Notícia

Jornal do Commercio (RJ)

A volta dos Jardins do Éden

Publicado em 28 abril 2005

O projeto da Organização das Nações Unidas (ONU) para recuperar os pântanos do Iraque, região onde se acredita que teriam existido os bíblicos Jardins do Éden, deverá entrar agora em uma fase prática. Esta semana, a instituição anunciou a definição de seis programas pilotos na região.
Todas as intervenções a serem realizadas no local, que tentarão dar vida nova ao importante ambiente úmido, serão baseadas em tecnologias ambientalmente saudáveis. Seis projetos receberão um total de US$ 11 milhões, de um fundo do governo japonês.
Além da preocupação ambiental, as técnicas deverão resultar na oferta de água potável e saneamento básico às 85 mil pessoas que vivem na região. A nova fase do projeto de recuperação ambiental dos pântanos iraquianos foi anunciada no último dia 21, em reunião da Comissão de Desenvolvimento Sustentável da ONU, em Nova York.
De forma geral, existem dois focos principais em todos os projetos. Além da recuperação dos bancos de vegetação típicos do local, serão instalados equipamentos de baixo impacto ambiental para a filtragem da água disponível. O manejo na região, acreditam os pesquisadores, precisa ser inspirado na experiência dos babilônicos e sumérios, que chegaram na região há 5 mil anos.
A iniciativa da ONU de recuperar a região situada entre os rios Tigre e Eufrates existe desde 2001. Imagens de satélites obtidas naquele ano mostraram que pelo menos 90% dos pântanos estavam condenados a secar de forma definitiva.
Em 1991, durante a Guerra do Golfo, o regime autoritário de Saddam Hussein determinou a realização de uma grande drenagem de toda a área. A ordem foi dada com o objetivo de evitar que inimigos do regime ficassem escondidos na região do pântano.
Com a queda de Saddam Hussein, em meados de 2003, a própria população local começou a reabrir os canais para que a água voltasse a circular livremente pela região. Segundo os mais recentes cálculos dos técnicos, 50% da área, que tem 6 mil quilômetros quadrados, estão com água em suas redes novamente.
A ONU, com projetos tecnológicos de baixo impacto, espera que 100% dos "Jardins do Éden" voltem a lembrar os tempos bíblicos - ainda que vagamente - nos próximos anos.