Notícia

Revista Brasil Mineral

A trajetória da maior produtora de minério de ferro do mundo

Publicado em 01 maio 2017

Por Vale 75 anos / Francisco Alves/ Amundsen Limeira

Ao completar 75 anos, em junho de 2017, a Vale se consolida como a maior maior produtora global de minério de ferro, com uma capacidade de produção da ordem de 380 milhões de toneladas, devendo evoluir para 400 milhões de toneladas a partir de 2018 e com perspectiva de chegar a 450 milhões t após 2021.

A companhia também se posiciona como o maior produtor mundial de níquel, com operações no Canadá, Reino Unido, Indonésia, Nova Caledônia, China, Japão, Taiwan e Brasil, além de ser um player importante na produção de cobre, ouro (como subproduto do cobre), carvão (metalúrgico e térmico), manganês, ferroligas, minerais do grupo platina e cobalto. No passado recente, a Vale foi também importante produtor de bauxita/alumínio e de fertilizantes, mas estas operações foram transferidas para outros players do mercado: bauxita/alumina/alumínio para a norueguesa Norsk Hydro e os fertilizantes para a Mosaic.

Atualmente, a empresa ainda mantém presença na produção de bauxita, através de sua participação de 40% na Mineração Rio do Norte. Desde 1942, ano da sua fundação, até o início de 2017, quando começou a operação comercial do superprojeto S11D Eliezer Batista, um investimento de US$ 14,3 bilhões, para a produção de 90 milhões de toneladas de minério de ferro em Canaã dos Carajás, a trajetória da Vale S.A. tem sido marcada por acontecimentos superlativos. Os 75 anos que a empresa comemora em 2017 remontam à extração de minérios na região de Itabira, município da região Nordeste de Minas Gerais, a 110 quilômetros da capital Belo Horizonte. Antes da sua fundação, em 1942, a exploração mineral estava nas mãos da Itabira Iron Ore Company, do empresário norte-americano Percival Farquhar.

O então presidente Getúlio Vargas encampou as reservas de ferro que pertenciam a Farquhar para abrir a nova empresa, que tinha como principal função fornecer matéria prima para a incipiente siderurgia brasileira. Nessa época, as páginas dos principais jornais do País estavam ocupadas com notícias sobre a Segunda Guerra Mundial. Criada a partir da incorporação da Companhia Brasileira de Mineração e Siderurgia S.A. e da Itabira de Mineração S.A., a assim chamada Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) trazia no pacote de sua criação a manutenção, a exploração e a ampliação da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM). De quebra, viria também a Mina do Cauê – ainda pouco explorada durante a passagem de Percival Farquhar pela presidência da Itabira Iron Ore Company –, que se transformaria em uma espécie de símbolo dos primeiros tempos da Vale.

Passos marcantes

A expansão do novo empreendimento ocorreu de forma lenta e gradual. A sua modernização e a consequente conquista de novos mercados, como o japonês, só aconteceria a partir dos anos 1960. O primeiro grande salto da companhia veio logo após a criação da Vale do Rio Doce Navegação S.A. (Docenave), empresa de navegação da CVRD pensada e criada para levar parte do minério (40%) ao Japão, em 1962, e a inauguração do Porto de Tubarão, em 1966.

O crescimento foi vigoroso a partir de então, com a Vale caminhando aceleradamente para atingir a liderança mundial na exportação de minério de ferro já em 1976. Na década de 1970 teve início a instalação do parque de pelotização em Tubarão, no qual a Vale estava associada a capitais externos italianos (Itabrasco), japoneses (Nibrasco) e espanhóis (Hispanobrás). Também no início da década de 1970 a Vale deu passos importantes para sua diversificação, ao criar a Docegeo, que tinha como tarefa realizar pesquisas minerais em partes selecionadas do território nacional, principalmente nas regiões Norte e Nordeste, em busca de outras substâncias minerais que pudessem integrar o portfólio da Vale.

Com um orçamento bastante robusto para a época (o investimento inicial foi de US$ 82 milhões) e um corpo técnico altamente qualificado, a Docegeo seguiu o modelo de empresa de pesquisa geológica implantado pelas grandes companhias internacionais de mineração. No início a Docegeo buscava principalmente cobre – do qual o Brasil era dependente de importações – e bauxita, mas como fazia levantamentos completos nas áreas pesquisadas, acabou por realizar outras descobertas, como ouro e caulim. Depois, com o passar do tempo, a empresa passou a buscar qualquer bem mineral que pudesse gerar negócio para a Vale. De fato, as principais descobertas feitas pela Docegeo se transformaram em outras áreas de negócio, como o manganês, o ouro (do qual a companhia chegou a ser o principal produtor no País), o caulim e a bauxita, principalmente.

