Notícia

Jornal da USP

A sustentável leveza do ser

Publicado em 12 março 2012

Uma constatação feita pelo ex-reitor José Goldemberg durante o workshop realizado na Fapesp, na semana passada, como preparativo para a Rio+20, chama a atenção e merece uma ponderação aprofundada. "Há 120 parágrafos com exortações e apenas seis parágrafos fazem considerações concretas sobre os rumos a seguir", afirma Goldemberg a respeito do documento O Futuro que Queremos, elaborado pelos países membros da ONU e que servirá de base para as discussões que acontecerão no Rio de Janeiro em junho deste ano. Esse documento também é chamado de "rascunho zero", e talvez não haja nome mais apropriado.

A falta de metas a serem seguidas - e cumpridas -, como apontou o ex-reitor da USP, talvez esteja no cerne de um problema que precisa ser abordado e cuja discussão se fez presente na reunião da Fapesp: que mundo desejamos para o futuro? Ou mais: que mundo deveríamos ter agora, duas décadas depois do primeiro encontro ambiental, em 1992? Falar de sustentabilidade não pode ser apenas modismo, um clichê bonitinho repetido como mantra, mas executado com extrema parcimônia. Sustentabilidade é prática constante, é um conjunto de ideias levadas a cabo, e não retórica.

Novos conhecimentos, como os que foram discutidos na Fapesp, são extremamente importantes e precisam estar presentes em todas as discussões que norteiam essa Rio+20. "Só com ciência não serão resolvidos os desafios da Rio+20 e os grandes desafios da agenda mais ampla da relação entre ambiente e desenvolvimento. Porém, sem ciência não há condições de desatar os nós que emperram o encaminhamento do desenvolvimento sustentável no mundo do século 21", disse Celso Lafer, presidente da fundação. Ele tem toda a razão. Se não, de nada adiantará o mantra inócuo e todas as Rio +30 ou +40 que ele produzir.