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Abertura de centro de pesquisa sobre uso sustentável do petróleo injeta R$ 25 milhões na Unicamp

Publicado em 20 fevereiro 2019

A abertura de um novo centro de pesquisas ligadas ao petróleo na Unicamp injetará R$ 25 milhões na universidade em cinco anos. O projeto foi lançado nesta terça-feira (19), após a instituição com campus em Campinas (SP) vencer o edital criado a partir do acordo de cooperação feito entre a Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapesp) e a estatal norueguesa Equinor, da área de energia.

Ao G1, o diretor do Centro de Estudos de Petróleo (Cepetro), Denis Schiozer, explica que a unidade existente servirá de sede para os trabalhos. Segundo ele, os recursos serão divididos igualmente entre a companhia e a instituição ligada ao governo do estado, e as atividades na área especializada na engenharia em reservatórios e gerenciamento da produção serão divididos em dois grupos.

"Buscaremos produzir mais petróleo de uma forma mais sustentável e com soluções inovadoras no descarte de CO2 [gás carbônico], que poderá ser usado para aumentar a produção de petróleo; e uso mais sustentável da água produzida junto com petróleo", diz o docente ao citar que entre os focos estão reservatórios de óleos na Bacia de Campos e do pré-sal.

Schiozer confirma que as outras metas do projeto abrangem a busca por soluções inovadoras para otimizar a produção do combustível e eficiência dos postos, além da recuperação de reservatórios. Ele ainda ressalta a importância do segmento para a universidade, ao lembrar que na área do petróleo há uma regulamentação que incentiva as empresas a investirem em novos estudos.

"O Cepetro da Unicamp assinou mais de R$ 120 milhões em projetos no último ano, em várias áreas de conhecimento ligadas ao setor de petróleo e gás", lembra. Segundo ele, já há um acordo entre a universidade, Fapesp e Equinor que prevê mais R$ 25 milhões nos cinco anos posteriores.

Como vai funcionar?

O diretor explica que algumas atividades já tiveram início no Cepetro, em parceria com a Faculdade de Engenharia Mecânica. Já a outra parte necessária para desenvolvimento, de acordo com ele, depende de reformas que serão realizadas a médio prazo e estão previstas no plano. "Acreditamos que em pouco mais de um ano estaremos em funcionamento integral. Além disso, o centro envolve 12 professores que têm laboratórios com espaços para acomodar partes do projeto", explica.

O professor conta que um grupo de pelo menos 60 pessoas está envolvido no novo centro de pesquisas, incluindo pesquisadores e estudantes da pós-graduação. Ele frisou que a iniciativa também é positiva para a Unicamp, que prevê um déficit orçamentário de R$ 169 milhões.

Para equilibrar as contas, a universidade projeta usar até dezembro, pelo terceiro ano consecutivo, aporte vinculado à "reserva estratégica". O valor é de R$ 164,5 milhões para garantir equilíbrio exigido pelas Leis de Finanças Públicas e de Responsabilidade Fiscal, destaca a instituição.

"A Unicamp continua se esforçando muito para conseguir manter suas atividades eficientes para ensinos de graduação e pós, mas estes recursos de pesquisa ajudam muito a universidade a superar parte dessa crise", avalia Schiozer.

A Equinor atua no Brasil há 17 anos com foco na exploração e produção de petróleo e gás natural offshore [empresa situada no exterior, sujeita a regime legal e tributário diferentes do país de origem]. Ela produz 100 mil barris por dia, a segunda maior operação no Brasil.

Fonte: G1