O ingresso da Vale na mineração de ouro se deu em 1984, quando se iniciou a lavra a céu aberto na mina de Fazenda Brasileiro, na Bahia. Depois vieram outras minas, como a lavra subterrânea em Fazenda Brasileiro, Riacho dos Machados, em Minas Gerais e Igarapé Bahia, no Pará. A atuação da Vale na produção de bauxita se deu através da Mineração Rio do Norte (MRN), para exploração das jazidas de bauxita às margens do Rio Trombetas, no Pará. Vale e Alcan eram sócios majoritários no empreendimento, que tinha participação de outras empresas como a CBA e Norsk Hydro. No alumínio, tudo começou com a criação da Albrás, em associação com o consórcio japonês Nippon Amazon Aluminium. A Albrás, inaugurada em 1985, tornou-se uma das maiores produtoras de alumínio primário do País.

A Alunorte, concebida também nessa época, para suprir a Albrás de alumina, teve sua implantação interrompida por vários anos e só foi retomada nos anos 1990. Em 1982 entrou em operação a Valesul, localizada em Santa Cruz, Rio de Janeiro, na qual a Vale também estava associada a outras empresas. Em caulim, a Vale implantou a Pará Pigmentos, para aproveitamento das jazidas em Rio Capim, com planta industrial no distrito de Barcarena, no Pará. Concluído em 1996, o empreendimento tinha a participação da Cadam e da Mitsubishi. O outro grande passo dado pela Vale depois da inauguração do complexo portuário de Tubarão foi a implantação do projeto Carajás, inaugurado em 1985, que colocou em produção a maior reserva de minério de ferro de alto teor existente no mundo.

Com Carajás, a Vale ampliou o seu poder de competição no mercado internacional de minério de ferro. Com a degradação da qualidade do minério de ferro em Minas Gerais, Carajás representava, para a Vale, a única possibilidade de manter sua posição no mercado internacional. Quando foi projetado, Carajás deveria chegar a uma capacidade nominal de 35 milhões t/ano e hoje já está operando a uma escala de 140 milhões t/ano ou quatro vezes mais que o inicialmente previsto.

Depois da privatização, em 1997, a Vale deu início a um processo de aquisições para aumentar sua capacidade de produção de minério de ferro e aproveitar o momento de crescimento do consumo mundial, principalmente no mercado chinês. Datam dessa época as aquisições da Socoimex, Samitri/Samarco, Ferteco e Caemi (MBR), que deram à mineradora o predomínio quase absoluto da produção de minério de ferro no País. Pelo lado da diversificação das atividades, houve os investimentos em geração de energia, para reduzir sua vulnerabilidade, já que era (e continua sendo) um grande consumidor. Nesse período a Vale finalmente tornouse um produtor de cobre, o que vinha sendo tentado desde os anos 1980, com o início das operações da mina de Sossego, no Pará. A seguir a companhia deu um passo ousado em sua estratégia de internacionalização, ao adquirir a canadense Inco, por US$ 18 bilhões, o que lhe permitiu ingressar no mercado de níquel, metal do qual hoje é o maior produtor em nível mundial.

Depois disso veio o crescimento expressivo de receitas, com o aumento inusitado nos preços do minério de ferro. Em 2008 a Vale alcançou o primeiro recorde em suas receitas, que naquele ano passaram a US$ 37,4 bilhões (quase dez vezes o valor de 1997, quando a empresa foi privatizada) e em 2011 atingiu o seu recorde histórico de US$ 58,9 bilhões. Em 2010, a companhia decidiu aumentar sua presença no mercado de fertilizantes, adquirindo os ativos da Bunge no Brasil, por US$ 3,8 bilhões. Com isso, a Vale tornou-se o maior produtor interno de fosfatados, além de se manter como o único produtor nacional de potássio. A situação favorável do mercado de minério de ferro e os problemas com o projeto Simandou, na África, animaram a Vale a seguir adiante com o então denominado projeto S11D, para exploração nas imensas reservas de minério de ferro de alto teor da Serra Sul, em Carajás que, além de ser o maior empreendimento na história da companhia, também representou o maior investimento (US$ 14,3 bilhões). Implantado em tempo recorde, considerando sua dimensão e complexidade, o projeto S11D Eliezer Batista possibilitará à Vale aumentar sua produção no Norte do País e ter o mais baixo custo de produção de minério de ferro no mundo.

