Notícia

Jornal da USP

A Universidade em rede

Publicado em 28 setembro 2009

O conceito da internacionalização das atividades acadêmicas foi colocado em prática nos dias 21,22 e 23 de setembro na Universidade. Nesta data, dezenas de reitores e autoridades acadêmicas de diversas instituições de ensino superior estiveram na USP para participar da criação de uma nova rede de pesquisa e de reuniões de organismos e associações internacionais. Ter a USP como sede e palco desses encontros fez parte dos eventos comemorativos dos 75 anos da Universidade.

As personalidades do ambiente universitário que vieram à USP puderam assistir à implantação da Rede Ibero-americana de Universidades de Pesquisa (Ridup), à primeira reunião formal dessa nova rede, ao encontro "USP e Ibero-América: Educação, Ciência e Tecnologia", à reunião anual da Rede Universitária Ibero-americana de Incubação de Empresas (RedEmprendia) e, ainda, à 6a Reunião do Comitê Acadêmico Executivo da Rede de Macrouniversidades Públicas da América Latina e Caribe.

O início das atividades foi no dia 21, quando foi realizado o encontro "USP e Ibero-América: Educação, Ciência e Tecnologia", leitmotiv, do grande momento do dia: a criação da Ridup, firmada oficialmente com a presença de 65 reitores de 12 países, recepcionados pela reitora Suely Vilela.

Suely observou a condição da ciência neste século, que rompe com certos paradigmas e barreiras e assume um perfil transdisciplinar, afinado com a própria natureza, da mesma forma que busca respostas a questões que só fazem aumentar sua complexidade. "As redes temáticas de investigação surgem como instrumento dessa nova ciência", ponderou a reitora. "Por meio delas, há convergência de temas estratégicos comuns, o que de fato contribui, de uma forma ou de outra, para o aperfeiçoamento da qualidade de vida do homem."

Suely destacou que o lançamento da Ridup encaminha-se nessa mesma direção, "com o desafio transdisciplinar de desenvolver investigações de caráter internacional na fronteira do conhecimento, agregando, especialmente, estudantes de pós-graduação, de modo que se culmine com a criação de programas conjuntos de pós-graduação, entre outras iniciativas", disse reitora.

Educação, ciência e tecnologia

Pouco antes da formalização da Rede Ibero-americana de Universidades de Pesquisa, ocorreu na Sala do Conselho Universitário o evento "USP e Ibero-América: Educação, Ciência e Tecnologia", com a presença do presidente do Grupo Santander, Emílio Botin, do presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Celso Lafer, e do presidente do Conselho de Reitores das Universidades Espanholas (Crue), Federico Gutiérrez-Solana Salcedo, além da reitora da USP, Suely Vilela.

Em seu discurso, o presidente do Grupo Santander lembrou que a origem de empresas da indústria química e da indústria farmacêutica na Europa, a comunicação telegráfica no Reino Unido e a geração de energia elétrica nos Estados Unidos estiveram muito ligadas a professores ou laboratórios universitários. "O apoio à pesquisa científica, geradora de conhecimentos novos e promotora da inovação tecnológica, deve ser uma parte fundamental das políticas públicas e das estratégias empresariais", afirmou Emího Botin.

Para o presidente da Fapesp e professor da USP Celso Lafer, a enorme velocidade de produção do conhecimento, na atualidade, faz com que o Brasil tenha de responder à altura os desafios desse novo momento. Segundo Lafer, os indicadores da produção de conhecimento, no Brasil, mostram que o número de artigos indexados, publicados em 2008, chegou a 18.783, dos quais 51% vêm do Estado de São Paulo e, dentro da posição do Estado, 26% correspondem à produção da USP.

Suely Vilela, em seu pronunciamento, saudou os participantes do evento: "Com grande satisfação recebemos os ilustres reitores de 64 universidades de 12 países da região ibero-americana, que comemoram conosco os 75 anos de criação da nossa universidade". Para ela, o grande desafio é vencer a defasagem entre a capacidade acadêmica e o desenvolvimento de produtos e processos inovadores nas indústrias, "uma estratégia fundamental para o desenvolvimento sustentável do País", completou.

Primeira reunião - A manhã do dia 22 de setembro foi reservada à primeira reunião formal da recém-criada Rede Ibero-americana de Universidades de Pesquisa. Coordenada pelo reitor da Universidade Nacional Autônoma do México, José Narro Robles, a reunião contou, também, com a palestra proferida pelo diretor de gerenciamento de produtos da Editora Elsevier, Daniel Calto, com o título "Rethinking Research Performance & Strategy".

