2021

Um projeto desenvolvido pelo Instituto de Química de São Carlos da Universidade de São Paulo (IQSC-USP), em parceria com escolas públicas de ensino fundamental e médio, tem contribuído para a formação de estudantes mais preparados por meio de atividades que desafiam os jovens a resolverem situações-problema em classe.

A iniciativa está sendo desenvolvida no âmbito do Projeto Temático “Estudo e aplicação da tecnologia eletroquímica para a análise e a degradação de interferentes endócrinos: materiais, sensores, processos e divulgação científica”, com apoio da FAPESP e coordenação do professor Marcos Roberto de Vasconcelos Lanza, do IQSC-USP.

Professores da rede estadual aplicam nas aulas uma estratégia de ensino chamada “Abordagem Investigativa”, na qual os alunos assumem o protagonismo e aprendem fazendo. Depois de trabalharem conceitos teóricos em livros e apostilas, como é comum no ensino tradicional, os alunos vão para a prática.

Para estudar sobre ângulo e transformações de energia, por exemplo, alunos das escolas estaduais Marivaldo Carlos Degan e Luis Viviane Filho, ambas localizadas no bairro Cidade Aracy, em São Carlos, e duas das instituições que integram o projeto, construíram carrinhos de garrafa pet movidos pela reação química entre vinagre e bicarbonato.

Nesse processo, a turma é estimulada a levantar hipóteses e questionamentos, como “Qual a melhor proporção dessa mistura para o deslocamento do veículo?”, “Por que o ar desloca o carrinho?”, “Qual o peso ideal que o carro deve ter?” e, por fim, “Qual o melhor ângulo para o lançamento?”. Validando essas possibilidades e resolvendo esses problemas, os alunos aprendem brincando conceitos de ciências, química e matemática.

“Quando o gás sai pela garrafa, o veículo se movimenta. Ou seja, a classe vê a conversão da energia cinética em energia mecânica acontecendo”, relata à Assessoria de Comunicação do IQSC-USP o professor Nicolas Martins, que implementou a atividade na Escola Marivaldo Carlos Degan.

O docente afirma ainda que, como os estudantes colocam a mão na massa, o engajamento é muito maior e a aprendizagem se torna mais efetiva.

A professora Ana Cláudia Kasseboehmer, docente do IQSC-USP e coordenadora do projeto batizado de EducAção, conta que, num primeiro momento, alguns estudantes têm dificuldades, medo de pensar ou falar algo e serem repreendidos. Mas depois que compreendem a ideia, pedem que outras aulas com o mesmo perfil sejam realizadas. Ela explica que a metodologia desenvolve o raciocínio lógico, exercita a curiosidade intelectual, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade.

Apesar de a “Abordagem Investigativa” ainda ser pouco difundida nas salas de aula brasileiras, a metodologia é parte da Base Nacional Comum Curricular e do Currículo Paulista. Em São Carlos, por meio da parceria com a USP que ocorre desde 2019, a estratégia está presente nas Escolas Estaduais André Donatoni, Ludgero Braga, Dona Aracy Leite Pereira Lopes e Marivaldo Carlos Degan.

O distanciamento social provocado pela pandemia de COVID-19 alterou os planos do projeto e todos os encontros de formação passaram a ser on-line. A mudança atraiu mais participantes, que antes não podiam comparecer. No primeiro semestre de 2021, 60 professores chegaram a se envolver com as atividades promovidas pelo IQSC. O projeto ainda contribui para a formação dos licenciandos da USP.

A iniciativa crescerá nos próximos meses. Além do grupo de “Aprendizagem Investigativa”, os temas de “Sustentabilidade” e “Alimentação Segura” passarão a ser trabalhados com professores de escolas públicas.

Agência FAPESP

 

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