Com a introdução de várias tecnologias inovadoras, o empreendimento quebrou paradigmas na indústria de extração de minério de ferro. É o primeiro que inicia operação com capacidade nominal instalada de 90 milhões de toneladas/ ano, utiliza correias transportadoras em substituição aos caminhões para transporte de minério e estéril e todo o processamento do minério é feito a umidade natural, o que dispensa o uso de barragens para deposição dos rejeitos.

Mas a trajetória da Vale no período mais recente também teve fatos negativos, como os problemas decorrentes da aquisição de direitos de exploração da jazida de Simandou, na Guiné, que acarretou um prejuízo superior a US$ 2 bilhões; a interrupção da implantação do projeto Rio Colorado, na Argentina, para produção de potássio, que também acarretou perdas bilionárias; e o acidente causado pelo rompimento de uma barragem de rejeitos da Samarco (na qual a Vale é sócia, com 50%), que além de acarretar prejuízos financeiros gerou sérios danos para a imagem da mineradora.

Um bom negócio

Do ponto de vista financeiro, a Vale pode ser considerada um bom negócio. Tomando-se por base apenas o período de duas décadas após a sua privatização, a empresa registrou uma receita líquida acumulada (em valores nominais) de US$ 450,6 bilhões e gerou um lucro líquido de US$ 86,9 bilhões.

Ou seja, o lucro líquido acumulado no período equivale a 19,3% da receita líquida, que pode ser considerada uma margem muito boa, em se tratando do setor de commodities minerais, onde as margens normalmente são bem menores. No período, a companhia pagou aos seus acionistas dividendos de US$ 43,2 bilhões, ou seja, aproximadamente a metade de todo o lucro líquido auferido durante 20 anos. Nessas duas décadas a Vale investiu um total de US$ 66,6 bilhões, ou quase 15% de sua receita líquida. O maior volume de investimentos foi concentrado no período 2011 a 2016, quando o valor total alcançou US$ 25,4 bilhões. Isto é, 38% dos investimentos no período pós-privatização foram realizados nos últimos cinco anos. O patrimônio líquido da empresa, que era de US$ 6,9 bilhões em 1997, passou para US$ 41,0 bilhões em 2016, sempre a valores nominais cipação, em cargos estratégicos, de estrangeiros no comando da Companhia.

A CVRD é constituída como uma sociedade anônima, de economia mista, com capital inicial de 200 mil contos de réis, e a diretoria composta por cinco membros: um presidente e dois diretores de nacionalidade brasileira e mais dois diretores norte-americanos. A Companhia é organizada em dois departamentos básicos: o da Estrada de Ferro Vitória a Minas, a ser administrado por diretores brasileiros, e o das Minas de Itabira, dirigido conjuntamente por brasileiros e norte-americanos.

O primeiro superintendente nomeado, Israel Pinheiro, participou da solenidade de assinatura dos acordos realizada na capital norte-americana. Como seu primeiro ato no cargo, Pinheiro pediu uma tesoura emprestada, cortou a manga da camisa e disse: “Agora, mãos à obra”. A frase estaria presente nos folhetos que vendiam as ações da Companhia e explica, em parte, a trajetória da empresa desde então.

Julho de 1944

Aumento de capital - Decorrido o primeiro ano de funcionamento da Vale do Rio Doce, as obras de infraestrutura já tinham consumido todo o seu capital. Assim, em assembleia geral extraordinária, realizada em 15 de julho de 1944, os acionistas autorizaram o aumento do capital de 200 para 300 milhões de cruzeiros. Nessa mesma assembleia, a diretoria foi autorizada a lançar 300 milhões de cruzeiros em debêntures.

24 de outubro de 1944

O primeiro bloco da mina do Cauê - Data da retirada do primeiro bloco de pedra pela Vale, marco inicial de um projeto que iria além da mina de Cauê em si e começaria a traçar a própria história da mineração no Brasil.