Além das intervenções da reitora e de José Narro Robles, a reunião inaugural da Ridup abriu espaço para a mesa-redonda "As metas da Ridup para a pesquisa na região ibero-americana" e as reflexões dos reitores Ruben Hallu, da Universidade de Buenos Aires, Pedro Pablo Rosso,"da Pontifícia Universidade Católica do Chile, e Federico Gutiérrez-Solana Salcedo, da universidade espanhola de Cantábria.

"Acredito no êxito da Ridup porque aqui estão reunidas mais de 60 universidades de 12 países, e a ideia de formação dessa rede é muito boa, assim como as universidades participantes dela. Portanto, essa é uma iniciativa "condenada" ao êxito", definiu Robles.

"A Espanha está numa situação intermediária entre os países mais avançados e os que ainda não se iniciaram nesse perfil, no que diz respeito ao processo de transferência de conhecimento até o tecido produtivo e os serviços da administração pública", avalia Solana Salcedo. "Esse desenvolvimento foi produzido de modo muito forte nos últimos anos e as universidades despertaram para a necessidade de trabalhar conjuntamente e de buscar recursos junto às instituições privadas e às administrações públicas para os processos de inovação e desenvolvimento."

RedEmprendia - Na tarde do dia 22 de setembro, foi realizada a reunião anual da Rede Universitária Ibero-Americana de Incubação de Empresas (RedEmprendia), que, de acordo com seu regulamento, "tem como fim essencial e primordial criar um tecido empresarial ibero-americano gerado a partir dos resultados das ações de "Inovação mais Desenvolvimento", além de contribuir para que as universidades ibero-americanas desempenhem um papel relevante neste processo e se constituam em seu motor".

Essa reunião, comandada pelo presidentee da entidade, Senén Barro Ameneiro, reitor da Universidade de Santiago de Compostela, foi o primeiro encontro de seus componentes após sua criação, ocorrida em maio de 2008.

Faziam parte desse grupo 12 instituições ibero-americanas de ensino superior. Após a reunião do dia 22, foi deliberada a inclusão de três novos membros: a Universidade Complutense de Madri, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e o Instituto Politécnico Nacional do México.

O encontro na Sala do Conselho Universitário, que reuniu reitores de universidades de 12 países: mais cooperação internacional Complementando a relação dos atuais 15 membros da RedEmprendia, encontram-se a USP, o Instituto Tecnológico de Estudos de Monterrey (Item), a Universidade Nacional Autônoma do México,, a Pontifícia Universidade Católica do Chile, a Universidade de Santiago de Compostela, a Universidade de Cantábria, a Universidade de Barcelona, a Universidade de Buenos Aires, a Universidade de Valência, a Universidade de Coimbra, a Universidade Autônoma Metropolitana do México (UAM) e a Universidade Politécnica da Catalunha.

"O objetivo é que as 15 universidades que, neste momento, formam a rede cooperem para que, mutuamente, se ajudem a facilitar os processos de transferência de conhecimento e de desenvolvimento tecnológico que se produzem em nossas universidades, por meio de licenças de patentes e, de modo original, na criação de empresas derivadas dessas iniciativas", disse Ameneiro.

Macrouniversidades - Concluindo a maratona de eventos, foi realizada, no dia 23 de setembro, a VI Reunião do Comitê Acadêmico Executivo da Rede de Macrouniversidades Públicas da América Latina e Caribe.

Criada em junho de 2002, a Rede de Macrouniversidades é presidida pela reitora Suely Vilela. Nessa reunião, os representantes das universidades-membros debateram projetos de grande relevância, segundo a presidente da rede. "Um desses projetos é o programa de mobilidade estudantil, para o qual nós ampliamos o número de bolsas de 100 para 200 durante a minha gestão", comemora Suely Vilela, que, depois de quase dois anos presidindo a instituição, deixa essa função nos próximos meses.

Um projeto novo -foi apresentado, discutido e praticamente consolidado durante a 6a Reunião do Comitê Acadêmico Executivo. Trata-se da criação de um Colégio Doutoral, previsto para funcionar entre os membros da Rede de Macrouniversidades. "Esse Colégio Doutoral prevê a mobilidade dos alunos de pós-graduação para realizar trabalhos acadêmicos em regime de coorientação e de dupla titulação", explica Suely.

A reitora avalia que sua gestão à frente da Rede de Macrouniversidades Públicas da América Latina e Caribe será lembrada pela expansão em 100% do número de bolsas disponíveis para o programa de mobilidade estudantil e a criação do Colégio Doutoral.