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Brasil Econômico

Abaixo os espertinhos de plantão

Publicado em 05 outubro 2010

Se você for um empresário e o termo subvenção econômica der um "nenhum resultado encontrado" na sua busca mental, é provável que esteja perdendo um boa oportunidade.

Há alguns anos, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) vem oferecendo diversas linhas de apoio à inovação e uma das que mais chamam a atenção é a Subvenção Econômica. Nesta modalidade a Finep "dá" o recurso para que a sua empresa desenvolva um projeto de inovação. Se você reagiu com um "como assim?", já ficou para trás porque milhares de empresas já estão elaborando seus projetos.

Mas nem sempre foi assim. Em 2008, Eduardo Costa, diretor de inovação da Finep, diante dos resultados das primeiras chamadas de projetos de Subvenção Econômica, desabafou: Não tivemos a quantidade de bons projetos que esperávamos. Na época, Sérgio Resende, ministro de Ciência e Tecnologia, confirmou a situação: "Vemos que os recursos estão à disposição... O que falta é mais qualidade nos projetos das empresas".

Dois anos depois, a expectativa agora é uma enxurrada de projetos de inovação de boa qualidade. Vários motivos explicam esta virada. A primeira é a atuação da própria equipe da Finep. A área de inovação da entidade é formada por uma nova geração de funcionários realmente engajada com o tema. A segunda explicação é atuação da mídia. É crescente o interesse em mostrar o caminho das pedras em como obter recursos não só da Fi-nep, mas também de outras entidades como BNDES, CNPq, Fapesp, fundos de capital de risco.

E há um terceiro elemento que tem feito a diferença: os consultores de inovação. Há uma proliferação de consultores de inovação em todo o país. Universidades criaram núcleos ou agências de inovação, entidades de apoio como Sebrae, Fiesp, IEL, Antropec, PGT/USP passaram a oferecer programas de capacitação em inovação e há inúmeros bons consultores independentes de inovação.

E como toda boa história tem um mas, há os espertinhos da inovação. Pessoas que se autodenominam consultores e vendem o paraíso da inovação para empresários despreparados. Estes espertinhos da inovação: 1) garantem que a empresa receberá o recurso; 2) reforçam que conhecem alguém na entidade provedora do recurso; 3) ou pior (e ilegalmente), falam em nome da entidade; 4) cobram antecipadamente e não vinculam seu pagamento à obtenção do recurso; 5) não atrelam o projeto de inovação à estratégia da empresa; 6) incluem seus fornecedores "conhecidos" no projeto; 7) não orientam a empresa a respeito de uma estrutura interna de inovação; 8) não transferem seu conhecimento para a empresa; 9) incluem um pagamento adicional (sem a respectiva prestação de serviços) após o recebimento do recurso; 10) tentam dar consultoria para o maior número de empresas simultaneamente.

É inegável que a maioria desses espertinhos da inovação sabem escrever projetos de alta qualidade. Mas as entidades de fomento estão cada vez mais atentas a empresas que contam com uma estratégia condizente de inovação e as que só contam com os espertinhos de plantão.