1945

Fim da Segunda Grande Guerra - Com o término da Segunda Guerra Mundial, a exclusividade de venda do minério de ferro para a Inglaterra e os Estados Unidos chegou ao fim, deixando a CVRD sem mercados garantidos em curto e médio prazos. O encerramento do conflito mundial provocou uma redução, em âmbito global, na produção siderúrgica e, até que se fizessem sentir os efeitos da reconstrução da economia europeia, a demanda por minério de ferro permaneceu baixa e os preços, consequentemente, pouco compensadores.

As dificuldades enfrentadas pela CVRD foram agravadas pelos altos custos dos fretes marítimos – o Brasil competia com países situados a menor distância (como Canadá e Venezuela) dos principais mercados consumidores (Estados Unidos e Europa). O mercado mundial havia mudado e era imperativo reduzir o custo do minério.

1946

Primeira troca de comando - Ao lado da difícil situação econômico-financeira, a Companhia passou, no início de 1946, por sua primeira mudança de diretoria. Eleito deputado federal por Minas Gerais, em dezembro de 1945, Israel Pinheiro deixou a presidência da CVRD em fevereiro do ano seguinte, sendo substituído pelo pelo presidente da República, general Eurico Gaspar Dutra.

1947

Fornecimento a pequenos clientes - Apesar de priorizar a exportação, a CVRD iniciou, em 1947, suas vendas de minério de ferro para pequenas siderúrgicas particulares que começavam a se instalar ao longo da Estrada de Ferro Vitória a Minas, entre as quais as Companhia de Ferro e Aço de Vitória (Cofavi) e Companhia de Ferro e Aço de Itabira (futura Acesita).

1948

Primeiro resultado positivo - Graças aos recursos obtidos no final da década de 1940, a Companhia reuniu condições para intensificar o programa de obras indispensáveis à operação da estrada de ferro, à extração e à exportação de minério. Em 1948, obteve, pela primeira vez, um saldo positivo de 4.214.592,63 cruzeiros, lucro sensivelmente influenciado pela recuperação dos preços internacionais do minério de ferro. O preço médio por tonelada FOB passou de US$ 5,22, em 1947, para US$ 6,67, no exercício seguinte (aproximadamente US$ 70 em dólares de 2017).

1949

Formação de mão de obra especializada - Organizado em Vitória (ES), o Centro de Estudos Ferroviários, sob a orientação do engenheiro Eliezer Batista da Silva, focado no aprimoramento das condições operacionais do transporte de minério. Para melhor aperfeiçoamento de seus técnicos, o Centro oferecia estágios no exterior.

Mudança no preço do minério de ferro – O ano de 2010 foi marcado por uma grande mudança, para a Vale, nas regras de comercialização do minério de ferro. A empresa fechou acordos com seus clientes, durante o primeiro semestre de 2010, em que os contratos anuais foram substituídos por contratos com valores indexados trimestralmente. Assim, o sistema anterior, de preços reajustados anualmente, com base em negociações bilaterais, foi substituído por um novo sistema em que os preços tinham reajuste trimestral com base em uma média de índices de preços trimestrais.

Aquisição da Bunge Fertilizantes - Em janeiro de 2010, a Vale entrou em negociações para aquisição, por US$ 3,8 bilhões, de 100% do capital da Bunge Participações e Investimentos S.A., que possuía ativos e investimentos de fertilizantes no Brasil. O portfólio de ativos da BPI compreendia: minas de rocha fosfática e plantas de processamento de fosfatados; participação direta e indireta de 42,3% no capital total da Fertilizantes Fosfatados S.A. – Fosfertil. A Vale também adquiriu, da Heringer, Fertipar, Yara e Mosaic, as ações que as empresas possuíam na Fosfertil, pelo valor de US$ 1,9 bilhão.

Vale na Guiné - Em 2010, a mineradora anuncia o Projeto Simandou para o desenvolvimento de um dos melhores depósitos de minério de ferro de classe mundial ainda não explorados no mundo. Simandou deveria ser o maior projeto de minério de ferro integrado com infraestrutura em todo o continente africano e ainda envolvia programas de educação e de desenvolvimento humano e econômico. A primeira fase do empreendimento seria a implantação da mina de Zogota, em Simandou Sul. A capacidade total de produção prevista era de 15 milhões de toneladas por ano e investimento total de US$ 1,26 bilhão. O Projeto Simandou pretendia replicar na África o bem-sucedido modelo mina-ferrovia-porto desenvolvido no Brasil para as operações de minério de ferro.

