Notícia

Jornal da Ciência online

A vez das vacinas gênicas

Publicado em 11 janeiro 2021

Os imunizantes da BioNTech/Pfizer e da Moderna resultam de investimentos, feitos há anos, na tecnologia de RNA mensageiro para criar novos produtos

A expressão de alívio dos moradores do Reino Unido ao receberem a primeira dose de uma vacina contra o novo coronavírus no início de dezembro não é fruto apenas de uma corrida acelerada por uma forma de barrar o avanço da pandemia que marcou 2020. Baseados em uma tecnologia que se vale da ação de moléculas de RNA mensageiro sintetizadas em laboratório para estimular uma resposta imunológica específica contra o vírus Sars-CoV-2, os dois imunizantes com melhores resultados nos testes em seres humanos, ambos com cerca de 95% de eficácia, inauguraram a era das chamadas vacinas gênicas. São produtos que se beneficiaram de anos de trabalho científico, com acertos e erros, e de investimentos em duas startups nem tão recentes da área de biotecnologia: a alemã BioNTech, fundada em 2008 por um casal de médicos de ascendência turca, que se associou à gigante e centenária Pfizer, dos Estados Unidos, em sua vacina contra o Sars-CoV-2; e a norte-americana Moderna, criada em 2010 em Cambridge, cidade do estado de Massachusetts vizinha a Boston.

Antes da eclosão dos primeiros casos de Covid-19, essas pequenas empresas ainda não tinham lançado nenhum produto no mercado, mas já trabalhavam com o emprego de RNA mensageiro em pesquisas para a criação de vacinas contra outras doenças. Com a pandemia, elas souberam redirecionar rapidamente esses esforços e redobraram suas apostas na tecnologia, dessa vez voltada para a busca de um imunizante eficaz contra a infecção causada pelo novo coronavírus. Embora ainda seja cedo para prever o impacto das vacinas no controle da pandemia, a estratégia parece ter sido bem-sucedida. Agora, essas vacinas, e outras que estão chegando, podem ser decisivas para ajudar a controlar uma das maiores pandemias da história, que já atingiu aproximadamente 70 milhões de pessoas e ceifou a vida de 1,6 milhão de habitantes da Terra.

Leia na íntegra: Revista Pesquisa Fapesp