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Gazeta de Piracicaba

A vida pelos números

Publicado em 21 janeiro 2011

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A essência da vida segue uma sequência matemática lógica. Pesquisadores da Unicamp e da Universidade de São Paulo (USP) comprovaram que existe uma relação matemática entre um código numérico, como os usados em traquitanas tecnológicas como computadores e celulares, e o DNA, que carrega os genes dentro das células. Os brasileiros descobriram que as bases nitrogenadas timina (T), guanina (G), citosina (C) e adenina (A) que formam o DNA se organizam segundo uma lógica numérica As matemáticas Luzinete Cristina Bonani de Faria e Andréa Santos Leite da Rocha descobriram que tanto sequências de DNA de fungos, vírus, plantas, bactérias e humanos, quanto o gene ``TRAV7`` do Homo sapiens e o genoma do plasmídeo (DNA extra-cromosso-mais) da Lactococcus lactis (uma bactéria) foram gerados por um código matemático.

A conquista vinha sendo perseguida por cientistas do mundo inteiro e pode revolucionar as pesquisas em várias áreas, (leia texto abaixo).

O professor da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação (Feec) da Unicamp e coordenador do grupo, Reginaldo Palazzo Jr., explica que ao conhecermos a estrutura matemática de uma proteína, por exemplo, é possível corrigir as mutações ou erros que possam acontecer para que ela volte à sua condição normal. Isso acontece porque quando há uma mutação, o código numérico não se aplica mais ao DNA. ``As aplicações são muitas. Pode ser usado para a produção de novos fármacos, melhoramento genético e para acelerar as pesquisas científicas, criar novos produtos``, explica Andrea, uma das autoras do estudo.

Um exemplo de como a matemática pode ser aplicada pelos cientistas é na pesquisa sobre a falta de produção de insulina pelas células do pâncreas. Usando padrões matemáticos, seria possível corrigir erros em um gene específico. A descoberta dos cientistas possibilita o desenvolvimento de softwares que podem ser utilizados em simulações para pesquisas em várias áreas. ``Biólogos geralmente trabalham com tentativas e erros. O desenvolvimento de um software e a possibilidade de usar a matemática para a pesquisa pode encurtar esse caminho``, conta Luzinete, também autora do estudo.

Estruturas serão usadas pelo mundo

Os pesquisadores depositaram uma patente internacional pelo Tratado de Cooperação em Patentes em vários países e outra nos Estados Unidos. Para tanto, contaram com financiamento da Fapesp e apoio da Agência de Inovação da Unicamp e da Agência USP de Inovação. As estruturas matemáticas descobertas pelo grupo poderão ser usadas por laboratórios de todo mundo na forma de um software para testar proteínas em um amplo leque de produtos. Com o código numérico, será possível testar a afinidade e a estabilidade de uma proteína de forma preliminar para verificar mutações e depois submetê-la a testes de laboratório. 0 próximo passo é conseguir financiamentos e recursos computacionais para analisar o genoma humano. 0 objetivo dos cientistas é encontrar um padrão entre o código numérico e o genoma humano. ``Precisamos do apoio de uma série de outros cientistas de áreas como a Química, Física, Biologia e Ciência da Computação e de grandes recursos computacionais para fazer os cálculos``, explica o professor Palazzo. (PA/AAN)