Nova expansão em Carajás - No final do primeiro trimestre de 2010, entraram em operação as novas instalações que adicionaram 20 milhões de toneladas métricas por ano (Mtpa) à capacidade de produção de minério de ferro em Carajás. Originalmente, a expansão prevista era de 10 milhões tpa.

Operação da CSA – Começa a operar a ThyssenKrupp Companhia Siderúrgica do Atlântico (TKCSA), com capacidade de 5 milhões de toneladas de placas por ano, na qual a Vale detinha participação de 26,87%.

Mina de cobre no Chile - No quarto trimestre de 2010 foi iniciada a produção na unidade de cobre de Tres Valles, localizada na região de Coquimbo, no Chile. A capacidade nominal era de 18.500 toneladas de cobre, obtidas por processo hidrometalúrgico.

Operação de Onça-Puma - No quarto trimestre de 2010 foi feito o comissionamento e iniciado o ramp-up do projeto de níquel Onça-Puma.

Financiamento de projetos de CT – Como fruto da atuação da Gerência Executiva de Tecnologia, foi articulada uma parceria para o desenvolvimento de uma chamada pública em conjunto com as Fundações de Amparo à Pesquisa dos Estados (FAPs) de Minas Gerais (MG), Pará (PA) e São Paulo (SP), denominado Edital Vale- FAPs. O edital foi lançado no início de 2010 e teve como principal objetivo a produção de CTI de alta qualidade nas regiões envolvidas. A chamada pública previa o aporte conjunto da Vale e das FAPs. A Vale disponibilizaria R$ 72 milhões, sendo R$ 20 milhões para a FAPEMIG, R$ 32 milhões para a FAPESPA e R$ 20 milhões para a FAPESP, contando com a contrapartida das FAPs dos estados, totalizando 120 milhões de Reais.

Mais desinvestimentos - Em janeiro de 2010, a subsidiária integral Valesul Alumínio S.A. fechou um acordo para vender seus ativos de alumínio, no estado do Rio de Janeiro, por US$ 31.2 milhões. Em março de 2010, foi firmado um contrato com a Mosaic e Mitsui Co. Ltd. (Mitsui) para venda de participações minoritárias no projeto Bayóvar por meio de uma empresa recémcriada, que passou a controlar e operar o projeto no Peru. A Vale vendeu 35% do capital total à Mosaic, por US$ 385 milhões, e 25% do capital total à Mitsui, por US$ 275 milhões. Mas manteve o controle do projeto Bayóvar. Em julho de 2010, foi completada a venda de 86,2% da participação da Vale na Pará Pigmentos S.A. (PPSA), produtor de caulim e outros direitos de mineração de caulim localizados no estado do Pará.

2011

Pelotizações em Omã – Foram iniciadas as operações no complexo industrial de Sohar, em Omã, composto por duas usinas de pelotização, cada uma com capacidade de produzir 4.5 Mtpa, pelo processo de redução direta. A Vale também começou a desenvolver um terminal de bulk materials e um centro de distribuição, na Malásia, com a capacidade de operar 40 Mtpa.

Mudança no comando – Nesse ano, o Roger Agnelli, que havia assumido a presidência da empresa em 2001, deixa o cargo. Em seu lugar assume Murilo Ferreira.

Infraestrutura do Complexo S11D - Iniciadas as obras de Transmissão e da Subestação Principal para permitir o fornecimento de energia elétrica ao Complexo S11D Eliezer Batista, em Carajás (PA), projeto com capacidade para produzir 90 milhões de toneladas de minério de ferro de alta qualidade. Foram implantadas também nesse mesmo ano as estruturas de apoio em Canaã dos Carajás, onde foram montados os módulos da usina.

Carvão de Moatize - O primeiro produto da mina de Moatize deixou Moçambique em 14 de setembro de 2011, a bordo do navio Orion Express, em direção ao Líbano. Foram 35 mil toneladas de carvão térmico, que percorreram os 575 quilômetros de extensão da linha Sena- Beira, que liga Moatize ao Porto da Beira, em Sofala, região central de Moçambique. A linha estava interrompida havia 28 anos, devido à guerra civil. As atividades na mina começaram em maio e sua implantação contribuiu para dinamizar a economia moçambicana, gerando emprego e renda. Em 2015, a produção de carvão em Moatize já correspondia a 7 milhões de toneladas.

Venda de ativos na cadeia do alumínio - Em 2011, a Vale anuncia a conclusão da transação com a Norsk Hydro ASA (Hydro) para transferir todas as suas participações na Albras – Aluminio Brasileiro S.A., Alunorte – Alumina do Norte do Brasil S.A. e Companhia de Alumina do Pará (CAP). A Vale também criou a empresa Mineração Paragominas S.A. (Paragominas) e transferiu a mina de bauxita de Paragominas e todos os seus demais direitos minerários de bauxita do Brasil.

2016

Inauguração oficial do projeto S11D - Em dezembro, houve a inauguração oficial do Complexo Minerador S11D Eliezer Batista, em Canaã dos Carajás (PA), um investimento de US$ 14,3 bilhões, dos quais US$ 6,4 bilhões aplicados na instalação da lavra e processamento de minério, e US$ 7,9 bilhões alocados na construção de um ramal ferroviário com 101 quilômetros de extensão, expansão da Estrada de Ferro Carajás (EFC) e ampliação do terminal marítimo de Ponta da Madeira, em São Luiz (MA). A plena carga, o Complexo terá capacidade para produzir 90 milhões de toneladas de minério de ferro de alta qualidade.

Projeto Moatize II - No terceiro trimestre foi concluída a construção de uma nova cava e a expansão da nova usina de processamento e manuseio de carvão, de Moatize, em Tete, Moçambique. Com isso, a capacidade nominal passou de 11 Mtpa de carvão para 22 Mtpa.

Companhia Siderúrgica do Pecém – Com quase 10 anos de atraso em relação ao cronograma original, foi inaugurada a Companhia Siderúrgica do Pecém, uma usina de placas de aço integrada no Ceará, em parceria com a Dongkuk Steel Mill Co. e a Posco. A Vale possui 50% da joint venture. Os outros 50% são divididos entre a Dongkuk (30%) e a Posco 20%. A capacidade nominal é de 3,0 Mtpa.

Venda do negócio de fertilizantes – No final de 2016, a Vale fechou um acordo com a Mosaic para a venda de uma parte do negócio de fertilizantes, incluindo os ativos de fosfatados no Brasil, a participação que a Vale detém na joint venture que opera a mina de rocha fosfática em Bayóvar, no Peru, os ativos de potássio no Brasil e o projeto de potássio Kronau, no Canadá (Kronau). Ficaram de fora os ativos de nitrogenados e fosfatado, em Cubatão. A Vale espera receber, com a transação, US$ 2,5 bilhões, sendo US$ 1,25 bilhão em dinheiro e aproximadamente 42,3 milhões de ações ordinárias da Mosaic. A venda deve ser concluída no final de 2017. A Mosaic poderá também adquirir o projeto Rio Colorado, na Argentina, cuja implantação a Vale descontinuou.

Mais ouro de Salobo – A Vale também vendeu à Silver Wheaton Ltd. um adicional de 25% do ouro produzido como subproduto da mina de cobre de Salobo, durante toda a vida da mina, por US$ 800 milhões Anteriormente a Vale já havia vendido 50% do ouro de Salobo.

Ativos de carvão na Austrália - Em novembro, a Vale vendeu, a uma subsidiária da AMCI Euro- Holdings BV, as participações em ativos de carvão na Austrália, incluindo as operações em Carborough Downs, a operação em Broadlea e as jazidas por desenvolver em Ellensfield e Red Hill. A Vale não recebeu pagamentos antecipados, mas tem direito a eventuais pagamentos futuros de até 30 milhões de dólares australianos em bônus de produção sobre a primeira produção de carvão em alguns direitos minerários, bem como royalties de até US$4,00 por tonelada de carvão vendida a partir desses ativos.

Fundação Renova - Constituição da Fundação Renova, em março de 2016, para reparar os danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão, ocorrido no distrito de Bento Rodrigues, Mariana (MG), em novembro de 2015. É uma entidade privada e sem fins lucrativos, criada por um Termo de Transação e de Ajustamento de Conduta (TTAC) assinado pela Samarco e suas controladoras Vale e BHP Biliton, com os governos federal e dos estados de Minas Gerais e do Espirito Santo, o Ibama, o Instituto Estadual de Florestas, a Funai, as Secretarias de Meio Ambiente, o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM), a Fundação Estadual de Meio Ambiente (FEAM), o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (IEMA), o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (IDAF) e a Agência Estadual de Recursos Hídricos (AGERH).

Resultados da parceria em CT – Em dezembro, foi concluída a parceria entre a Vale e as Fundações de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig), do Pará (Fapespa) e de São Paulo (Fapesp) que resultou em investimentos de R$ 99 milhões em projetos de Ciência e Tecnologia (CT) ao longo dos últimos quatro anos. O Vale-Faps contratou 114 dos 117 projetos selecionados, disponibilizando 621 bolsas de pesquisa, em 30 instituições nos três estados. Segundo a Vale, as pesquisas se concentraram nas áreas de mineração, energia, ecoeficiência e biodiversidade e processos ferrosos para siderurgia. Do total investido, a Vale desembolsou R$ 61 milhões e as Faps, outros R$ 38 milhões.

Rejeitos da Samarco vão para Timbopeba – Em dezembro, a Vale informa que celebrou, em documento não vinculante, acordo com a BHP Billiton Brasil Ltda. e a Samarco Mineração sobre os termos e condições gerais para o uso da cava de Timbopeba, da Vale, para depósito de rejeitos pela Samarco, uma vez que ela volte a operar. A Vale transferiria a cava de Timbopeba à Samarco e, em compensação, a Samarco forneceria à Vale uma quantidade de minério não processado (Run-of-Mine – ROM) por um determinado período.

Venda da mina Paragominas – A empresa conclui a venda da sua participação restante de 13,63% na Mineração Paragominas, responsável pela extração de bauxita no Pará. A transação totalizou US$ 113 milhões e está relacionada à venda dos ativos de alumínio da Vale anunciada em 28 de fevereiro de 2011.

2017

Operação comercial do Complexo S11D - Em janeiro, o Complexo S11D Eliezer Batista, em Carajás (PA), entra em operação comercial. A previsão é que a capacidade nominal de produção (90 milhões de toneladas de minério de ferro) seja alcançada gradualmente até 2020.

Primeira carga comercial produzida na mina S11D – Em 13 de janeiro, o Terminal Maritimo de Ponta da Madeira, em São Luis (MA), embarca a primeira carga comercial produzida na mina de S11D, em Canaã dos Carajás, Sudeste do Pará. As 26 mil toneladas de minério de ferro foram divididas em três navios.

Novo acordo de acionistas – Em fevereiro, a Valepar, acionista majoritário da Vale, divulgou ao mercado uma proposta de novo acordo de acionistas que basicamente visa transformar a Vale em uma sociedade anônima de controle pulverizado e promover sua migração para o Novo Mercado da BMF Bovespa. Pela proposta, as ações preferenciais classe A serão convertidas em ações ordinárias, na proporção 0,9342 ação ordinária para cada ação preferencial classe A. O estatuto social da Vale será alterado, inclusive para adequá-lo às regras do Novo Mercado. E a Valepar será incorporada à Vale. A proposta está condicionada à adesão de pelo menos 54,09% das ações preferenciais Classe A à conversão voluntária e aprovação da Assembléia Geral da companhia. Haverá um novo acordo de acionistas, válido até novembro de 2020, quando então a companhia deverá efetivamente passar a ser negociada segundo as regras do Novo Mercado.

Desinvestimento da participação em Moatize – Em março, a Vale informa a conclusão da transação de equity com a Mitsui Co., Ltd. (Mitsui) relacionada ao desinvestimento de parte de sua participação na mina de carvão de Moatize e no Corredor Logístico de Nacala (CLN). O comunicado diz que a empresa recebeu US$ 733 milhões de um total em torno de US$ 770 milhões relacionados a essa transação de equity. O restante será pago pela Mitsui na conclusão do Project Finance. A Vale reafirma a importância estratégica da parceria com a Mitsui e sua confiança na conclusão do Project Finance no curto prazo.

Sob nova direção - Em maio, Murilo Ferreira deixa a presidência da Vale, cargo que ocupava desde 2011, para dar lugar a Fabio Schvartsman, que assume o comando da companhia tendo que lidar com muitos desafios, como o de tornar a companhia menos sujeita a influências políticas.